Caiu em desgraça

Sobre a professora que revelou nossas sombras


“Caiu em desgraça”, palavras do jornal O Globo sobre a professora que publicou foto ridicularizando a aparência de um homem no aeroporto. O caso cresceu e ela recebeu pedradas virtuais violentíssimas. Em uma página criada em protesto, com mais de 27 mil inscritos, Rosa é extensivamente ofendida, de “animal” a “monstro”. Tentou se retratar, escreveu um pedido de desculpas, mas o estrago já estava feito. O jornal diz ainda que ela pediu demissão e perdeu um cargo na universidade, mas continua na função de docente. Passa por um período de depressão, devido à repercussão da história.

Poeira que se espalha não pode ser recolhida. O tribunal dos internautas é implacável e, muitas das vezes, cruel e desmedido. Não pretendo defender a postura da professora, no entanto é necessário pensar em como a exposição dos indivíduos nas redes gera uma reação travestida de ética e moral, mas em essência é pura barbárie. Será que estamos na Idade Média da internet?

Mundinho Animal — Arnaldo Branco

Fiquei penalizada com a situação da mulher. Não há dúvidas de que foi uma atitude grosseira e maldosa — tanto dela como de seus colegas, provavelmente doutores. Mas ali revelaram-se sombras que TODOS temos. Se forem abrir um tribunal para isso, não vai ter cadeia que chegue. Nossa sorte foi não termos escrito nada, não termos sido flagrados, não termos sido denunciados. Nossas sombras permanecem (ainda) confortavelmente camufladas. E vibram, justiceiras, toda vez que outras sombras são açoitadas em praças públicas eletrônicas por aí.