explicando

uma necessidade de me explicar fora de controle, acho que me explico demais pra quem tem razão.

um pedido de desculpas sempre engatilhado pronto pra fazer o outro se sentir melhor sobre… o que fez comigo.

não consigo explicar ou pedir desculpas suficientes pra ninguém, porque devo explicações a mim, devo desculpas a mim, me devo muitas coisas que não acho que mereço e tudo o que sou e não vejo veio cobrar a conta agora.

e eu não sei me dar nada, porque espero receber tudo de quem? qualquer um. como eu faço pra me amar do mesmo jeito que amo outros? isso nunca aprendi, nunca dei valor a essa liçãozinha, faltei no dia da aula e tô repetindo essa matéria há anos.

mas não culpo ninguém, não. a não ser a mim mesma. a culpa do mundo é minha e boa sorte em me fazer acreditar que não é. eu facilito muito a vida de quem quer ir embora sem culpa.

se nenhum caminho é sem saída pra quem sabe voltar, informo que a rota de volta não está mais disponível, até porque pra chegar até lá, eu ia ter que ter força na subida e agora eu nem consigo me mexer nessa areia movediça ao meu redor. fechando, fechando, sufocando.

não tenho rota de fuga e tô exausta demais pra fingir que conheço o caminho. tô numa versão de caverna do dragão em que eu sou o vingador, o mestre dos magos e os próprios meninos lá andando em círculos. olho por lado e só tem eu. e em que momento eu esqueci de notar que eu deveria me bastar?

eu já achei (vergonhosamente, ainda acho) que o amor me daria todas as respostas, mas quando levantei a mão pra perguntar, tava sozinha na sala.

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