RELATO DE PARTO DA SOPHIA 💜

Já faz um tempo que eu estou querendo compartilhar o meu relato de parto com o mundo 😆, mas com a loucura do primeiro mês da Sosô (e de qqer bebê, né? 😱), só agora consegui terminar de escrever.

Quero deixar claro que estou expondo essa experiência tão íntima pois me sinto em dívida com as outras mães que ainda não pariram. Ler relatos de parto foi uma rotina durante a minha gravidez, e toda a informação que eles me proporcionaram foi o que me ajudou a saber o que esperar e ficar calma quando chegou a minha vez. Por isso, para todos que tem curiosidade sobre esse processo tão “temido” pelas mulheres e principalmente para as futuras mamães (fiquem a vontade para compartilhar caso conheçam alguma 😉), segue abaixo a minha experiência, a qual tentei relatar o mais sincera e fielmente possível:

Dia 12/05/2017, numa sexta-feira comum, eu estava fazendo 38 semanas de gestação e acordei meio indisposta, com uma sensação de gripe e cansaço, e resolvi ir no posto tomar a tal vacina da gripe, que minha médica tinha orientado ser importante para gestantes (eu costumo não tomar as vacinas de gripe normalmente). Fui trabalhar de manhã normalmente, mas comecei a me sentir cada vez mais cansada, não estava rendendo nada, e também senti umas colicazinhas e falei pro Gui: “acho que vou ficar em casa a tarde para descansar, acho que to pegando uma gripe.”

Cheguei em casa, liguei a tv da sala como de costume, peguei uma coberta e me joguei no sofá. Dei uma cochilada e acordei umas 14hrs, ainda com uma cólica chata, mas um pouco mais disposta. Pensei comigo: “Essas devem ser as tais “contrações de treinamento” (também chamados de pródromos), acho que a Sosô nasce antes das 39 semanas”. Mandei mensagem para o Gui, falando que estava com cólica e ficamos nos perguntando quando a Sosô viria. 🤔

Fiquei a tarde toda sentindo as cólicas irem e virem, mas estava beeem tranquilo e eu tinha certeza que eram só os famosos pródromos (google it). Estava feliz com as dores, pois sabia que era um aviso de que o nascimento da nossa Sosô estava próximo. Lá pelas 16:30hrs mandei msg pra Lari, amiga de uma amiga que já tinha parido (parto natural em casa 😱👏👏) e que acabei me aproximando durante a gravidez, e a quem convidei pra acompanhar meu TP (trabalho de parto) como “doula de primeira viagem” (ela amou o convite, heheh). Falei que estava sentindo as dores, ela perguntou como eram e eu fui descrevendo que eram “tipo uma dor de barriga só que diferente” e que começava no meio da barriga e ia pra baixo, e que a lombar tb doía um pouco. Para cada sintoma que eu ia falando ela soltava um “eita”, fazendo o checklist de sinais de TP.

Apesar de todos os sinais, eu achava as contrações meio sem ritmo, as vezes eram fortes, as vezes meio fracas. Como já tinha lido inúmeros relatos de parto, e toda vez elas falavam que achavam que estavam em TP e não estavam, eu não queria ter esperanças de ser TP e me decepcionar, então estava levando tudo muuuito de boa e torcendo (lá no fundo) que as dores ficassem piores. Eu QUERIA que as dores ficassem mais fortes. 💪

Combinamos de ir monitorando e eu, desde o começo, percebi que as contrações vinham de 5 em 5, 6 em 6 minutos no máximo, apesar de fracas. Isso se estendeu até as 17hrs +-, quando comecei a sentir mais desconforto a cada contração, a ponto de não conseguir ficar deitada na cama pra descansar, pois doía muito quando eu deitava. Enquanto as dores iam e vinham, eu só torcia para que continuassem, pois desde o começo da gravidez eu falava que queria que a Sosô nascesse com +- 38 semanas, pra que eu não ficasse tão inchada e grande, o que causa bastante desconforto no final da gravidez, cfme relatam. Fora a ansiedade, né?

