Serão os brasileiros “Brazucas” em qualquer lugar do mundo? (observações de um leigo)

Desde que comecei a viajar aos 17 anos, presto muita atenção ao comportamento das comunidades brasileiras no exterior, principalmente as formadas por mais jovens, e em sua maioria expatriados por necessidades econômicas. E hoje me dou conta que, em diversos lugares do mundo, muitos brasileiros (não todos) acabam vivendo em guetos fechados, sem integração real com os países hospedeiros, vivendo em “little brazils” e absorvendo pouco da cultura local.

Falo aqui de taxistas brasileiros em Boston que não falam inglês fluente, trabalhadores da indústria japonesa que mal entendem o japonês, operários da construção civil em Nevada que só assistem as novelas da Rede Globo. A não-integração traz como consequência principal (além do preconceito por parte dos nativos), uma proximidade negativa de brasileiros com brasileiros, desconfiada, intrigueira, diferente de imigrantes de outras colônias onde a ajuda mútua e o esforço de integração levam todos (ou pelo menos tentam) para melhorias que beneficiem o grupo. Escutei muitas vezes brasileiros dizendo “não me dou com brasileiros aqui, são todos ladrões”, ou “brasileiro quando não explora, derruba os outros brasileiros”.

O curioso é que vivi uma situação muito diferente na Grécia, onde morei por mais de 6 anos. Fui levado a conhecer Atenas por uma amiga brasileira, trabalhei com equipes brasileiras, tive assistentes brasileiras, e um ajudava o outro sempre que podia. Por isso meu espanto é maior quando vejo, em outras colônias de brasileiros, algumas bem grandes, subgrupos se formando como gangues rivais, é o fulano que não fala com sicrano pois ouviu dizer que beltrano…Fofoquinhas, pequenas sacanagens, um tentando ser mais esperto que o outro, e todos enfraquecendo, como grupo, com isso. Não faz muito sentido, principalmente quando também não há integração com os locais. O resultado é sentimento de solidão, de abandono. Desconfio que vai aí uma grande dose de vaidade dos que cresceram economicamente enquanto fora do Brasil, aliada a uma necessidade de “ser importante” no grupo, que acaba causando rivalidades não só desnecessárias, mas principalmente destrutivas.

São apenas impressões que fui colhendo, talvez errôneas, certamente incompletas, sem nenhuma tentativa de embasamento psicológico ou antropológico, mas fica uma vontade; a de ver solidariedade e empatia verdadeiras entre os grupos de brasileiros que por necessidade ou por vontade estão longe do Brasil.