Você perguntou se eu queria ir para algum lugar mais reservado e eu topei. Fomos. Mas não fomos sós. Levei o João, que estava comigo desde o começo da noite. Tive esperanças de que em algum momento ele fosse embora, mas não. Ele me acompanhou até o seu apartamento, onde a Ana nos esperava. E se ele estava em cada parte de mim — na jaqueta de couro que eu nunca devolvi, no perfume caro que eu não quis parar de usar, na frase que adornava meu quadril- ; ela reinava soberana em várias partes da casa. Nos azulejos da cozinha, nos livros da estante, na roupa de cama do teu quarto.

Ficamos na sala. E eu sei que tentamos. Mas não estávamos sós. Soube disso quando prendi o cabelo para trás e tirei sua blusa. Não sei o quanto somos parecidas, mas não era eu que você via naquele momento. Mas eu não te culpo. E também não me culpo. O destino quis que vocês tivessem a mesma tatuagem no antebraço. E não era a sua que eu estava tocando. Tentamos. Levamos aquilo adiante o quanto deu. Até o momento em que era o João a beijar a Ana, e tivemos que parar antes que deixássemos de existir ali.

Fui pra casa, preparei uma xícara de chá e fui ver Netflix com o João. A Ana ficou pra te fazer companhia enquanto você tomava uma banho gelado, achando que ia passar. Não passou. Nem com banho, nem com álcool, nem comigo. Eu não sei onde estávamos com a cabeça quando achamos que pudéssemos nos curar. Não podemos. Então desistimos daquele sexo mal assombrado. E voltamos para onde estávamos antes do outro. Na companhia dos nossos próprios fantasmas.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.