O Gui chegou do trabalho as 17hrs e eu tinha acabado de sair do banho e estava agachada ao lado da cama tendo uma contração, fazendo “ai, ai, ai…”. Ele me olhou, e disse: “Clau, é hoje? 😳” e eu olhei pra ele e disse: “Ah, não sei, espero que sim! Mas as contrações ainda estão pouco ritmadas, não quero ter esperanças antes da hora”. Nesse dia o Gui tinha uma prova da faculdade as 19hrs, e sugeriu não ir fazer a prova pra ficar comigo. Eu disse pra ele ir fazer a prova tranquilo, pois se eu estivesse em TP ainda demoraria muito tempo pra precisar ir pro Hospital. (eu queria chegar no hospital o mais tarde possível, pois tudo que li a respeito diz que a dilatação acontece bem mais tranquila e rapidamente quando a mulher está no conforto da sua casa, e que chegar muito cedo no hospital pode “brochar” o TP — sim, o TP pode “brochar” tanto quanto uma relação sexual quando interrompido por situações “estressantes” para a mãe). Ele foi para a prova e deixou o celular ligado com o professor, para caso eu ligasse e precisasse dele, ele vir imediatamente.

Nesse meio tempo eu liguei pra Amanda (minha prima), quem eu convidei para também participar do parto, já que ela é estudante de medicina e tinha super curiosidade (e afinidade com a minha gravidez (L)). Eu disse para ela ficar preparada, pois eu achava (sim, eu ainda não tinha certeza que era mesmo TP 😅) que a Sosô ia nascer naquele final de semana. Quando o Gui saiu da prova ele foi buscar a Amanda e os dois foram no mercado comprar comidinhas para mim (caso precisasse), pois fui instruída pela Dra Karol (minha obstetra) — e tbm por outros relatos de parto que li — a ter comidas que dessem energia para aguentar as longas horas de espera.

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Obs.: O que eu pedi para comprarem: água de coco, mel em bisnaguinhas, chocolate 70% cacau, mix de nozes, castanhas e frutas secas e maçã.

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Chegaram em casa lá pelas 21hrs, e eu já estava tendo contrações a cada 4 minutos +-, com intensidade moderada (pra forte), e já logo pedi pro gui massagear a minha lombar, balançando os quadris feito a Beyoncé (quem dera) pra aliviar a dor. 😐 Eu estava feliz, lá no fundo eu sabia que era sim o sonhado TP. Falei pro Gui jantar com calma pra depois irmos ao hospital fazer uma avaliação, pois as dores estavam ficando bem fortinhas. Comecei, junto com a Amanda, a verificar a malinha da maternidade minha e da Sosô e colocar as coisinhas que faltavam, pra já levar junto caso eu fosse ficar lá. (eu achava que ia avaliar e eles iam me mandar voltar pra casa, pois como eu dizia: eu devia estar com no máximo 1cm de dilatação” — PS: o Guilherme dá muita risada disso até hoje)

-> Em minha defesa, em quase todos os relatos de parto que eu li as mulheres foram pro hospital cedo demais, achando que estavam com muita dor e que logo ia nascer, e sempre estavam com no máximo 3cm. (é preciso 10cm de dilatação para o bebê nascer.)

Enquanto preparávamos tudo, eu ia tendo contrações a cada 4 minutos, cada vez mais fortes, até que lá pelas 22hrs eu olhei pra eles e falei: “Tá galera, tá na hora de ir, a coisa ficou intensa aqui 😲🙏”.

As contrações estavam doendo bastante já, e tinham ritmado e ficado mais longas. Eu sabia que agora era real. Estava muito feliz. 😁🙌🙌 Tive umas 4 contrações até chegar no hospital, que foram beeem doloridas, até pela posição que eu estava no banco do carro, que não é nada propícia pra alívio da dor. Eu já dava mini gritinhos de dor, não conseguia ficar em silêncio, os “berrinhos” no estilo “bati o dedão na quina da mesa” ajudavam a extravasar.

