setembro amarelo etc.

estamos chegando a setembro e com ele a campanha de conscientização e prevenção ao suicídio.

é uma época em que eu fico FULL PISTOLA, e já aviso que nesse texto não há filtro de discurso, vai sair do jeito que eu achar melhor. e também esclareço que escrevo isso baseada somente em experiências pessoais e não quero generalizar ou estabelecer o que digo como verdade absoluta porque… bem, porque isso seria bem estúpido.

nessa época, alguns fenômenos se agravam: gentes muito solidárias, proliferação de “justificativas” rasas para o desespero alheio.

  • minha gente, não ofereçam ajudas que vocês não estão dispostos ou capacitados a oferecer. eu já ouvi psicóloga “x” dizer que: “não entendia como determinada pessoa dizia querer se matar, mas estava postando fotos em festas”. eu, do alto da minha situação de leiga, tive que dizer pra profissional “meu anjo, não tem nada a ver”. e aí vamos para o próximo ponto:
  • as justificativas ou imposição de comportamento “correto” a quem está em estado delicado a ponto de pensar em se matar:
  1. normalmente, as pessoas não querem se matar por outras pessoas ou pra atingir alguém, porque a vida tá difícil, porque um namoro acabou ou porque são covarde.
  2. o ser humano pra pensar em se machucar fisicamente, já travou batalhas árduas consigo mesmo de onde já saiu quase desfalecido, sem forças pra continuar, sem vontade pra nada. batalhas em que normalmente não se entra em sã consciência, lugares onde não há espaço pra desviar de nada, situações onde a pessoa se encara de frente sem véu nenhum. ou seja, não é covardia a questão aqui, seguimores. é que a coisa pega mesmo quando você se encara de frente e tudo fica muito sem sentido e pesado demais.
  3. porém, apesar de saber que essa é uma questão a ser lidada com a diretoria interna da cabecinha do indivíduo, isso não tira a responsabilidade de quem costuma ser insensível a qualquer pedido de socorro, porque:
ninguém salva ou condena ninguém ao suicídio, mas a aridez das relações contribui pra última opção.

4. a pessoa tem direito de tentar se reerguer quantas vezes precisar, sim. então, tentativas de melhorar não invalidam o sofrimento, e não querem dizer, DE FORMA ALGUMA, que a ideia do suicídio era pra “chamar atenção”.

falar é sim a melhor solução, mas nada dói mais do que ouvir um “eu te acolho” de quem não tá disposto a te acolher ou um “ainda bem que você se abriu” de alguém que tá pouco se fodendo, na real. então fale, mas fale pra um profissional, fale pra alguém que não vai te abandonar quando a coisa apertar. porque já é perda demais que se sofre quando a ideia de suicídio chega na sua cabeça, você já se perdeu de você, não tem mais espaço pra desafetos e desatenções. deixa gente cuzona de lado, porque não vai fazer falta lá na frente.

e se isso chegar a alguém que tá nessa batalha, vou pedir, mesmo sem direito nenhum de pedir nada, que lute mais um dia. porque uma hora a batalha vai chegar ao final, e você vai sair dela sabendo que enfrentou um dos maiores desafios que essa vida pode jogar nas costas de alguém. e você levantou, e seguiu e venceu. força aí. avança mais um pouco. por favor.