
Nasce finalmente o fim.
Eu era jovem. Me apaixonei. Entrei de cabeça na história que mudaria minha vida pra sempre. Sete meses de namoro e eu praticamente morava com ele. E como sonhei em sair de casa... O relacionamento não era pleno. A gente brigava, ele tinha ciúme, dava chilique. Eu engravidei. Tudo desmoronou. Passei as duas semanas mais infernais da minha vida. Enjôos tenebrosos e uma solidão profunda. Não me sentia segura. Tudo me ameaçava. As brigas pioraram. Eu saí da casa dele e voltei pra minha mãe. Caos interno. Um antigo namorado se reaproxima, e na fragilidade me apego na falsa segurança daquela situação. Meu filho cresce em meu ventre e com ele os conflitos com o pai dele. Meu filho nasce e o tal namorado não aguenta a pressão “uma criança é foda, muda tudo” e termina o relacionamento. Ficamos eu e meu filho contra o mundo. Mas e o pai dele? O pai dele não desiste. Tenta ter a mim de volta a todo custo e só piora as coisas. Eu luto contra uma depressão tomando remédios e rezando muito. Pedindo paz paz paz, mas é sempre guerra. Começo a buscar alternativas, volto a trabalhar, consigo uma bolsa de estudos pro meu filho. Autonomia era a meta. Volto pra faculdade e a vida parece caminhar novamente. Já não mais estava usando antidepressivos nessa fase.
Conversas soltas, um desejo acende e uma noite eu me entrego. Erro. Nessa hora eu quis voltar, quis tentar a família. Já havia outra pessoa na vida dele. Outro inferno começa dessa vez o abismo é mais fundo. Engravidei de novo. O surto da responsabilidade deu a ele a obrigação de ficar comigo. Mas ela (a pessoa) estava ali, aguardando. As brigas nunca acabaram. Terminei a falida relação outra vez. Nada de novo. Um filho pequeno e outro na barriga. Mas meu coração ainda batia por ele. Ou batia a falsa idéia de família que nunca existiu. Minha filha nasceu numa ilha. La eu parecia longe de tudo que me fez sofrer. E pra minha surpresa ele estava lá no parto dela. Eu não quis ele perto quando o menino nasceu. Da menina eu convidei e ele foi. Outro grande erro. Só me desprotegi mais. Ele disse que me amava. Perverso. Sofri a sequência dos dias numa depressão pós-parto tão violenta que tive síndrome do pânico. Eu não tomava banho, não comia. Mas cuidava dos meus filhos como se fosse a última coisa que faria. Pra que eles vivessem e fossem fortes. O primeiro ano da minha menina foi cruel. Eu me isolei do mundo e fui apenas mãe. Nada deu certo. Nada. Eu estava começando a me reequilibrar quando minha grande amiga morreu. Desabei. Quase morri. Essa que me deixou era quem eu mais amava, quem mais me abraçou, quem mais me deu amor sem pedir nada em troca.
Teve um cara, alguém que esqueci o nome, com quem eu saia as vezes só pra transar. Ele se apaixonou por mim. Quis namorar, e eu aceitei. Mas era um relacionamento aberto. O que eu tinha a perder? Eu já estava perdida de mim lá no início desse texto.
Eu estava desempregada. Pra ter dinheiro fazia faxina, bico de auxiliar no salão, e uns corre de manicure. Um conhecido me chamou pra um trampo de palhaço que eu ganharia uma graninha legal. Topei. Daí eu conheci um homem. O tal do relacionamento aberto estava realmente open? Eu dei um beijo nesse homem. Ele namorava. Só um beijo que deixou feliz de um jeito que eu tinha esquecido como era. Eu terminei o namoro aberto na mesma semana. Que porra de aberto na casa do caralho. O homem ficou ainda em dúvida. Eu só não podia piorar as coisas. Quis de novo amar, mas precisava ser legítimo, genuíno. E depois de alguns dias de conflito o homem me escolheu. Me abraçou com tudo… Com todos os problemas, e medos, e faltas, e meus filhos. A gente se encontrou pra cuidar da outro. Finalmente pareceu que Deus lembrou de mim. A essa altura o pai das crianças já estava casado com a pessoa lá de outrora. Eu e o homem que me quis de verdade, do jeito que sou, começamos a conquistar muitas coisas. Mas quantas sombras ainda pairam sobre mim. A notícia de que o pai das crianças seria pai novamente veio a mim exatamente no momento em que comecei a ensaiar a idéia de ser mãe de novo. Mas meu homem me abraçou, cuidou da minha dor. E decidi mudar de cidade. Buscar melhores condições pra minha família. Encontrei uma casa e cuidei dela. Colocamos nossas coisas, nossas energias, nosso amor.
O bebê dele nasceu. E estou cuidando das minhas mágoas. Que seja feliz afinal. E que desfrute do cuidado que os irmãos nunca precisaram da parte do mesmo pai que compartilham.
Eu daqui sigo meu caminho, meu casamento, minha história de luta e força. Agora eu hei de conquistar tudo que mereço. Meu karma com ele acabou.
Que Oxumarê e Oxum guiem meu Ori em direção a realização dos meus sonhos.
Gratidão por todo esse aprendizado e por tudo que conheci de mim mesma.
Axé.
