13 Perguntas Para Projetar um Empreendimento Baseado em Propósito: Criando “Negócios Para O Bem”

Claudio Dipolitto
Aug 16, 2017 · 9 min read

Mindful♥Business: Como harmonizar as visões holística e de negócio?

“Um mestre na arte de viver não faz distinção entre seu trabalho e sua brincadeira, sua profissão e seu lazer, sua mente e seu corpo, sua educação e sua recreação. Ele dificilmente sabe qual é qual. Ele simplesmente persegue sua visão de excelência em tudo o que faz, deixando os outros decidirem se ele está trabalhando ou brincando. Para ele, ele sempre está fazendo as duas coisas e é suficiente que as faça bem.”
Lawrence P. Jacks

O Projeto de Negócio Baseado em Propósito

myMindfulBusiness ou “projeto de negócio baseado em propósito” nos ajuda a partir de uma visão holística e plural da vida e do mundo para criar um “negócio para o bem”.

A metodologia enfrenta as principais dificuldades encontradas ao integrar o “propósito de vida” com o “propósito do negócio”, por exemplo:

  • Harmonizar minha visão holística com meu lado empreendedor
  • Contribuir para um mundo melhor
  • Preferir cooperar do que competir
  • Gerar um valor diferenciado em relação ao que já existe
  • Conciliar sustentabilidade econômica e ambiental
  • Compartilhar conhecimento ao divulgar meus serviços/produtos
  • Descobrir e encantar novos clientes
  • Comunicar melhor o “valor que entrego ao mundo”
  • Separar as finanças pessoais e as do negócio
  • Fazer o plano estratégico e o operacional
  • Vencer preconceitos ou inseguranças em relação ao mundo dos negócios
  • Em suma, harmonizar o que AMO e SEI FAZER, com o que o MUNDO PRECISA e que pode me SUSTENTAR.

Duas ferramentas complementares

Das várias ferramentas úteis para responder as questões acima, combinamos neste artigo duas para ajudá-lo a: (1) reavivar ou reinventar seu propósito e (2) criar ou repensar um negócio que o mundo precisa.
São o Ikigai e o Business Model Canvas.

“Don’t Write a Mission Statement, Write a Mantra.”
Guy Kawasaki

Seu Ikigai

A palavra japonesa Ikigai não tem uma tradução direta em Português, mas incorpora a ideia de realização na vida, sendo composta dos termos iki, que significa vida e gai, que significa valor e merecimento (Mathews 2010). Essencialmente, ikigai significa “razão de ser” e é descrita, pelos habitantes da cidade de Okinawa, como “a razão pela qual você se levanta pela manhã”. Ikigai envolve, tanto sentir-se realizado, quanto realizar um trabalho que gere bem-estar para os outros, além de poder ver ou conhecer as pessoas beneficiadas pelo seu trabalho. Toda pessoa tem seu ikigai, ainda que não tenha consciência disso. A negação do ikigai, em razão de uma força externa ou de bloqueios ou autossabotagem pode gerar uma sensação de vazio ou de falta de sentido na vida. A “razão de ser” é a fonte de energia e determinação, que leva algumas pessoas a enfrentarem privações e assumirem riscos ao explorar os caminhos em direção a sua missão pessoal. É esse tipo de força motriz que move a atleta olímpica, o artista inovador, a empreendedora social ou disruptiva e o animador cultural, em sua saga de fazer o impensável, contra todas as possibilidades e independente das opiniões contrárias e da falta de recursos. Para algumas pessoas, o ikigai pode se manifestar e torná-las realizadas em atividades de diferentes graus de complexidade, como cuidar do jardim, adotar um animal abandonado, ajudar a uma pessoa necessitada, publicar um blog de utilidade pública, encontrar sua tribo, aprender a tocar um instrumento ou criar um projeto para “mudar o mundo”.

Ikigai é representado pela mandala abaixo que relaciona: aquilo que AMAMOS, o que FAZEMOS BEM, o que o MUNDO PRECISA e o que SOMOS PAGOS para fazer (Figura 1).

Figura 1. Modelo do Ikigai

Portanto, ikigai combina a dimensão individual, daquilo que “faz minha vida valer a pena”, com a dimensão social, daquilo com que “contribuo para o mundo e a comunidade”. Meu ikigai pode estar voltado a um ou mais focos, materiais ou existenciais: família, trabalho, religião, política, projetos sociais, negócios, arte, esporte, diversão, prazer e sonhos, em geral. Ikigai ajuda a entender porque muita gente que tem saúde, beleza, um bom trabalho, dinheiro e “uma vida boa”, sofre da sensação de que “falta alguma coisa”.