Chegamos no Ilha (maternidade preparada para parto humanizado aqui em Floripa) e o plantão estava vazio. Logo já me posicionei no sofá da recepção com uma toalha que eu tinha trazido pra caso a bolsa estourasse, ficando de quatro no sofá e com a cabeça abaixada no braço do sofá. Duas contrações depois o médico já chegou e me chamou pra salinha de exame. O Gui foi comigo até lá enquanto a Amanda ia agilizando as coisas lá fora, e eu disse que precisava ir ao banheiro antes do exame para verificar a dilatação (o tal “toque”). Ao abrir a porta do banheiro do consultório, veio uma contração bem forte, eu agarrei no pescoço do Gui e me pendurei nele, sem forças, quando senti muito líquido escorrendo pelas minhas pernas. Falei, meio chorando meio gritando, abraçada nele: “-a minha bolsaaa!” e ele respondeu meio impaciente pela relevância do meu comentário naquele momento: “-não sei onde está a sua bolsa, deve estar lá fora com a Amanda 🙄”. E eu insisti, choramingando: “Nãooo, a minha bolsaaaaa!” Nisso ele olha pro chão e percebe que estamos no meio de uma poça de líquido amniótico.

Ele logo me ajudou a ir pra maca pro médico examinar, e eu tendo umas contrações fodásticas, daquelas que faz a pessoa gritar mesmo. 😯👌👏 Ele fez o toque e falou: “Ótimo, parabéns, já está com 7cm!”. Fiquei chocada e feliz, não esperava estar já tão adiantada!

Daí pra frente eu só lembro de ter contrações MUITO fortes a cada 3–4minutos +-, eu agarrava no Gui e me soltava nos braços dele, gritando conforme a necessidade (hehe) e dizendo pra ele bater com os punhos fechados na minha lombar (isso aliviava muito, ou me distraía, sei lá). Ele dava umas batidinhas e eu falava: “BATE MAIS FORTE!”. Quem escutou aquilo fora de contexto deve ter achado muito estranho. 🙈🙊🤣

A próxima cena que me lembro é eu chegando na sala de parto e indo direto pro chuveiro.

Sentei na bola de pilates e fiquei com a cabeça abaixada no colo do gui, segurando nele e apertando e gritando cfme as contrações vinham, enquanto ele jogava água quente na minha lombar.

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Só quero abrir um parênteses aqui pra dizer que em nenhum momento das contrações eu me senti infeliz, angustiada ou em sofrimento. A dor estava ali, era o que eu desejava. Eu tinha lido bastante pra saber que quanto mais fortes fossem as contrações, mais eu ia dilatar e mais rápido a Sosô estaria com a gente. Durante a gravidez eu sempre dizia “tenho certeza que vou pedir analgesia, que vou querer “arregar”, mas tentem me acalmar pra não precisar usar” (a anestesia deixa o TP mais lento), mas eis que eu tava tão calma, feliz e concentrada que eu nem lembrei da anestesia. Não se engane, as dores são sim fortes, mas são TOTALMENTE suportáveis, pois você tem aproximadamente 3 minutos de descanso entre uma contração e outra, então se você mantém a calma e vive cada contração de uma vez, é totalmente tolerável.

Olha, eu nunca fiz tatuagem, mas acredito que seja um estilo (não a mesma dor, obviamente) de dor parecida: se aquela dor estivesse vindo de alguma doença, algum ferimento, seria considerada uma dor enlouquecedora, terrível, daria medo e a pessoa iria se desesperar de estar sentindo aquilo. Mas não é. É algo que você escolheu, é algo que você queria e é por uma boa causa. 👍💪❤️ Você está feliz de estar sentindo aquela dor. Foi assim que foram as dores pra mim, era uma dor do bem :)

