A VIDA IMITA A ARTE, em cinco atos de Oscar Wilde — Ato I

“A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida”. Isto mesmo. E quem concorda comigo é o senhor Wilde, famoso dramaturgo, escritor e poeta irlandês. Vou explicar porque penso nisso: um DVD de filme — não vejo um exemplo melhor — há uma história, roteiro, um elenco, uma produção de pessoas que fazem com que o filme seja rodado e finalizado, e um cenário (lugar) num determinado tempo, certo? e quando assisto a alguns destes filmes, encontro em minhas vivências pontos que tenham a ver com MEUS filmes pessoais guardados na mente, a minha personal videolocadora, ou nos dias de hoje: meu MINDFLIX. Baseada nessa comparação com a arte, relaciono a vida à essa filosofia de que deveríamos começar a escolher melhor nossos papéis dentro dela, afinal todos temos vários. E é através desses papéis que nos mostramos às situações e vamos nos definindo cada vez mais em nossas posições, nosso firmamento. Assim como os grandes atores fazem suas escolhas de papéis, ah, e com certeza estes mesmos atores já sabem que um papel mal estudado, mal interpretado não é uma vitrine para carreira, mas serve para o processo de aprendizagem, comparação do crescimento, e assim, o aperfeiçoamento.

Então, aprendamos a conviver, aceitar nossas escolhas para que no futuro não façamos dos nossos filmes péssimas histórias, chatas e sem graça, que ninguém acha interessante e, ainda por cima, nos tomam como vilões — welcome to the real world.

E talvez, assim vivemos melhor e não apenas existimos. Eu falo isso com um tom não-pretensioso de sabedoria de vida e tal, longe disso, mas com um tom de reflexão sobre os momentos (se é que reflexão tem tom, pois se refletimos estamos simplesmente pensando, calados…) enfim, acabei fazendo um tom de reflexão irônica, hehehe.

Pensemos que a vida é um drama, um romance, filme policial, com crimes, mortes, mistérios (hoje em dia é o que mais está sendo produzido por aí) onde qualquer um pode ser o protagonista, só que na realidade o final não é solucionado pelo detetive, e o bandido fica com tudo, não é? Passou-me pela cabeça a cena sendo rodada: o bandido correndo com os pertences da vítima na mão, e a vítima já conformada com o roubo, abaixa a cabeça lamentando, quando toca ao fundo “The winner takes it aaaaall” do ABBA, haha. É, na verdade seria engraçado apenas se fosse num estúdio.

Na nossa realidade podemos ver ficção científica também (e porque não?!?), onde ocorre uma catástrofe ambiental e climática, uma crise de larga escala que força a humanidade a combater as consequências da natureza para sobreviver — hum, digamos que isso não está muito distante de nós, com o jeito que as coisas vão se encaminhando, não é ?!? O desastre de Mariana foi estrondoso, pela inconsequência do homem…

E ela pode principalmente ser uma comédia — este gênero pode juntar exatamente as mesmas cenas dos outros gêneros mencionados se as imaginarmos com uma visão cômica, uma ideia hilária — ressalto que a única cena da vida que não deixa a comédia entrar no contexto é a crueldade, não posso ter uma visão cômica disto.

O que quero dizer é que as coisas corriqueiras poderiam ser um pouco mais leves, mais bem encaradas, se não processássemos os fatos rápido demais na nossa personal videolocadora (clicando no forward dos pensamentos) e se não imprimíssemos as respostas instantaneamente, interpretando tudo errado. Aqui, Wilde estava certo novamente quando escreveu que a vida é muito importante para ser levada a sério e se um homem encara a vida de um ponto de vista artístico, seu cérebro passa a ser seu coração. Ponto para o Sr. Wilde!

Se pudéssemos acessar nossa MINDFLIX e rever uma cena da nossa vida como uma discussão qualquer, uma briga boba, a acharíamos ruim, horrível, não engraçada…agora, se imaginássemos a mesma cena em slow-motion (câmera lenta) e com a dublagem em voz grave e lenta (de robô, sabe?), além de ficar muito engraçada num vídeo, seria a melhor pedida se quiséssemos refletir sobre nossos momentos de estupidez de maneira mais humorada e não tão borbulhantes como na hora que aconteceu. Toda essa imaginação para evitar o:

E esta equação, até quem não sabe matemática a entende…


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