MENINO SONHADOR

Sim, acordado e com os olhos bem arregalados, apesar de o dia já ter começado, e o café posto sobre a mesa, onde se reúne a familia, não apenas a comer, mas a celebrar a manhã, presente divino que se recebe, como quem a ele deve organizar e frutificar. Foi assim em um destes dias que se observou, que mesmo estando ali, ele parecia ser mais feliz do que os que estavam ao seu redor, não que os demais sejam figuras tristes ou medonhas, o brilho nos olhos do garoto é que representava algo diferente dos demais.

Este fato despertou o olhar mais demorado do pai, que se ineressou não apenas pelo filho, mas por aquilo que fazia com que seus olhos, como chamas iluminasse, de apenas mais um, ele passou a ser farol, o menino, não o pai. Algo havia que por ele pudesse ser ensinado, não uma lição de escola, mas da vida, mesmo em meio a todo aperto que se enfrentava. O tempo era tal como o que hoje experimentamos, e ainda assim, nada tirava dos olhos do garoto tal fumegar, e esta foi a imagem que seguiu o pai durante todo aquele dia.

Ao chegar o entardecer, quando todos voltam para a casa, cansados sim da luta travada, porém gratos, já que nem todos tiveram o mesmo privilégio, o reencontro, apesar de anseado por todos, era surpreendentemente mais aguardado por aquele que o brilho dos olhos de um garoto, o fizera superar as intempéries do trabalho e encontrar soluções para os problemas que se apontava.

De onde viera tal brilho? O que significava? Por quê acompanhara o homem, pai de família? Parecia mesmo que nada mais importava. No mesmo local, onde a família se fortalece diariamente, a mesa do café, agora do jantar, onde juntos compartilhamos tristezas, porém muito mais alegrias, já que temos alguém com quem dividir nossas vidas, a inquietude do pai encontrou a resposta.

Joãozinho, que poderia ser outro garoto qualquer, na família de qualquer Zé da Silva, não se importava com as afrontas dos irmãos, muito menos da vida, pois se alimentava de sonhos, que faziam com que o brilho de seus olhos não se apagassem diante das trevas que pairavam sobre um dia mal. Mesmo diante de tempestades, ele era o MENINO SONHADOR.