Um amor… desamor… meu próprio amor.
Sempre fui uma menina que nunca teve medo das coisas, até mesmo de fantasmas, que sempre se esforçava ao máximo para agradar os pais e a família, porém, hoje essa coragem toda talvez não se encontre mais dentro de mim, pelo menos parte dela se encontra adormecida, acredito eu. Como se essa coragem fosse sonhos que temos sabe? E no outro dia não nos lembramos ou pelo menos tentamos não lembrar, evitando talvez trazer átona uma verdade profunda e dolorida.
Também acredito que como todo papel aceita qualquer descrição, por que tal papel não aceitaria as minhas verdades doloridas, profundas, meias, que seja, apenas minhas verdades. Em branco ou não o papel é a liberdade mais próxima que temos em vida. Ele nós aceita como somos, através de nossas palavras ele nos perpetua no tempo.
Desta forma insisto ….ao mesmo tempo que sonhei com o mundo, um mundo colorido ao Kremlin na Rússia ao Rio Nilo no Egito, me expressando não só pelo fato de estar lá vivendo uma experiência maravilhosa mas também através de fotos, por que sonho em ter como profissão a fotografia, digo isto por que acredito fielmente na teoria inventada por mim mesma de que o mundo é tão grande que tomei como partida o seguinte questionamento: — que graça teria viver nesse mundo e não poder conhecer um pouco que seja das pessoas que nele também vivem? Experimentar comidas diferentes, sentir o calor de alguém que nem imaginava te receber do outro lado do oceano, enfim, se precisasse dançaria nua em meio aos índios Tapajós na Amazônia, me atreveria a uns passos de tango na esquina Carlos Gardel na Argentina, afinal o que teria demais nisso?
Sinceramente, eu te respondo: — NADA, apenas vida.
Quando as coisas podem ser tão simples e calorosas, isso realmente me fascina e me frustra ao mesmo tempo por que mesmo a vida sento tão viva muitas pessoas que vieram compartilhar dessa beleza, alegria, amor e arte não poderão desfrutar se quer do jardim do vizinho, tendo que enfrentar o suor no rosto do trabalho ardo do dia a dia, da miséria e preconceito. Dessa forma, vejo que acreditar em possibilidades é algo tátil e que mesmo nem todo mundo tenha essa chance eu espero ter um dia. Não só para me deliciar de minhas memórias, mas também poder demonstrar tais experiências à essas pessoas que não conseguirão vivenciar o mesmo, mas que através de meus olhos elas conseguiram enxergar um pouco que seja.
Mas mudando um pouco o foco, queria dividir aqui querido papel o quanto sou tímida e reservada, mas que no fundo guardo segredos bizarros, e mais, confesso que tudo de mais exótico possível me atrai e vai da sua imaginação adivinhá-las por que segredos a gente não divide assim na primeira página, mas talvez no final, você descobrirá …
Tentei sempre manter o foco nos estudos mas sabe a gente cresce, os sonhos mudam e você não conhece apenas o mundo das viagens, mas sim dos bares em proza, dos amigos na roda, decifra os amigos da sua vida, amigos que serão sua segunda família como já dizia Shakespeare, e isso é verdade. O ditado de que se contar nos dedos tais amigos lhe faltaram por que além de sonhos a vida também se aprofunda em decepções, decisões, e por aí se vai.
Com as surpresas da vida posso dizer que comigo também não foi diferente e que em um belo dia de sol em minha adolescência, eis que venho a descobrir os fascínios do amor, sim, L´AMOUR, não só como no papel descrito em forma de poesia que faz seu coração bater, mas como tal sentimento é forte e transforma não só a pele em felicidade como libera as borboletas presas em seu estomago.
Seu nome era Rafael, dos cabelos negros, olhos esverdeados e sempre sorridente, mas não se engane, por que aparências enganam. E eu me enganei.
 Quebrei a cara acreditando em algo que jamais seria correspondido, mesmo através das cartas que trocávamos, dos e-mails guardados, na verdade nada passou de uma desilusão e o máximo que recebi depois de várias declarações apaixonadas foi um simples:
- ADEUS.
