Nordestinas
Minha bisavó era a rainha da festa, seu olhos claros, pele negra, uma mulher bonita pelo brilho irradiante que emanava a cada passo de dança, seus pés pequenos e ligeiros se movimentavam freneticamente ao som do forró que tocava ao fundo. Seja limpando a casa, seja dando o que comer aos filhos, não importa por quais caminhos ela tivera que trilhar pra chegar aonde ela se encontrava agora.
ela podia as vezes em suas artimanhas não valer um real. Mas seu coração, ele valia ouro. do mais puro e reluzente dourado que se assemelhava aos seus cabelos, sempre bem arrumados, sempre pintados, suas meias-calças postas, ela saia pra dominar o mundo, seu pequeno e humilde mundo, seus inúmeros filhos, seus inúmeros netos, e sua bisneta que vós fala. O pouco que tive de ti, admirei.. poder que emanou de todas aquelas que passaram por minha vida, sejam seus erros, seus acertos, em soma são o que engrandecem suas almas, o que tornam elas humanas, puramente pessoas, mulheres e guerreiras.
Dona Cida, amava dançar, amava se encher de bijuterias, daqueles colares enormes e extravagantes de miçangas, estava sempre pomposa. Ela fazia aquela comida forte típica do norte, mas que quando apreciada era como um abraço. Acho eu, que essas são as melhores, aquelas que vem de berço, aquelas que lembram infância, casa e aconchego. um simples arroz e feijão, uma simples mistura são capazes salvar famílias. Alimente-se aqui, porque ao sair pro mundo, meus filhos, não passaremos de miseráveis.
Lima barreto já dissera em clara dos anjos, minha bisa, minha vó, minha mãe já provaram da lastima que clara proferiu ao fim do livro: Mamãe, nós não somos nada nesta vida.
