Sobre janelas de ônibus e cotidianos
Janelas de ônibus são uni-versos à olhos atentos, corações sensíveis e mentes férteis.
Ao longo do caminho, o olhar segue à procura de histórias.
A primeira surge como um afago ao peito.
Um casal de moças abraçadas. O sorriso bobo e os olhares apaixonados contagiam — apesar de olhares julgadores ao redor. Como devem ter se conhecido? Se casarão? O beijo foi como um sinal de final feliz dessa história.
Segue viagem.
Dessa vez, o olhar enxerga uma mulher. O choro tímido chamou a atenção. As lágrimas escorrem, sem nenhuma tentativa de escondê-las. Qual o motivo de tanta dor? Perda de alguém querido? Um amor que tomou rumos diferentes? Ou talvez a vida, com seus contratempos? Desejo que fique tudo bem.
Seguindo.
A mãe com o bebê no colo que ri deliberadamente a todos que passam, se destaca na multidão. Aqueles dentinhos e o olhar inocente, que transborda felicidade. Qual deve ser seu nome? E daquela mãe que apesar do olhar cansado, também sorri com seu bebê?
Mas sem sobreaviso, o ônibus segue viagem.
Mais à frente, o grupo de idosos joga dominó. Quantas histórias devem ter pra contar! Todos sorriem, alegres. Mas ainda concentrados. Olhos atentos no jogo, sempre.
A violência urbana. Os contrastes sociais. A corrida pra pegar o ônibus. A menina que brinca com a boneca.
Bate o vento nos rosto, e entre tantas idas e vindas na mesma rota, se enxergam todos: humanos. De carne, osso, dores e amores.
E com uma certeza: é necessário enxergar poesia no cotidiano!