Mas sabe, eu estava ali para isso não conhecia nada sobre o amor ou da vida, como ainda não conheço, dessa forma como adivinharia as coisas que poderiam me acontecer sem ao menos ter passado por? Se entristecer e se questionar pelas coisas que nos acontecem é natural, tão natural que quando partimos de decepções ganhamos novas chaves da vida para abrirmos as portas que ainda estão ali para serem destrancadas a espera de um gesto simples nosso.
Depois que você supera você também se questiona se será possível amar outra vez e sabe isso é tão natural quanto. O tempo não só cura as magoas e seca as lagrimas mas como nos traz respostas sabias e amores maduros.
Meu romance com Rafael havia perdurado por uns 6 meses até que teve seu fim, claro na hora me vi sozinha, chorosa e perdida por pensamentos tortuosos de modo que resolvi caminhar um pouco e espairecer as ideias. Para isso, fui a um parque local da cidade bem frequentado por todos onde a natureza te acolhe com sua maior seriedade em volto de flores de cerejeira que se desabrochavam naquele mês de outono. Lá é um ótimo lugar para se estar mesmo sozinha, as pessoas frequentam muito para fazer piqueniques, passear com seus cachorros, ler um bom livro deitado na grama verde que brilha com o reflexo do sol, assim concluo que não poderia estar em melhor lugar para refletir ao lado não só da natureza mas também com pessoas de identidades diferentes, passados e futuros diferentes, mas com uma condição em comum com a minha: qual delas ali sentada, caminhando, lendo um livro nuca havia sofrido por amor? Distraída me peguei olhando para um rapaz que estava inquieto alimentando os patos que residem no lago do parque, seu rosto era bem expressivo e juro acho que nunca tinha me deparado com olhos tão azuis como os dele em toda a minha vida, ele devia ter quase uns dois metros de altura, vestia roupas pretas e nos pés um coturno legitimo Dr. Martens. Inesperadamente ele me soltou um largo sorriso onde imediatamente correspondi, estava triste, mas não a ponto de negar um sorriso a alguém. E não sei por que naquele dia resolvi quebrar todas as barreiras da minha timidez e me aproximei dele pedindo um pouco do pão que ele segurava nas mãos para ajudar a alimentar os patos. Muito gentil ele retribuiu a atenção a minha pessoa e me perguntou se eu sempre frequentava o parque, respondi que sim e ele da mesma forma me confirmou que também não estava em um de seus melhores dias e que quando isso acontecia ele também gostava de vir ao parque caminhar para espairecer as ideias. 
 Não estendemos muita a conversa pois o sol já estava se pondo e eu precisava voltar para casa e ao nos despedirmos ele me abraçou forte e me deu um beijo no rosto, confesso que fiquei um pouco assustada. Vai que era um maluco no parque. 
 E como assim eu estou criando intimidade com uma pessoa que eu mal sei o nome. Mas confesso que ao sentir seu abraço forte toda aquela tristeza que havia me invadido mais cedo com o termino do meu “romance” com Rafael parecia ter desaparecido.
 Meio bamba sai caminhando, prometi a mim mesma em pensamento que não olharia para traz mas mais uma vez me pego distraída e quando menos vejo estou eu olhando para ele de novo e ele para mim e em alto e bom som sua voz ecoou pelo parque: 
 
 — A propósito meu nome é Thomas e te espero amanhã às 16 horas aqui nesse mesmo lugar e não esqueça de trazer uma toalha xadrez porque vamos fazer um piquenique. Confirmei com a cabeça e segui meu caminho.
Ao chegar em casa não me permiti pensar muito em tudo que tinha acontecido naquele dia pois precisava olhar as faculdades para qual me inscreveria no ano seguinte já que os prazos estavam ficando apertados, tomei café, tomei banho, conversei um pouco com os meus pais na hora do jantar, escovei os dentes, coloquei minha camisola com estampa de gatinhos, deitei em minha cama e procurei na TV algo descente para assistir até que encontrei Amelie Poulain. Ah Amelie! Sempre com expectativas na vida. 
