De Malas Prontas

As roupas empilhadas na beirada da cama, máquina fotográfica e caderno separados. Estou fazendo minhas malas, mas o destino eu ainda não sei.

Quantas viagens já foram feitas, quanto arrumar e desarrumar de malas, passagens e cartões de embarque, planos e guias. Isso tudo, porém, não impede esse frio na barriga. O misto de ansiedade e temor do desconhecido tomam conta do meu peito.

Essa jornada não será como as outras tantas. Uma jornada na qual eu tenho que deixar tudo o que eu tinha levado na minha mala até então para trás, para ficar mais leve, para poder avançar.

Assim eu vou sem planejamentos, orçamentos ou rotas. Vou deixando os discursos tão bem ensaiados, os paradigmas tão bem fundamentados, as convicções matematicamente provadas e os rótulos que criei para mim. Todos bem longe de onde meus pés vão percorrer.

A segurança das certezas vai ficando para trás e no meio do processo consigo ver que elas nunca foram, de fato, certezas. A única certeza que permanece inabalável: é preciso caminhar.

Sou peregrina e quero minha mala sempre pronta ao meu lado, pronta para enfrentar o mundo, pronta para mais uma jornada, pronta para sair nem que seja apenas para comprar pão.

E nesse Caminho eu coloco minha mochila nas costas, na esperança de que o essencial está aqui dentro e me jogo sem olhar para trás.

Sua verdade, minha bússola. Sua vida, minha inspiração. Seu caminho, meu alvo.

Me lanço no vazio e nebuloso futuro sabendo que o que importa é com quem se caminha. Então, dou o primeiro passo. O Caminho e eu.