Sobre janelas de ônibus e cotidianos

Clara.
Clara.
Aug 22, 2017 · 1 min read

Janelas de ônibus são uni-versos à olhos atentos, corações sensíveis e mentes férteis.
Ao longo do caminho, o olhar segue à procura de histórias.
A primeira surge como um afago ao peito.
Um casal de moças abraçadas. O sorriso bobo e os olhares apaixonados contagiam — apesar de olhares julgadores ao redor. Como devem ter se conhecido? Se casarão? O beijo foi como um sinal de final feliz dessa história.

Segue viagem.

Dessa vez, o olhar enxerga uma mulher. O choro tímido chamou a atenção. As lágrimas escorrem, sem nenhuma tentativa de escondê-las. Qual o motivo de tanta dor? Perda de alguém querido? Um amor que tomou rumos diferentes? Ou talvez a vida, com seus contratempos? Desejo que fique tudo bem.

Seguindo.

A mãe com o bebê no colo que ri deliberadamente a todos que passam, se destaca na multidão. Aqueles dentinhos e o olhar inocente, que transborda felicidade. Qual deve ser seu nome? E daquela mãe que apesar do olhar cansado, também sorri com seu bebê?

Mas sem sobreaviso, o ônibus segue viagem.

Mais à frente, o grupo de idosos joga dominó. Quantas histórias devem ter pra contar! Todos sorriem, alegres. Mas ainda concentrados. Olhos atentos no jogo, sempre.

A violência urbana. Os contrastes sociais. A corrida pra pegar o ônibus. A menina que brinca com a boneca.

Bate o vento nos rosto, e entre tantas idas e vindas na mesma rota, se enxergam todos: humanos. De carne, osso, dores e amores.
E com uma certeza: é necessário enxergar poesia no cotidiano!

)

Clara.

Written by

Clara.

uma mente em ebulição

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade