11 Setembro 2001 — a falsa vingança e o verdadeiro pretexto (II)

O resultado principal do 11 de Setembro não foi, como a propaganda nos quer fazer crer, a destruição de dois arranha-céus em Nova Iorque e os cerca de 3000 mortos, foi a situação que o mundo hoje vive. Não morreram apenas inocentes no choque dos aviões com as Torres Gémeas, os mortos dos ataques terroristas em Paris (no Bataclan, no Charlie Hebdo), em Nice, em Londres, em tantas outras partes do mundo são também vítimas do 11 de Setembro de 2001. Os milhões de migrantes fugidos das guerras do Médio Oriente, idem. E, já agora, também os palestinianos e os iemenitas mortos às mãos dos aliados dos EUA nas suas terras.

A vingança americana ao 11 de Setembro de 2001 provocou e está a provocar resultados de dimensão ainda incalculáveis, mas deliberados. Teve como resultado o caos instalado no Afeganistão, no Iraque, na Síria, no Iémen, o reforço do autoritarismo de base islâmica na Turquia, e serviu para colocar em causa a frágil construção de uma União Europeia como ator político relevante, como a quarta grande potência no jogo de forças entre os Estados Unidos e os seus dois competidores, a Rússia e a China.

A vingança americana ao 11 de Setembro de 2001 é a causa das vagas de refugiados que desaguam na Europa e do grande salto em quantidade e qualidade da expansão do fenómeno do islamismo radical e do terrorismo a ele associado, que servem de pretexto para o reforço dos movimentos extremistas e anti União europeia na Hungria, na Polónia, na Áustria, na Holanda, em França e na Itália, também nos países nórdicos, para não referir o caso mais óbvio do Brexit, sempre com a invocação da insegurança.

Nem tudo foram sucessos nesta vingança dos Estados Unidos, é certo, a Rússia alcançou posições no Médio Oriente que lhe retiram liberdade de acção na região e a China passou a ser uma grande potência desafiadora no Pacífico.

O projeto de uma União Europeia é uma das torres atingidas no 11 de Setembro de 2001

Mas o Mundo mudou e o principal derrotado é o projecto da união europeia. Duplamente derrotado, porque face aos efeitos colaterais da vingança americana no Médio Oriente (refugiados e terrorismo) tem maiores dificuldades em se afirmar politicamente e porque as paga economicamente.

Por tudo isto, não passa de uma efabulação organizada pelos autores da vingança do 11 de Setembro de 2001 o que os grandes órgãos de comunicação apresentam anualmente neste dia sobre os autores materiais do 11 de Setembro e que aconteceu naquele dia no “ponto zero”. É uma farsa encenada pelos que lucraram com a “vingança” que se seguiu, e que chorarão lágrimas de crocodilo neste como em todos os próximos dia 11 de Setembro junto ao Memorial, ao som das sirenes dos bombeiros de Nova Iorque, na pele de defensores das vítimas, de bons americanos, de lutadores contra o terrorismo, pelo direito à segurança, sempre a invocação do perigo que eles próprios criaram!

Há 400 anos, na peça Ricardo III, Shakespeare retratou o modo de agir destes farsantes e dos tiranos, a sua ambição desmesurada, a imoralidade reinante nos bastidores políticos. Pintou um quadro de vilões que, como Ricardo, confessam: “Estou de tal forma imerso em sangue que pecado causará novo pecado. A chorosa piedade não tem morada nestes olhos incertos.” (Ricardo III, Ato IV, cena II.)

Se o 11 de Setembro de 2018 serviu para lembrar que a perversidade não é um mal raro, nem novo, vale a pena ser criticado pelo meu cepticismo quanto à verdade oficial do 11 de Setembro de 2001…

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