Quando a inspiração vira experiência

Clícia Weyne
Jul 23, 2017 · 4 min read
Foto: Divulgação TEDx Fortaleza

Quando você tem um sonho…Minha vida estava toda errada…Não sei quantas vezes me frustrei…Mas, eu não desisto…Mas, eu acredito…Mas, eu luto…Mas, eu dou o meu melhor…E eu faço acontecer…Talvez não do jeito que imaginava, mas da melhor maneira possível. Não foram frases ipsis litteris ouvidas no TEDx Fortaleza hoje, mas resumem o espírito da coisa. Esse é um dos “Momentos que não Cabem num Clique”. Por isso, não há fotos minhas aqui (até registrei alguns momentos, como o encontro com Geraldo Rufino, no intervalo, um cara que nem conhecia, mas cuja fala amei porque lembrou demais as lições que meu avô postiço me deu e me dá, de vida e de empreendedorismo): não queria me desconcentrar e meu celular não estava bom para fotos à distância. E eu queria não perder nada, para investir no que faço de melhor: a narrativa.

Cheguei cedo, mas não tanto. Rápido, o Cláudio me deixou no E1 e se foi. Fiquei andando, meio perdida, como sempre ocorre nesse shopping, grande e no qual não tenho o costume de ir. Uma mulher magra, um pouco mais alta que eu e de cabelo comprido e liso, com a camisa preta do evento, estava de costas ao pé de uma das entradas de acesso. Eu passei, mas ela me chamou: “Você vai para o evento?”. Eu respondi: “Sim”. Ela me disse que estava com a mesma dúvida que eu: será que o acesso se daria apenas pelo sétimo piso do estacionamento? Começamos a subir as rampas a pé. Seriam mais cinco, imaginávamos, com nossos saltos começando a apertar. Ela me disse que se chamava Lícia e fazia Pós em análise de dados, Big Data e Inteligência de Mercado. Adorei essa menina, pensei.

Bem ao estilo TEDx, um rapaz, Guido, nos ofereceu carona no E2. Fomos. Agradecemos. Descemos. Entramos em busca de algo para comer. Era a primeira vez dela e a minha e estávamos sozinhas. Nos unimos. Acabamos conhecendo bem uma à outra. Ficamos amigas, trocamos projetos, mas…bem ao meu estilo, não sei o sobrenome dela…Só que é uma pessoa incrivelmente atenciosa, empática e que ela tem o desejo de colocar conhecimentos, dons e talentos a serviço de causas sociais!!! Onde mais eu poderia encontrar alguém assim? Bom, na verdade, eu encontro pessoas assim todos os dias, no meu dia a dia.

Encontrei ainda um amigo da Igreja, pessoa muito querida, um dos primeiros a me estender a mão no início do ano, alguns colegas do MBA…Lícia foi minha companhia por quase todo o encontro. Saímos com a certeza de que, no ano que vem, queremos mais…

Eu já tinha vontade de, loucamente, organizar um TEDx — voltado para educação ou ressocialização de pessoas em conflito com a lei, temas que me apaixonam -, mas, após presenciar toda a energia e motivação que o evento proporciona a pessoas comuns como eu, todo o incentivo a fazer a diferença e acreditar nos seus sonhos…Eu quero poder replicar essa experiência, eu quero ajudar pessoas a acreditar em si mesmas, eu quero ajudar a (re)construir vidas a partir das narrativas alheias…Como ffizeeram tantas vezes comigo…A partir daí, outro tema que surgiu ao longo do dia pra mim foi a gratidão.

Eu não sei se já atingi o fundo do poço da Síndrome de Estocolmo que tem me acometido desde janeiro. Essa semana eu me peguei chorando de saudades de uma situação na qual me senti alvejada e percebi o quanto eu estava fazendo mal a mim mesma. Decidi parar.

Decidi ainda topar o desafio que um amigo — outro, que também me ofereceu trabalho em parceria — lançou: estar by myself, ser dona do meu tempo, das minhas escolhas, de como gasto meu tempo livre, de não ter que dar satisfações a ninguém de quem eu sou. E arcar com o preço.

E o TEDx selou essa escolha…Consolidou em mim o desejo de acreditar, de investir, de realizar!

E é por pessoas como essas estarem na minha vida que sou grata: o amigo que sempre pergunta como estou (mesmo que nem eu saiba como estou às vezes…me faz pensar), os amigos que me escutam, os que compartilham sonhos, as amigas que me ensinam técnicas para melhorar, os professores que me recepcionam superbem onde me encontram. A amiga que me ajuda a ressignificar o sentido do trabalho voluntário, às pessoas que partilham comigo o desejo de se encaixar e, ao mesmo tempo, fazer diferente, como a moça que conheci hoje, a minha família, que eu sei que sempre está lá, mesmo quando não quero pedir ajuda ou mesmo quando só quero chorar.

Mas, sobretudo, a Deus, que colocou essas pessoas incríveis no meu caminho.

Sou grata. E Gratidão é palavra do dia pela experiência partilhada incrível que eu tive hoje.

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Uma pessoa de verdade: carne, osso e contradições

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