A conspiração da TINA.

O atual frenesim político e mediático faz parte de uma conspiração muito mais vasta do que a mera e vulgar agitação paroquial em tempo de festas de Verão. Não há nenhuma inocência na criação deste ambiente de alarme público, de caos que ninguém vê a não ser os jornalistas e comentadeiros com os olhos mais ou menos desorbitados e as vozes mais ou menos embargadas, de políticos que pedem cabeças a rolar.

Basta olhar com alguma serenidade e seriedade para as causas deste alarido. Começa com um incêndio com vítimas mortais, é certo, mas com causas antiquíssimas: mau ordenamento do território, secular ausência de cuidados com a floresta, evolução civilizacional que dispensa a madeira como combustível doméstico, má preparação dos bombeiros, a velha corrupção na compra de equipamentos, caso do sistema de comunicações. É assim há dezenas de anos. A seguir, o desaparecimento muito mal esclarecido de material militar de um paiol na ignota base de Tancos, o pedido de passagem à reserva de dois generais do Exército por motivos onde se cruzam perspectivas de carreira com a invocação de valores. Também há dezenas de anos que jornalistas e cidadãos sem graduação especial entendem o Exército como uma inutilidade dispendiosa, que considera os militares jarrões caros e seres privilegiados. Agora, de repente, pela escrita, pelo som e imagem os meios de comunicação social gritam aos ouvidos dos abismados portugueses, abanam-lhes os esqueletos para os convencerem de que a sua segurança passou a depender dos paióis de Tancos e da abundância de generais!

A estes pífios argumentos para incendiar as más vontades das massas contra o governo e o seu programa, foi adicionado por um invisível magistrado do ministério público, não certamente por acaso, o caso dos bilhetes oferecidos pela GALP a três secretários de Estado. Um coelho tirado a tempo da cartola. Para ajudar ao ambiente de finis patriae, os juízes, esses pilares do regime democrático que passaram incólumes pelos tribunais plenários da Ditadura, declaram uma greve fazendo chantagem com as eleições autárquicas!

Nesta farandola de acontecimentos a fazer de conta que há uma crise, têm-se destacado como pontas de lança os órgãos de comunicação da Impresa (Expresso, SIC). Foram eles que promoveram com todas as trombetas a fake news de uma manifestação de entrega de espadas por militares revoltados com qualquer ofensa aos seus sagrados princípios e valores. A palhaçada dos espadachins desmoronou-se após cumprir o seu dever de agitprop e a SIC espremeu-a até ao tutano, convocando o insólito e até aí secreto promotor. Concede largo tempo de antena a uma figura patética e risível, entre pastor da IURD e bruxo das equipas de futebol, com uma linguagem de quimbanda que lê o futuro nas entranhas das galinhas e fala da instituição militar como um oásis de paz e amor!

Estas manobras não são por acaso e têm uma finalidade para além da animação das romarias de Verão, mais ou menos pimbas. Estão muito para além das falsas animações da silly season. Fazem parte de uma conspiração com o propósito de desacreditar a solução política encontrada em Portugal no ano passado e que tem apresentado melhores resultados que o governo da Tina, do não há alternativa a não ser amouxar às políticas da Troika, o que não sendo difícil é inaceitável.

Esta solução de governo tem de ser combatida pelos grandes poderes porque ela, por pouco sucesso que obtenha, viola o tabu, desafia a verdade revelada, contesta a omnisciência dos patrões do mundo, instaura a dúvida nas soluções que tinham sido erigidas como o princípio e o fim das coisas.

Assim, o que pode parecer um conjunto de acções histéricas e canhestras a cargo da matilha de serviçais do costume, faz parte de uma conspiração real e que deve ser tomada a sério para evitar que o vírus da geringonça se espalhe pela Europa em crise. Estamos numa situação comparável à de 1975, quando Kissinger considerou que o Portugal esquerdista e não alinhado tinha de ser levado às cordas, estrangulado, para se tornar a vacina da Europa. Para isso Kissinger desestabilizou, manipulou, criou crises artificiais, inventonas!

A atual histeria mediática é numa manobra de desestabilização — de orquestra negra — idêntica à de Kissinger e seus aliados nacionais e estrangeirosm que culminou em Novembro de 1975, com as adaptações devidas ao tempo. É como uma conspiração destinada a desestabilizar um governo com uma solução fora das ordens superiores, das sujeições políticas e financeiras que as notícias do incêndio de Pedrogão, dos paióis de Tancos, das demissões dos generais, das entrevistas de um arremedo de Quixote sem graça, das viagens para ver a bola dos secretários de Estado, da greve dos juízes e o seu tratamento devem ser apreciadas.

Só para lembrar, Balsemão, o patrão da Impresa, faz parte do grupo de Bildberbeg, que esteve por detrás da definição das políticas neoliberais sem alternativa que nos trouxeram de 1975 até aqui e das manipulações que as viabilizaram e que até agora apareciam como não tendo alternativa.

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