ClaraCarvalho
Nov 1 · 2 min read
Photo by Gemma Chua-Tran on Unsplash

Tenho pensado sobre ser pessoa…

Pensado sobre como passamos umas pelas outras e sequer notamos a cor dos olhos de alguém. Ou sobre como estamos ao lado de alguém que amamos, mas a existência de um barulho dentro de nós causa surdez, não enxergamos as cores das suas palavras.

Seria eu tendenciosa (e até hipócrita) se não me incluísse nisso. Tendemos a pensar mais do que sentir, porque “pensar” e depois sentir é mais fácil do que sentir e pensar. Sentir, a voz, as palavras (cada uma delas). Sentir o toque, sentir a presença. Sentir no significado intrínseco da palavra. Sentir e pensar. Processar cada sensação. Refletir sobre como, por que… Isso, amigos, traz dores. Traz conflito.

Será que ainda tem alguém me lendo?

Será que tem alguém entendendo?

Alguém dentro de mim quer falar. Pasmem, por que tem alguém dentro de mim que quer ouvir. O meu verdadeiro “eu” quer dizer coisas que o meu ego talvez não seja capaz de compreender, de lidar, aceitar. Talvez me desorganize. Mas já passei tempo demais presa nas incertezas, na escuridão gritando e obtendo o eco da minha ignorância como resposta. Enfrentar, talvez seja essa uma das palavras que o verdadeiro eu tem tentado me mostrar como inicio de um caminho. Caminho que me leve a mim. Caminho que me leve ao encontro de quem eu verdadeiramente sou.

Estou com medo. E reconheço esse sentimento de medo como uma casca que o meu ego está usando. Sim, ele quer me proteger. Sim, desse jeito dói muito pouco. Mas se eu sinto e penso (entendo esse sentimento), eu aceito enfrentar. O prêmio que me espera depois da linha de chegada é o “eu real”. É o meu amor por cada defeito e qualidade que me torna eu. É a minha essência encarnada em um sujeito.

Sujeito que tem corpo.

Corpo que tem marcas.

Mas corpo que é inteiro e que dessa forma se torna capaz de estar diante de outro corpo que tem marcas da sua própria existência. Que deseja que eu ouça. Que espera que eu encontre seu verdadeiro eu em suas palavras e que o ajude a perceber as suas cores ou que simplesmente segure a sua mão quando esse mesmo medo que eu sinto seja o medo que elx sente.

    ClaraCarvalho

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    amante das palavras ditas e escritas, me derramo em cada possibilidade de existir através delas. as vezes psicóloga, sempre uma escutadora sensível da vida.

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