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Uma hora depois a Dra Karol chegou (o Gui tinha ligado pra ela e pra Lari assim que o médico falou que eu estava com 7cm) e eu já estava na partolândia (dá um google): estava toda mole, relaxada, com os olhos fechados e só conseguia emitir grunhidos, não falava nem respondia nada pra ninguém. Eu tava no mundo de Bob, completamente entregue ao momento. 😴👌✌️ Só lembro de abrir o olho por um segundo, meio revirando os olhos, e ver a Dra karol sentada no chão do banheiro, do lado do box onde eu e o Gui estávamos, com o aparelhinho para auscultar o coraçãozinho da Sosô e controlar certinho o andamento do TP. Ela olhou pra mim com um sorriso e disse: “Oi! Como está? Parabéns, chegou já super adiantada! 👏👌”

Eu acho que nem respondi, não lembro direito, pois nessa hora a quantidade de hormônios rolando era GIGANTE, pois eu não me sentia dentro do meu próprio corpo, parecia estar vendo tudo em terceira pessoa.

Em seguida eu comecei a mudar de atitude, ao invés de só gritar e me segurar no Gui até a contração parar, eu comecei a fazer menos barulho e a ter vontade de fazer força quando a contração estava no ápice. Nessa hora pareceu que começou a ficar mais “tranquilo”, pois cada vez que vinha a contração eu me concentrava e fazia força, e aquilo aliviava MUITO a dor. Não demorou pra Dra Karol perceber a mudança de comportamento e me perguntar: “Claudia, estais sentindo uma vontade de fazer força?” Eu só balancei a cabeça confirmando.

Ela então perguntou: “-Queres então ir ali na maca rapidinho pra gente ver a dilatação como está?”. Eu confirmei com a cabeça, me segurei no Gui e fomos até a maca. Deitei e ela fez o toque, abrindo um sorriso e dizendo: “Ótimo, dilatação total!”

Naquela hora eu lembro de dar um sorriso e pensar comigo mesma: Nossa, sério? Foi assim fácil? É só isso? 😱🙌 Agora vai ser só fazer umas forcinhas e em menos de uma hora a Sosô vai estar aqui.

Isso já era +- 01:45 da manhã.

A partir daí eu tinha contrações a cada 3 minutos e fazia MUITA força em cada uma delas, concentrando muito na respiração. Passou meia hora fazendo força e eu mudei de posição, passou mais meia hora, fui para a banheira, o que parece ter deixado as contrações mais fracas (isso não é bom para o expulsivo), passou mais meia hora, fui para o banquinho, e nada. Ela estava ali, “na cara do gol”, mas não saia do lugar.

Depois de 2 horas e meia empurrando, já exausta, eu comecei a pensar que talvez não fosse conseguir, mas não deixei esse pensamento tomar conta de mim, segui em frente. A Dra Karol sugeriu aplicarmos ocitocina para ajudar na intensidade da contração, mas eu não quis naquele momento, pois queria que fosse totalmente natural e achei que podia tentar mais um pouco. Uma hora depois o cansaço já tomava conta de mim, e não ver evolução estava me deixando preocupada. 😣

Quando chegou perto de 3 horas de expulsivo, depois de tentarmos todas as posições e estratégias possíveis, eu já tinha eleito o banquinho como a posição mais favorável para os puxos, onde o gui ficou sentado atrás de mim me segurando, a Lari ficou do meu lado segurando a minha mão e a Amanda ia acompanhando, organizando e registrando tudo. A Sosô estava ali posicionada, pronta para nascer, mas não saia do lugar, pois minha contração era muito curta e eu não conseguia fazer a força por tempo suficiente pra ela realmente descer. A Dra Karol então me perguntou novamente: “Cláudia, quem sabe se colocarmos um pouco de ocitocina na veia ajude nesse finalzinho, pois as contrações vão ficar mais fortes e durar mais tempo, o que vai te dar tempo para fazer mais força em cada contração, quer tentar?” Ela me explicou que meu parto tinha sido super bom e natural até ali, e que a ocitocina não ia mudar isso, seria só um “aditivo” nesse hormônio que já estava correndo em mim naturalmente.