 
 E não demorou muito que me peguei pensando no rapaz dos olhos azuis na tarde no parque e me confirmei que não iria ao seu encontro, afinal não o conhecia, como iria saber se ele não me causaria um mal maior. O dia seguinte amanheceu com um céu de outono lindo, o sol brilhando sobre a brisa que batia na janela invadindo em seguida por um azul sem fim como os olhos dele, o rapaz do parque. As horas se passaram até que olhei para o relógio e eram exatamente 16 horas confusa e ao mesmo tempo eufórica me olhei no espelho e lembrei que havia concordado com ele que apareceria para o piquenique mesmo que tal confirmação tenha sido com um gesto da minha parte, eu havia assumido um compromisso e não poderia falhar , ele estava contando comigo.
 Fui correndo no armário da cozinha onde minha mãe guardava as toalhas e cesta para piquenique, peguei a primeira que vi e sai pela porta a fora . Sabia que atrasaria de qualquer forma já que da minha casa até o parque eu tinha que pegar um metrô. Enquanto o metrô não chegava fui a cafeteria da estação e comprei uns bolinhos e café para não chegar de mãos vazias e também os usaria como desculpa pelo atraso. Toalha em mãos, bolinhos como pedidos de desculpas agora só faltava chegar ao destino final, confesso que me mantinha insegura vai que ele não é o que eu estou esperando, e fala sério o que eu estou esperando dele? Sentada no banco do trem tentei ligar para uma amiga minha Ane avisando-a de onde eu estaria e que se eu não retornasse até de noite ela poderia ter certeza de que algo muito grave estaria acontecendo comigo.
Por sorte sempre pude confiar em Ane qualquer que fosse a hipótese, éramos amigas desde o jardim de infância como nossos pais. Porém ela sempre tomava mais cuidado ao tomar decisões, agia com cautela e eu não sempre fui assim sonhadora, impulsiva até demais às vezes, mas acho que a graça da nossa amizade é essa, a gente se completa.
O trem havia parado e lá estada eu na estação certa, mas ainda incerta de se desceria e encontraria com ele ou faria o caminho de volta, mas sabe não me contento em não saber o por que das coisas e eu não o conhecia direito não sabia quase nada precisava saber mesmo algo me dizendo:
- vá embora e finja que isto nunca aconteceu.
Mas eu não resisti, respirei em meus 20 segundos de coragem levantei do banco do trem e segui em frente. Detalhe estava malvestida o máximo que havia feito por mim na correria toda foi ter passado um gloss nos lábios. Atrasada uns 40 minutos no mínimo quando cheguei ao parque lá estava ele esperando por mim e para minha sorte o parque se encontrava movimentado naquela tarde e qualquer coisa que me acontecesse ainda tinha um resto de spray de pimenta na bolsa, mas apenas para emergência claro, afinal o que me faria acreditar que aquele rapaz simpático dos olhos mais lindos que eu havia visto poderia me causar.
Me aproximei dele meio sem jeito, mas quando ele me olhou surpreendido tinha certeza de que era ali que eu deveria estar, mesmo não o conhecendo ele me pertencia de alguma forma, aqueles olhos, não havíamos nos encontrado atoa. Ele logo aceitou os meus bolinhos como desculpas e começamos a conversar com eu não precisei me esforçar muito já que ele mesmo fez questão de se abrir comigo. Me contou que morava com a mãe em uma cidade vizinha à Nova York, mas que sempre vinha passar uns dias por aqui na casa do pai já que eles eram separados, mas que estava pensando em se mudar definitivamente e que até tinha como previsão um estágio no escritório de advocacia do pai, que por sinal era um dos maiores penalistas de Manhattan. Mas no fundo eu não pensava apenas em sua bagagem cheia de histórias que ainda me causavam curiosidade, mas não por que de eu ser sua confidente da noite para dia, isto é, faziam horas que tínhamos no conhecido. Será que ele se sentia tão só? Ou, era apenas à vontade de estar na presença de uma desconhecida.
 Parei de me questionar e passei a escutá-lo mais com atenção, apesar da minha confusão emocional, sou boa em ouvir as pessoas quando é preciso, e assim eu fiz, o escutei, não só com atenção, mas sim com o meu coração.
