Alérgico a chocolate.

Maldita seja aquela que consome e destrói o pensar de sua própria cria

Cala, bate, reprime, exclue, cospe,

Pede silêncio.

Não entende, nem compreende, apenas fez seu papel natural de criar a vida

Fez-se árvore, construiu casa, impenetrável.

Permitiu-se então experimentar a oportunidade da criação e deu fruto.

Fruto este que floreceu, cresceu, se desenvolveu.

Foi forte.

Calado, apanhado, reprimido, excluido e cuspido.

Silenciado.

Atraiu encantadores passarinhos que o deflorassem, na tentativa de separar-se do laço e também se tornar árvore.

Quando na verdade, queria mesmo era mutilar-se, por fora e por dentro.

Mas Gaia o guardava outro futuro.

Teu destino era ser colhido, cuidado, regado, utilizado da melhor forma.

Se aventurou no mundo e se consumou no mais refinado doce humano.

Adorado, amado e aclamado.

O que Gaia não previu, é que separa-se cria de criadora, mas as cicatrizes tóxicas do seu passado o seguem para sempre.

Neste caso, tão horrendas que apodreceram toda a sua existência, Mesmo tornando-se o mais fino dos chocolates amargos.

Por dentro, se lia em caixa de pandora, e interiorizava todos os medos humanos.

Nocívo a tal ponto,

Que ao se consumar na vida de outrem.

Trouxe consigo todo o amargor contido em seu ser.

Fatídico caso de um enfermo sozinho e abandonado

Só esperava se deliciar em doces,

Quando sabia muito bem que apenas se enganava,

Conhecia sua patologia e mais ainda,

Onde estava a por seus lábios.

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