Out of our minds

Estou vivendo numa cidade da Noruega que tem aproximadamente 15 000 habitantes. Fica no extremo sul e no litoral. Olhem a foto:

Mandal/Noruega

É uma cidade calma e silenciosa comparada com Poços de Caldas. Uma das coisas que mais me estressavam aí era os barulhos de trânsito. Então esse silêncio me deixa bastante feliz.

Estou tendo bastante tempo livre e estou quase curada. O problema e que não estou acostumada a ter tanto tempo livre e estou indo bastante à biblioteca municipal. Já fiz até o cartão e peguei livros.

Por estar lendo bastante, quero compartilhar trechos de um livro que chama Out of Our Minds: Learning to be Creative. O autor, Ken Robinson, critica bastante o nosso sistema escolástico. Ele diz em seu livro The Element: How Finding Your Passion Changes Everything:

O fato é que dado os desafios que enfrentamos, a educação não precisa de uma reforma — ela precisa ser transformada. A chave para a transformação não é padronizar a educação, mas sim personalizá-la. Com o objetivo de obter sucesso na descoberta dos talentos de cada criança, possibilitar aos estudantes um ambiente onde eles possam aprender e onde eles possam descobrir naturalmente suas verdadeiras paixões. — Ken Robinson

Leandro Karnal em sua aula pública(clique aqui) disse:

A sala de aula é provavelmente uma das coisas mais arcaicas que temos na sociedade atual. Se um homem desaparecesse em 1100 e encontrasse uma missa em 2016, ele veria que a língua mudou, mas a liturgia ainda é a mesma. A consagração, a hóstia... A escola mudou menos que a missa! Se um homem desaparecesse em 1500 na Universidade de Paris e ressuscitasse numa aula clássica com giz, ele se sentiria em casa: alunos escutando e o Magister dixit (o professor falando).

Para quem se interessou pelo assunto, vou traduzir alguns trechos do livro que achei interessante e deixarei no final deste texto. Antes, quero convidar a todos a fazer uma reflexão, sempre que possível, sobre o nosso sistema educacional. Paulo Freire propôs várias melhorias, mas também alertou que a maior resistência na transformação da educação viria de nós mesmo e dos alunos. Estamos acostumados com isso que esta sendo feito. Acomodados! E isso me incomoda.

Trechos do livro Out of Our Minds que achei interessante, traduzidos para vocês. :D

Trecho sobre o desemprego:

As indústrias enfatizam linearidade, conformidade e normalização. Uma das razões pelas quais as pessoas não estão trabalhando agora é que a vida real é orgânica, adaptável e diversificada.
[ …]
A vida não é linear. Quando você seguir a sua própria vontade irá criar novas oportunidades, conhecer pessoas diferentes, ter diferentes experiências e criar uma vida diferente.
[ …]
Todas as organizações são orgânicas e perecíveis. Elas são criadas por pessoas e elas precisam ser constantemente recriadas se quiserem sobreviver.
[ …]
Podemos não ser capazes de prever o futuro, mas podemos ajudar a moldá-lo.
[ …]
Os sistemas atuais de educação não são projetados para atender aos desafios que enfrentamos hoje. Eles foram desenvolvidos para atender as necessidades de uma era passada. Reforma não é suficiente: eles precisam ser transformados.

Sobre tecnologia:

O impossível ontem é rotina hoje. Espere pelo amanhã.

Sobre a necessidade de se ter infância:

Em alguns centros urbanos, existe competição para colocar crianças na “pre-escola” correta. A competição é tão intensa que as crianças estão sendo entrevistadas para entrarem nas pré-escolas. O que os entrevistadores estão procurando? Evidências de infância?

Sobre a importância de todas as disciplinas:

O currículo da maioria dos sistemas escolares parecem dividir-se em dois grandes grupos: as disciplinas úteis e os inúteis. Línguas, matemática, ciência e tecnologia são úteis; história, geografia, arte, música e drama não são. Quando o financiamento é apertado, programas de artes geralmente são cortados.

Sobre a supervalorização do status professor de universidade:

Eu costumava ser um professor universitário e tenho enorme respeito por acadêmicos e para a vida acadêmica. Entretanto, é apenas uma outra forma de vida. Essa profissão não deve ser tida como o padrão para outras formas de realização humana. Eu conheço artistas, líderes empresariais, dançarinos, atletas, e muitos outros, cujas realizações, inteligência e humanidade são tão grandes quanto qualquer um com pós-doutorado que eu já conheci.