O modelo do Ikigai ajuda a descobrir seu Propósito na Vida ou a criar um Novo Propósito que reflita seu momento atual ou seu desejo de mudança.

Business Model Canvas

A segunda ferramenta, que combinamos com o Ikigai, é o Canvas do Modelo de Negócio ou business model canvas (Osterwalder, Pigneur 2017). O Business Canvas é um modelo visual que nos ajuda a enxergar como as várias partes do negócio contribuem na geração de valor para os clientes e para o mundo (Figura 2).

Figura 2. O Business Model Canvas (Osterwalder, Pigneur 2017)

Canvas em inglês significa a tela na qual o pintor cria seu quadro e é uma metafora para “você desenhar seu negócio criativamente”. É formado por 9 blocos. Os blocos da direita vão representar como necessidades, desejos e oportunidades de um determinado segmento de clientes serão atendidos por sua proposta de valor, através de um produto ou serviço. Mostra ainda, de que forma você pretende cultivar o relacionamento com os potenciais clientes e através de que canais entregará o valor a eles. O lado esquerdo mostra como o valor será construído: quais atividades serão executadas, com quais recursos e contando com que parceiros. A parte inferior mostra que tipos de receita serão geradas no atendimento aos clientes e quais os custos envolvidos na produção e entrega dos produtos e serviços.

Cada canvas é uma “fotografia de um potencial modelo de negócio”, ou seja, o design de uma determinada forma de entregar valor a um conjunto de clientes e em contrapartida, obter seu sustento. Cada canvas envolve uma hipótese de um modelo de negócio, que pode ou não funcionar na prática. Por esta razão, você deve:

  • (1) testar as premissas representadas no canvas junto aos potenciais públicos que pretende atender ou beneficiar,
  • (2) escutar, observar e aprender com as opiniões e reações das pessoas,
  • (3) gerar um novo canvas com as alterações que pareçam adequadas e
  • (4) voltar ao item 1, quantas vezes for necessário.

A razão desta “abordagem experimental” é que é mais barato e mais rápido errar no papel ou com protótipos, antes de investir muitos recursos na implementação de uma versão final, que não é o que cliente deseja ou precisa.

Do Ikigai ao Modelo de Negócio

Se o ikigai tem relação com seu propósito na vida, o modelo de negócio tem relação com o propósito do negócio. Ambos tratam da razão de ser do empreendedor como indivíduo agindo no mundo e do negócio como organização gerando valor.

Respeitadas suas diferentes filosofias e origens culturais, ambos os modelos nos levam a questionar a “razão de ser” daquilo que fazemos.

Seja a mudança que você quer ver no mundo.” Mahatma Gandhi

Pesquisas indicam que “pessoas com maior senso de propósito vivem mais, dormem melhor e têm melhor vida sexual. Apontam que o “propósito” reduz o risco de acidente vascular cerebral e depressão … ele ajuda as pessoas a se recuperarem do vício e diabéticos a gerenciar seus níveis de glicose.” (Schippers 2017).

Por outro lado, ao elaborar a declaração de propósito de um empreendimento, recomenda-se encontrar “uma maneira de expressar o impacto da organização sobre a vida de clientes, estudantes, pacientes — quem quer que você esteja tentando servir” (Kenny 2014).

O propósito se relaciona ao porquê você quer criar um negócio, à razão de ser e à essência do negócio. Este porquê então determina as decisões do o quê fazer e do como colocar em prática.

Por isso, associar o Ikigai ao Business Model Canvas ajuda a alinhar o “propósito de vida” e o “propósito do negócio” (Figura 3).

Figura 3. O propósito de vida orientando o propósito do negócio

myMindful♥Business: Negócio Baseado na Plena Consciência

Hoje em dia, muitas pessoas já conhecem conceitos e técnicas relacionadas a Mindfulness ou Plena Consciência. Contudo, nem sempre é simples conciliar o que fazemos para buscar equilíbrio e paz de espírito, com o que fazemos para nos sustentar através de nosso trabalho ou negócio.

Muitos de nós não tivemos em nossa formação o acesso a ferramentas que nos ajudem a pensar naquilo que sabemos ou gostamos de fazer como uma atividade que nos sustente, no curto e longo prazo, o que no empreendedorismo, equivale a pensar no lado negócio desta nossa atividade ou talento.

