House of Cards e Genival Lacerda

A difícil tarefa da apuração na era digital

Um dos problemas mais comuns do colunismo brasileiro é quando ele se inspira no Ibrahim Sued e acerta no Febeapá do Stanislaw Ponte Preta. Um dos exemplos recentes mais explícitos desta prática aconteceu hoje na coluna do Ancelmo Gois, no jornal O Globo.

A foto acima, reproduzida do perfil no Twitter da jornalista @AndreiaSadi, da GloboNews, mostra que a primeira nota da coluna impressa de Ancelmo hoje foi sobre um quiz publicado no site da revista norte-americana Americas Quartely que colocava os conhecimentos do leitor sobre House of Cards e política brasileira à prova ao perguntar: Did It Happen in Brazil or “House of Cards?”

O problema da nota é que, além do quiz falar de muitos outros nomes da política brasileira além de Eduardo Cunha, a Americas Quartely jamais fez um quiz comparando Brasil ao seriado da Netflix. Se Ancelmo e sua equipe tivesse ao mínimo lido o primeiro parágrafo do texto que antecede o quiz saberiam que ele é só uma reprodução.

Para quem ainda possui qualquer dúvida, a data de publicação não mente. O quiz no site da Americas Quartely é de 04 de março e o original, do Nexo, de 01º de março.

Buscando uma justificativa para tamanho erro, achei só como desculpa o Twitter: o link do post Americas Quartely é MUITO mais popular do que o do post do Nexo, mesmo que grande parte dos perfis que compartilharam o link do Americas Quartely é de brasileiros. Sorry, periferia.

Outro deslize desnecessário foi a nota publicada ontem sobre uma música nova de Genival Lacerda:

A música é mesmo poesia pura, mas isso não quer dizer que ela é tão nova a ponto de ser pauta na coluna. Ela já está na internet pelo menos desde abril do ano passado, e Genival já apresentou-a no Programa Raul Gil e na Rede TV em setembro do mesmo ano. O disco em que a música saiu está disponível na internet desde outubro. A única novidade é o clipe oficial da música, que foi lançado no último dia 02 de março. Era disso que Ancelmo queria falar?

Não vou ficar aqui apontando outros erros aqui, mas dá pra achar outros tantos prestando o mínimo de atenção. Parafraseando o mesmo Ibrahim Sued que Ancelmo se ~inspirou:

Nenhum termo me parece mais certo para definir um bom jornalista do que este: o bom jornalista será sempre um bom repórter.