Nosso piquenique tinha sido um máximo nunca pensei que conhecer um estranho poderia ser tão divertido, proveitoso que seja, ele sabia manejar as palavras que saiam de sua boca e mesmo no silêncio de minhas risadas bobas ele conversava comigo com seus lindos olhos azuis. E depois de algumas horas de conversa e risadas bobas o sol já havia se posto, e de verdade eu não queria ir embora mesmo precisando porque já se encontrava na minha hora, não queria deixá-lo, não o rapaz estranho, mas agora sim considerado por mim Thomas. Nos despedimos, trocamos e-mails e telefone e cada um seguiu seu caminho na esperança de podermos ter mais uma tarde assim. Assim que cheguei em casa liguei para Ane claro, que já havia me deixado centenas de recados na minha caixa postal. Aliviada ela atendeu e a única coisa que consegui dizer a ela foi:
- Estou encantada, não sei como isso pode acontecer, mas nada do que eu estava passando faz sentido agora, aquela tristeza do termino com Rafael, a única coisa que eu quero saber é do Thomas. E ela me respondeu com toda seriedade do mundo: — Emily você está apaixonada.
Ao desligar o telefone vi em meu celular uma mensagem dele agradecendo pelo dia e que mal poderia esperar para me encontrar de novo, respondi tranquila que quando desse nós nos veríamos novamente, não queria demonstrar de imediato que tinha me apaixonado como Ane estava pensando e que no fundo eu acreditava que não estava, só tínhamos nos tornados amigos.
Passamos a nos ver de vez em quando já que ele andava ocupado com a mudança e o novo estágio, isto era quase nunca um mês ali ou outro. Não me preocupei muito porque andava atarefada com a escolha do curso que pretendia fazer.
O achava estranho às vezes, misterioso e isso me atraia muito nele e quando não nos víamos me pegava imaginando por onde ele andava. E como ele era bom para conversar que mesmo só nos falando por mensagem perdíamos a noção do tempo e varávamos às noites contando segredos um para o outro. Uns dias antes de nos encontrarmos ele havia mudado um pouco comigo, não mandava mensagens com tanta frequência na dúvida achei melhor evitar também, só o que eu realmente queria era ver ele e poder esclarecer tudo que poderia estar acontecendo ninguém muda assim de repente, então lhe mandei uma mensagem para confirmar o nosso encontro em uma lanchonete local perto da quinta avenida às 18 horas, já que tínhamos combinado. Cheguei um pouco adiantada já que a ansiedade era grande, tão perdida que me encontrava naquele momento, sozinha, pensei até que se ele não aparecesse …depois de uns 15 minutos ele chegou meio cabeça baixa, inquieto.
De repente, ele me olhou nos olhos, demonstrando raiva, inquietação também, mas no fundo uma paz como o mar, confesso que não sabia o que pensar, porque ele estaria reagindo assim comigo, que mal eu o fiz ou falei, a nossa amizade acabou perguntei inquieta a ele. Ele apenas respirou fundo e me disse olhando continuamente em meus olhos:
- Eu te amo, e não sei porque estou te dizendo isso, mas isso está me matando por dentro.
E quem mantinha um olhar de verdadeira confusão era eu que não sabia como reagir a tal declaração, por que por mais a gente estivesse interligados, eu havia me prometido que jamais diria eu te amo à alguém a não ser quando tivesse certeza absoluta daquele sentimento, eu o amava sim como amigo, as vezes como um amante, mas não tinha certeza se poderia responder com a mesma intensidade, causando um julgamento precipitado e que em um futuro próximo poderia nos comprometer.
 Porém não resisti e indaguei e o respondi:
- Também queria te dizer isso: Eu amo você.
Mas confesso que no fundo soou de verdade, com uma sinceridade que no momento eu não pude compreender, porém continuei não levando tão a sério e sim mais como um gesto de carinho e respeito pelo o que nós estávamos nos tornando.
Com um lindo sorriso ele segurou minhas mãos gentilmente e nada poderia fazer aquele tempo passar já que a emoção tomava conta não só de nós, mas do que poderia estar por vir.