Eu olhei pro Gui, olhei pra Lari e os dois me sinalizaram que também concordavam com a necessidade da intervenção. Eu aceitei. Sabia que a partir dali não fazia mais sentido “teimar” numa coisa que podia me prejudicar e principalmente prejudicar a Sosô. Ela precisava nascer. Aceitei feliz, pois sabia que tinha feito de tudo que estava ao meu alcance para que fosse completamente natural, e que bom que eu estava em boas mãos e que existia a possibilidade dessa ajuda. 🙏

Logo que colocaram a ocitocina as contrações ficaram mais intensas, mas não o suficiente para que evoluísse bem o expulsivo, e depois de um tempo, quando fizeram a ausculta novamente, percebemos que os batimentos da Sosô estavam reduzindo durante a contração, o que sinalizava que ela precisava nascer logo, pois corria o risco de entrar em sofrimento fetal. 😫 A Dra Karol aumentou então o fluxo de ocitocina e colocaram uma máscara de oxigênio em mim para ajudar na oxigenação pra Sosô, e eu fazia agora MUITA força em cada contração, puxava o ar e fazia força 3 vezes em cada uma delas (duravam 60 segundos +-).

Entre as contrações eu me jogava no colo do Gui e quase dormia, me soltava completamente e relaxava pra economizar energia para a próxima contração. Lembro de me darem um pouco de chocolate e água também.

No meio das contrações a Dra Karol dizia: “Ótimo, muito bom, continua fazendo força que ela está vindo, só mais um pouco”. E nesses “meios tempos” de idas e vindas de contrações, os batimentos da Sosô baixavam cada vez mais durante a contração, voltando ao normal quando acabava a contração. O tempo estava acabando, eu estava exausta e quase desistindo, quando pensei: “Cara, eu cheguei até aqui, ela está quase nascendo, falta pouco, eu consigo! 💪”

Juntei a maior força que pude para a próxima contração, o Gui e a Lari dando força, orientando pra que eu fizesse a força corretamente: “-Clau, faz força pra baixo!” dizia a Lari com uma voz calma e paciente durante as contrações. “Amor, puxa bem o ar e solta enquanto faz a força” dizia o Gui atrás de mim. Isso deve ter durado mais umas 3 ou 4 contrações, quando a Sosô finalmente coroou (google it) e a Dra Karol disse: “Cláudia, mais uma ou duas contrações e ela vai nascer, vais sentir uma sensação de queimação, mas tens que ignorar e continuar empurrando, ela tá quase nascendo, já vai acabar.”

Quando fiz a próxima força eu senti que eu estava literalmente pegando fogo lá embaixo. 🔥🔥 Mas pra ser bem sincera, depois de tudo que já tinha acontecido até ali, eu simplesmente ignorei aquela dor e foquei em continuar fazendo a maior força que já fiz na vida.

Uma contração depois eu senti a Sosô finalmente sair de dentro de mim. 😲🙏 Abri os olhos e a Dra Karol estava segurando ela na minha frente e colocando ela no meu colo e dizendo: “Olha ela aqui! 😊”

Eu estava extasiada. Muito exausta pra cair a ficha. Fiquei com cara de quem não estava acreditando. Tinha acabado, ela tinha nascido. Ela estava ali! Não demorou muito pra começar a chorar, aquele chorinho rouco mais fofo que já tinha ouvido. (L) Eu aconcheguei ela nos meus braços e fiquei admirando aquela coisinha gordinha e minúscula, olhei pro Gui, que estava chorando feito um louco atrás de mim, ainda me segurando, e disse: “-Eu consegui!”

Fiquei com ela ali não sei por quanto tempo, até o cordão parar de pulsar, então o Gui cortou o cordão ao mesmo tempo que anunciava o nascimento por telefone pra Mãe dele.

