IMUNIZAÇÃO COGNITIVA — O QUE É?

Clynson Oliveira

[…] Desconstrua! Construa uma oposição hierárquica, demonstre que a mediação passa por extremos e inverta a hierarquia, formulando, assim, um meio termo que inclua os extremos […] ( Frédéric Vandenberghe)

O que vimos essa semana foi bárbaro. Políticos, militantes, artistas, pessoas comuns, irritadas com a sugestão do cumprimento de uma Lei, a de cantar o Hino Nacional nas escolas uma vez por semana, em contraposição ao pensamento natural e dominante do brasileiro de patriotismo e orgulho de ser brasileiro e honrar seus símbolos nacionais.

Como chegamos a esse ponto? Como chegamos a jogar fora os símbolos nacionais em prol de uma ideologia falida importada do leste da Ásia? Como pudemos nos deixarmos envolver por atos e palavras nos últimos 16 anos, sem nos darmos conta de que estávamos sendo enganados, de uma maneira torpe e vil? O que pretendiam essas pessoas?

A resposta é que elas pretendiam destruir o sentimento de Nação, como um dos passos para a criação de uma América latina unida em prol de uma ideologia fracassada, o Comunismo (ou progressismo), por meio da imunização cognitiva da população.

Primeiro vamos definir o que seja imunização cognitiva. A imunização vem do verbo imunizar que significa proteger, defender, resguardar. Cognitiva vem de cognição que é o processo de aprendizagem que inclui o pensar, o refletir, o estar consciente, a atenção, o discurso, a percepção do meio ambiente e tudo que envolve os processos mentais que influenciam nossas atitudes e comportamentos.

A imunização cognitiva é o processo de proteção do pensar diferente, é o processo de padronização dos pensamentos que, de forma direta e subliminar, objetiva extinguir toda a capacidade dos desavisados de se contrapor às maiores obviedades.

Vamos decupar os acontecimentos anteriores ao evento do pedido do Ministério da Educação para que as escolas cumpram a Lei, perfilando seus alunos para cantar o Hino Nacional uma vez por semana, como previsto no parágrafo único do Art 39 da Lei 5700/1971, modificado pela Lei 12.031/2009.

Após a expedição da carta, solicitando às escolas que cumprissem a Lei, choveram bombardeios com os seguintes argumentos: ¨absurdo, não podem filmar crianças!¨, ¨abuso de autoridade, o Ministro não pode dar ordens nos estados, eles possuem liberdade para fazerem o que quiserem em suas escolas!¨, ¨loucura, o ministro não pode obrigar a ler o slogan de campanha presidencial!¨, ¨retrocesso, me orgulho de não saber cantar o Hino Nacional¨. O que nenhum desses argumentos aborda é o tema central, nenhuma escola estava cumprindo a Lei, há muito tempo. O que acontece então?

A imunização cognitiva, ou seja, a desconstrução do bom senso por meio da inversão da hierarquia e da inclusão dos extremos como meio termo, como sugere Vandenberghe, acontece em 4 fases bem distintas:

1ª fase: Isolamento e redução das opiniões contrárias

Todos os meios de imprensa, intelectuais, políticos e artistas que compactuam com a dominação pelo marxismo cultural iniciam uma brutal ofensiva de informações buscando isolar as pessoas que possuem opiniões contrárias, tirando a atenção do ponto central da discussão, ou seja, isolando quem pensa diferente. Nesse caso, lançaram todos os argumentos citados dois parágrafos atrás, para minar a simples obviedade de que a Lei tem que ser cumprida.

2ª fase: Envolvimento emocional

Apela-se para a conexão dos argumentos a sentimentos e crenças poderosos arraigados na mente do brasileiro. Normalmente conectam essas emoções fortes a desgraças, comuns na sociedade em que são lançadas, que possam afetar suas famílias ou suas condições de sobrevivência.

Nesse caso, conectaram o fato à impropriedade de filmar crianças, o que as exporia sem a autorização de seus responsáveis, contrariando o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que poderia causar danos irreversíveis ao crescimento saudável das crianças. Uma falácia, todos cantam o Hino e são filmados em eventos públicos como jogos de futebol, vôlei, olimpíadas, etc.

3ª fase: Associação cognitiva

Associação a grupos que trabalham para combater as ideias de grupos contrários. Nesse caso várias organizações não governamentais, partidos políticos e até mesmo Secretarias de Educação de estados (pasme) publicaram cartas de repúdio, protocolaram ações na justiça acusando o minstro da educação e próprio Presidente por improbidade, abuso de poder e outros, só deixaram de fora o objeto principal: a solicitação do Ministério da Educação foi para que o Hino Nacinal fosse cantado, ou seja, para que a Lei fosse cumprida.

4ª fase: Repetição

Repete-se a ideia central como um slogan, um credo, uma oração, até que o mantra entre na cabeça de todos como uma verdade incontestável, a verdade de que não se pode obrigar ninguém a fazer nada, nem mesmo cumprir a Lei. Se a Lei está errada, eu, cidadão, não sou obrigado a cumprir, que se mudem as Leis. Essa é a perversa tentativa.

Entretanto, no caso em tela, apesar de se tentar provar que o governo estava errado e estava sendo autoritário, a intenção não se concretizou por completo. As pessoas estão imunizadas cognitivamente para o contrário, ou seja, quando a coisa é muito estapafúrdia, o brasileiro inverte essa ordem e se imuniza ao contrário.

A prova disso foi a enquete do UOL acerca do assunto. A enquete perguntava qual a opinião da população acerca da validade de se filmar o canto do Hino Nacional na escola. O final da enquete foi uma acachapante vitória do SIM: eu apóio que cantem o Hino Nacional nas escolas e que filmem meus filhos.

O que aconteceu? O povo brasileiro tem dois comportamentos, uma dentro de casa e um fora de casa, segundo Sérgio Buarque de Holanda. O comportamento de fora de casa é liberal e politicamente correto, o de dentro de casa é ultra conservador. O panorama econômico e político dos últimos 16 anos foi desapontador e os brasileiros cansaram, se imunizaram cognitivamente, voluntariamente, contra tudo o que vem dos antigos governantes.

Quanto mais os partidários da implementação do comunismo (progressismo) propagam suas ideias, mais o brasileiro as rejeita e reage, virulentamente, nas redes sociais, que agora pertencem a todos, inclusive aos idosos.

A técnica de desconstrução da realidade virou contra os mestres, então a desconstrução planejada se tornou uma reconstrução voluntária dos preceitos morais e do cumprimento da Lei vigente.

Para finalizar, a imunização cognitiva é uma técnica poderosa, usada há muito no Brasil. O brasileiro, se adapta a tudo, inclusive já se adaptou à imunização, se imunizando a ela, entretanto, é necessário estar atento e manter a lucidez em relação ao óbvio, refutando argumentos incongruentes.

O fato é que cumprir a Lei é fundamental, cantar o Hino Nacional uma honra e um sentimento de pertencimento ao nosso País, não há como negar, não há como esconder, não há como nos imunizar disso. Somos brasileiros e nos orgulhamos do nosso novo Brasil!

    Clynson Oliveira

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    Clynson Oliveira PhD, Army Col, mastered Politics and Strategy Army Command and Staff College. Now is CEO Leadership consulting in Brazil.

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