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Fotografia, hoje.

O desafio atual da fotografia contemporânea é compreender que é difícil para o leigo ou iniciante desassociar a imagem de seu referente.

Fotografias não são mais os “espelhos com memória” do tempo dos daguerreótipos, e nem precisam retratar o “real”, posto que é sempre o imaginário do autor e os limites do aparelho que ficam registrados, sempre um recorte, uma construção; nesse contexto, a fotografia é polissêmica, criativa, imaginária e sem limites, e depende do repertório imagético do autor. Aliás, o que é o real? Que realidade é essa, que muda quando fecho os olhos, quando bebo, quando durmo, quando acordo cedo demais?

E por falar nisso, quem é o autor, já que coletivos, cooperativas e obras de múltiplas intervenções desafiam o senso comum de “autoria”?

O difícil é entender que, para ver fotografias, como acontece com qualquer linguagem, é necessário estudo, e compreensão por parte do observador, além de uma sensibilidade que irá complementar a obra exposta.

Novos formatos de exibição se impõem, como fotolivros de autor, grandes cubos e interações externas, lambe-lambes, a fusão de imagens estáticas com imagens em movimento (em vídeo-instalações, por exemplo), e a apropriação de imagens para ressignificá-las.

Com possibilidades cada vez mais amplas, a fotografia como meio de expressão só pode crescer exponencialmente, como já vem acontecendo.

Resta-nos ver se a fotografia impressa na parede, no formato exibitivo tradicional, vai continuar sendo o alicerce nas instituições e museus; ou se os inúmeros novos substratos (de placas de concreto à fotografia 3D em vacumform) que permitem ser impressos diretamente pelos equipamentos de última geração, serão transformados de tendência a lugar-comum.

Ou tudo junto e misturado, o que é muito mais plural.