Além do Ikigai e do Canvas do Modelo de Negócio, vistos acima, a jornada myMindful♥Business emprega outras ferramentas que ajudam cada indivíduo ou organização a entender: quem é seu potencial cliente, quais suas necessidades, desejos e potencialidades, como configurar um serviço ou produto que combine utilidade, qualidade e conveniência, como diferenciar sua proposta de valor das demais ofertas existentes, como pensar seu negócio sob o impacto das novas tecnologias e da sociedade em rede e como planejar a evolução de seu empreendimento.

Ao combinar e integrar mentoria, coaching e consultoria, a jornada myMindful♥Business apoia cada pessoa ou organização a integrar o cidadão consciente com o empreendedor, uma vez que cada cliente é também um cidadão em busca de uma proposta de valor, que torne sua vida ou seu mundo melhor.

13 Perguntas e um Processo

As 13 perguntas abaixo, resumem os questionamentos com que instigamos cada empreendedor a responder durante nossa jornada de cocriação de um negócio baseado em propósito:

  1. O que você ama (ser, tornar-se, fazer, sonhar …)?
  2. O que o mundo ou sua comunidade precisa?
  3. Em que você é bom ou o que pode aprender?
  4. O que te sustenta ou pode te sustentar?
  5. Quais são seus potenciais clientes e que desejos, necessidades, problemas ou oportunidades eles têm?
  6. Que valor você pode gerar para atender aos anseios de seus potenciais clientes, na forma de produtos, serviços, experiências, processos ou ambiências?
  7. Como você se relaciona com os clientes atuais e potenciais?
  8. De que forma e por quais canais você pode entregar esse valor?
  9. Que receitas seus serviços e produtos geram? Como e quando você as recebe?
  10. Que atividades você realiza para gerar e entregar o valor aos clientes?
  11. Que recursos (insumos, conhecimento, pessoal, esforço) você emprega nestas atividades?
  12. Quanto custam tais atividades e recursos?
  13. Que parceiros podem agregar recursos ou atividades, reduzindo custos e complexidade e agregando valor e agilidade?

Na verdade, essas 13 perguntas são um subconjunto das muitas envolvidas na criação ou reinvenção de um empreendimento.

Conclusão

Ao iniciamos nosso design estratégico a partir do Ikigai, colocamos o propósito como eixo central de nossa jornada empreendedora holística.

Ao associar “o que amamos” com “o que o mundo precisa” e com “o que sabemos fazer”, descobrimos ou inventamos nossa missão e a alimentamos com nossa paixão.

Ao “buscarmos nosso sustento”, aplicando “o que sabemos fazer” “àquilo que o mundo precisa“, alinhamos nossa profissão com nossa vocação.

Assim com o Ikigai definimos nosso propósito. A partir dele, podemos usar o Canvas para definir nosso projeto e detalhar como podemos gerar esse valor que o mundo tanto precisa.

Nossa filosofia pode ser resumida pelo pensamento abaixo

Só porque a vida é, em última análise, sem sentido, isso não nos impede de procurar significado enquanto vivemos. Alguns procuram isso na religião, outros em uma carreira, dinheiro, família ou puro escapismo. Mas todos os que encontram significadoparecem tropeçar com a mesma coisa — algo que os psicólogos chamam de propósito“. (Burrell, 2017).

Saiba mais sobre a Jornada Online Vivendo de Propósito

https://www.co-inspira.com/mymindful-business

Gratidão.

Namaste

Referências

Burrell, Teal. A meaning to life: How a sense of purpose can keep you healthy. New Scientist, Jan 25, 2017

Jacks, Lawrence P. Education Through Recreation. New York (NY): Harper and Brothers; 1932.

Kenny, Graham. Your Company’s Purpose Is Not Its Vision, Mission, or Values. Harvard Business Review, Sep 03, 2014.

Kawasaki, Guy. Don’t Write a Mission Statement, Write a Mantra. http://ecorner.stanford.edu/videos/1172/Dont-Write-a-Mission-Statement-Write-a-Mantra

Kawasaki, Guy. Make a Mantra. Guy Kawasaki’s 60 Second StartUp Series

Osterwalder, Alexander; Pigneur, Yves. Business Model Generation: Inovação em Modelos de Negócios, Alta Books, 2011.

Schippers, Michaéla. IKIGAI — Reflection on life goals optimizes performance and happiness, ERIM Inaugural Address Series Research in Management, Erasmus Research Institute of Management (ERIM), 2017.


Originally published at inovelab.net on August 16, 2017.

Claudio Dipolitto

Written by

As a purpose-driven mentor I mix mindfulness and startup methods to help people create their purpose-based projects or creative journeys. #myMindfulBusiness

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