A Vila continua dando samba

Isabel, é claro


Pois é, saiu. Gonzaga Bastos, primeira quadra, casa de vila, pertinho da quadra da escola da Vila, na 28. Do outro lado é a Teodoro, a que desce de volta pro lado de cá da cidade. E tanto faz, podia ser na ponta de cima, que eu me mudava do mesmo jeito. ficar descendo é que eu não quero mesmo.

Lembra do Noel Rosa? do Martinho da Vila? e tantos outros que eu não vou nem listar que parente não se lista. Nasci ali. Mentira, nascer, nascer mesmo eu nasci na Gamboa, mas que diferença faz se meu pai nasceu em Realengo, minha mãe na Ordem Terceira, logo abaixo de onde me conceberam, na Usina, quase Floresta da Tijuca…

Cresci na Rua Thomas Coelho, entre a Pereira Nunes e a Gonzaga Bastos, em frente ao batalhão da PE. Sou da época da feira de bichos (ilegais inclusive) e da festa junina da praça Vanhargem, antes do Buxixo e do Shopping Tijuca.

Lá em casa cada conta vinha endereçada a um bairro, apesar de todas chegarem no mesmo endereço. É que estávamos no centro, na encruzilhada Andaraí-Vila Isabel-Maracanã-Tijuca-quase Grajaú, rota infalível do 422 que a minha mãe chamava de 4doidão, pra gente morrer de rir até hoje. Por pouco não era Engenho Novo.

Cresci e apareci, ou pelo menos quis aparecer, achei que precisava. Da Tijuca pro Flamengo, do Flamengo pra Finlândia, fui tão longe quanto dava e agora vou voltando, à Gema de onde veio a Clara.

Vai ser bom voltar. Vai ter lavanderia, quintal e horta, vai ter feijoada e pagode, batucada e cantoria. Gato beija flor periquito papagaio borboleta mariposa tapioca e girasol. máquina de lavar, máquina de costura, aspirador de pó, cuscuzeira, frigideira e furadeira. Exu na porta, Cristo na sala e Krishna no quarto. Piscina de bolas no aniversário e banho de mangueira no verão.

Vai ter namorado-namorido, apaixonado, embevecido, felicitado, todo metido. Vai ter pique-pega no quintal. Vai ter cama grande de casal. Vai ter roupa branca no varal.