Ensine seus pequenos a rezar

Meu pai era um sujeito sério. Seríssimo. Quando soltava uma piada, desacompanhada de qualquer esboço de sorriso, as pessoas se entreolhavam procurando um indício de que aquilo era realmente uma piada, vinda de um senhor tão ranzinza.

É provável que este tipo de humor estivesse em falta lá no céu. Aí meu pai partiu. E quando fui rezar, surgiu uma questão. Eu trazia da infância o hábito de começar com “bom dia, Pai do céu” ou “boa noite, Pai do céu”. Mas agora meu pai também está no céu. Pensei em tratar por Senhor, e em seguida lembrei que senhor também era meu pai (o senhor quer café, pai?). Não podia coincidir para não haver a dúvida “agora ela está falando com quem?”. Desde então, nas minhas orações, o Pai do céu foi promovido a querido Deus.

Eu continuo agradecendo pela saúde e pelas coisas boas antes de fazer qualquer pedido novo. E também sei que nada cai do céu; são os meus esforços que trarão mais coisas boas para a minha vida, como meu pai sempre mostrou, e minha mãe carinhosamente mostra até hoje.

Dentro das coisas em que acredito, é o meu pai quem vai me ensinar as coisas importantes da fase seguinte também. Mas até lá eu tenho que amar, educar e manter na linha meus filhos, afilhados e sobrinhos, para que se tornem homens e mulheres de bem.

É através do exemplo que nossos pequenos aprendem. A criança da casa vai ter curiosidade de provar quiabo quando vir você comendo quiabo. E ela vai se imaginar uma grande advogada ou uma bondosa veterinária apenas quando vir você feliz indo trabalhar, qualquer que seja o seu trabalho.

Quanto ao diálogo com os mais crescidos, precisamos deixar claro que um cotovelo ralado é um ferimento aceitável. Muitas brincadeiras valem a pena quando o risco é somente esse. Sequela por não oxigenar o cérebro não é aceitável. Qualquer brincadeira que arrisque alguém com esta gravidade não deve ser feita, por mais que pareçam corajosos seus participantes. Eles não são corajosos, são inconsequentes.

Ao mesmo tempo, nossos jovens precisam sentir que têm nossa confiança para fazer suas próprias escolhas. Com relação à religião por exemplo. O jovem pode inclusive dizer que não tem nenhuma, mas ele deve saber agradecer sempre que se sentir ajudado. Pelos pais, por professores, por amigos, por Youtubers, por Pokémons, ou por qualquer força sobrenatural. Agradeça. Este é o sentido da oração. Para o filho crescido pode ser útil esse argumento. Na frente do pequeno, apenas não deixe de rezar.

Cláudia Fukumoto Uehara (tia, madrinha e mãe)

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