A sétima morte

Nós morremos muitas vezes

Antes da morte

Meus corpos vagam numa casa escura

Cercada de paredes escritas

Com coisas indecifráveis

Um dos cômodos está alagado

O outro pegando fogo

Acordo a noite sendo possuída por sombras

Em um baú deixei meus interesses

Em uma gaveta de meias se perderam minha ambições

Meus afetos descansam no sótão

Trancados

Depois que a gente sobrevive a morte

A gente perde alguma coisa

Depois que a gente sobrevive a morte uma segunda vez

A gente fica menos sólido

Eu morri uma Terceira vez

E fiquei presa na quina do quarto

Existindo em uma partícula de poeira

Deve existir um número que define onde paramos de morrer

Esse limite deve ser o 7

Não pelo oposto as vidas das gatos

Mas por uma simples simpatia pelo número

Ninguém sabe o que acontece depois da sétima morte

Eu penso em dizer algo que vá fazer você ficar

Nessa casa que nunca foi um lar

Depois me lembro

Que na verdade

Nunca estivemos aqui