Eu dizia: “avisa todo mundo!” com uma voz cansada, ainda meio grogue de toda aquela explosão de hormônios que tinha dentro de mim. Ainda estava meio tonta, parecia quase bêbada, exausta.

A Sosô nasceu às 5hrs da manhã em ponto, com 49cm e 3,285kg. Linda, saudável e bem gorducha. 😍

Até hoje eu lembro do dia do parto com carinho e com saudade. Foi a experiência mais intensa e mais gostosa que já tive, uma sensação única de orgulho e felicidade pelo “dever cumprido”, por ter conseguido realizar o sonho do parto normal, o qual eu já vislumbrava mesmo antes de sonhar em estar grávida, assistindo a documentários e relatos de parto no youtube. Sinto que meu plano deu certo. Eu me informei ao máximo durante a gravidez, li muito, sabia o que esperar e criei um mindset de tranquilidade pra quando a hora chegasse. Eu superei a ansiedade que sempre fez parte dos acontecimentos importantes da minha vida, consegui eliminá-la desse evento e tenho certeza que foi a minha segurança e auto-confiança que fez meu parto dar certo e ser tão bom.

Hoje, quando leio ou ouço coisas como “Ah, a dor do parto é a pior dor que alguém pode sentir na vida” ou “é a dor equivalente a quebrar 10 ossos do corpo ao mesmo tempo” eu chego a ficar irritada 😠, pois esse tipo de informação deturpada que faz com que as grávidas criem tantos fantasmas sobre o dia do parto. Não é assim. Não precisa ser.

Eu, que sempre fui MUITO fresca pra dor, muito manhosa, achei a dor do parto completamente suportável, pelo simples fato de estar informada o suficiente pra desejar que meu corpo contraísse pra que minha filha pudesse nascer da forma mais saudável. O meu estado de espírito era de pura tranquilidade, calma e confiança na minha capacidade de parir! 💪 Óbvio, a escolha da minha obstetra (@blognovemeses 😍), do hospital com estrutura para parto humanizado e o apoio e preparo total do Gui para lidar com a situação e me encorajar, fizeram toda a diferença para que eu estivesse calma e confiante. Por isso, sempre penso que se a pessoa tem condições, que procure uma estrutura favorável para que no dia do parto não ocorra stress e violência obstétrica, pois acho que é isso que faz as mães no TP, seu momento mais frágil, se contraírem e sofrerem mais do que o necessário durante o processo de abertura do corpo.

Hoje eu digo pra todo mundo que pergunta sobre a dor do parto: Eu sofri muito mais quando coloquei silicone ou quando fiz rinoplastia do que no parto. 😂 A dor chata e o incômodo de me recuperar daquelas cirurgias me deixou mto mais agoniada e impaciente, ainda que a intensidade da “dor” fosse mto menor. Não tem como explicar. Ainda acho que deveria se chamar outra coisa, e não “dor”, pois “dor” dá uma conotação ruim para essa sensação que é intensa mas que não precisa ser ruim. 🙏 Sem querer romantizar, mas eu realmente sinto saudade do dia do parto, da sensação das contrações, da paz que eu consegui manter dentro de mim, do companheirismo do Gui e de quem me acompanhou durante o processo, foi tudo muito mágico e como eu sonhei. 😍 E não, não foi fácil, foi bem desafiador, e essa que é a graça! 😏

Hoje, quando alguém diz que “homem tem sorte de não precisar parir e amamentar” eu penso o contrário: a mulher, por mais que sejam processos intensos e desafiadores, possui a dádiva de poder ter essa experiência na vida, pois o crescimento e o empoderamento que passar por isso nos dá é algo que nenhum homem vai um dia sentir, é só nosso! 😌

Temos que mudar a visão que a sociedade tem hoje do parto normal/natural, quem opta por ele não é corajosa, mas sim bem informada! 🤓

Abraços e beijos, espero ter ajudado e encorajado ao menos uma futura mamãe a se informar e tomar sua decisão! 😘🙏