As “estrelhinhas” que ganhamos na vida.

Começo essa reflexão com uma vaga lembrança, de uma aula na graduação. Acredito que como qualquer jovem de 24 anos, eu estava também cheia de planos e sonhos querendo abraçar o mundo com os braços e as pernas simultaneamente. Nesta aula fiz um quadro (um brainstorming na verdade, pra quem é designer sabe) sobre tudo o que queria ser/fazer numa meta de 3, 5 e 10 anos. Quais objetivos e sonhos. Quais lugares gostaria de viajar, conhecer, morar… em qual emprego gostaria de estar… Enfim, fiz.

Não sei se há veracidade nisso o que vou dizer, mas durante um bom tempo isso foi bem real pra mim. Na convenção social, sou uma jovem que se formou tarde,com 25 anos. Alguém que entra em uma universidade para estudar design com 18 anos, no mínimo se forma com 22. Entrei na universidade com 21 anos… ou seja, tarde demais para a tal convenção social (cheguei a achar que eu era um ser humano fracassado por isso. LOUCURA.). Eu estava atrasada socialmente falando. Portanto, na minha cabeça, atrasada na vida.

Metade dos meus colegas da escola se exibiam com suas graduações, empregos bacanas e desfilavam no conforto dos seus carros (mesmo que o carro em si não fossem deles, e sim dos pais). Enquanto eu, andava pra cima e pra baixo de ônibus, atravessando duas cidades para chegar ao meu espaço de atividades de trabalho e estudo. Então, eu deveria correr atrás desse prejuízo insano o quanto antes. Formei.

ILUSTREI TANTAS COISAS QUE EU QUERIA SER E FAZER EM MINHA CABEÇA, CHEGUEI A ANOTAR TODAS ELAS PARA TIRAR O PESO DA ANSIEDADE DO MEU PEITO.

Em questão de dois meses, após a graduação, me vi fazendo disciplina isolada para o mestrado. E ao mesmo tempo abrindo uma empresa com mais três colegas que foram da minha sala na graduação. E fui “correndo atrás do prejuízo”. Fiz a minha inscrição para o mestrado. Escrevi meu projeto. Estudei para as provas necessárias. Passei.

Entrei como alguém que se sentia despreparada para aquilo na qual eu mesma havia me incumbido a fazer. E ainda me sinto assim. Um temor horrível de não dar conta…

O mais intrigante é que eu realmente não sei se estou perseguindo os meus sonhos ou os sonhos semeados que a sociedade lançou pra mim. E eu? Eu os reguei, reguei. Eles cresceram forteMENTE dentro de mim. E pra ser sincera, eu não sei se estou em uma posição confortável de dizer: não quero. Mas a dúvida de não saber o que quero para mim, é inevitável.

Eu tenho mil sonhos mas… eles são mesmo meus?
Quando eu era pequena tenho uma vaga lembrança de como a gente era gratificado com pequenas estrelinhas coladas no cantinho dos nossos cadernos. E ao lado, com uma caligrafia perfeita em caneta azul, sempre acompanhava um “Você brilhou!” da professora. Aquilo tinha um impacto em mim.
Cresci.

Eu entendo que, nós como seres humanos apreensivos, indefesos e cheios de defeitos, crescemos construindo nossas vidas baseando-nos a essas convenções sociais nas quais acabamos por perder a nossa própria essência e identidade. Ser uma criança que recebe uma pequena estrela no caderno não é muito diferente de ter sua foto no quadro do escritório como “melhor funcionário do mês”. Que não é muito diferente das curtidas que você espera receber nas mídias sociais.

E hoje, analiso isso da seguinte maneira:

ESTAMOS SEMPRE A ESPERA DAS CONSIDERAÇÕES E JULGAMENTOS QUE OS OUTROS FAZEM DA GENTE. ESTAMOS SEMPRE CASTRANDO O QUE NÓS PENSAMOS DE NÓS MESMOS E O QUE, DE FATO, NOS É HONESTAMENTE IMPORTANTE.
Uma vez trabalhei em um lugar que eu queria tanto parecer perfeita e eficiente que eu fazia, basicamente, tudo errado. Eu tinha tanta certeza que eu não era boa o suficiente para aquele lugar que de fato não deu certo. Eu queria, DESESPERADAMENTE, agradar a minha empregadora e colegas de trabalho que eu mesma não tinha reparado que eu não estava confortável, não estava feliz comigo e nem com o emprego. E por que mesmo assim eu QUERIA, desesperadamente, algo que eu NEM QUERIA???
A GENTE FORÇA A CORDA TENTANDO SE ENCAIXAR, E ME PERGUNTO, PRA QUÊ? POR QUÊ?

A vida se trata de você estar dentro de um “eixo” (ou fora dele! Como preferir.) que te deixe bem e a vontade com o ser humano que VOCÊ é. E mesmo que o eixo aperte, você se sentirá livre para fazer o que quiser. Analisar e tomar suas próprias decisões. E por que tentar ter e fazer coisas que você talvez nem queira? Por que ser alguém que não é?

Termino esse texto com uma curta frase que alguém há um tempo me inspirou e estou tentando praticar…

A VIDA PODE SER APENAS O SUFICIENTE, PARA SER O BASTANTE.
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