A VIDA IMITA A ARTE, em cinco atos de Oscar Wilde — Ato V

Temos o recurso mais poderoso, mas que não utilizamos: o cérebro. A ingratidão aparece quando você ganha um presente que precisa ter para viver e não o usa. Então sejamos gratos, usemos com todos os botões que esta máquina possui, não sendo opcional o descontrole mental na maioria das circunstâncias, caso contrário, ela perde engrenagens essenciais.

É aquela coisa: se escolhemos sentir raiva, são dois trabalhos: sentirmos raiva e depois nos acalmarmos. Já com sentimentos e a comunicação apropriados, não teremos este problema, pois creio que ninguém ama e depois desama (apesar de existir o verbo), pode desagradar-se em alguns momentos, mas se o ódio ou a raiva persistir por alguém, é porque não sentia exatamente amor, e sim, gostava profundamente, intensamente, era apaixonado(a). Por isto, nos confundimos bastante no que sentimos, não sabemos definir, pois não nos conhecemos direito, muito menos nossas capacidades do gostar e amar, mas já conhecemos muito bem capacidades do apaixonar-se, do odiar e do não gostar.

E até um simples “obrigado”, “desculpa”, ou “bom dia”, já é ter um bom presente para passar adiante, desde que seja com a real intenção de agradecer, se desculpar ou de simplesmente desejar que o outro não tenha um dia ruim. Afinal, se ainda não conseguimos amar ou gostar do próximo, pelo menos, não precisamos fazer distinção com quem estamos interagindo, pois, com isso vem a prepotência, a falsa grandeza, e se vai a simplicidade, a igualdade e o respeito, os quais são o princípio, a fagulha do amor — que de extraordinário pode passar a ser ordinário, se posto em prática tão logo no cotidiano.

Keanu Reeves cedendo seu lugar a uma mulher no trem

Todavia, nos filmes das nossas vidas há os papéis de amor em que atuamos, sejam eles de amor aos filhos, aos irmãos, amigos, ao(a) namorado(a)…e este sentir amor pleno não tem o botão off, uma vez ligado, é só transmiti-lo. O difícil é ligar este “botãozinho” para amarmos quem não nos é conhecido ou nos é diferente, então o melhor a se fazer é deixar o respeito em stand by (sempre ligado) para se transmitir sentimentos e intenções válidos, porque é isso que se quer receber também.

Por fim, a vida imita a arte porque escolher os melhores papéis e escrever os melhores roteiros, ou seja, escrever nossa história e dirigir a vida da melhor maneira é conhecer a nós mesmos e saber exatamente o que se tem para oferecer e como oferecer em cada momento, para que então o filme seja uma obra-prima que nos arranque risos ou lágrimas de emoção. E quando quisermos revê-lo, podemos apertar play em nosso DVD, que é único e vitalício.

— Viva o hoje — Aprenda com o ontem — Olhe para o amanhã

Se ainda não sabemos como interpretar bem cada momento e ainda não conhecemos a maneira de fazer isto, então comecemos nos observando, vigiando nossas ações e pensamentos. Assim como no provérbio de rei Salomão: “Purifique a prata e o artista poderá fazer uma obra de arte”, então aprimoremos a matéria-prima — nós mesmos — e faremos coisas geniais de nossas vidas. Enquanto isso, não aceite um determinado papel por impulso, só porque acha que vai se sentir bem ou porque quer arrancar aplausos, assim o filme da vida pode se tornar um verdadeiro fracasso de bilheteria.


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