Le Pen — a alforreca que queria ser sereia

Escreveu Einstein: “é uma estupidez continuar a fazer a mesma coisa, do mesmo modo e esperar resultados diferentes.”

Neste sentido, à luz dos resultados anteriores, o “lepenismo”, a crença nos bons resultados políticos, sociais e económicos das propostas nacionalistas de Le Pen é uma estupidez. Uma insanidade, vamos lá.

O nacionalismo francês é, desde Napoleão, o seu patrono, uma sucessão de derrotas para a França. Napoleão promoveu o nacionalismo francês baseando-o nos ideais da Revolução Francesa da “liberdade, igualdade, fraternidade” e, justificou o expansionismo francês e as suas campanhas militares com o direito da França a espalhar os seus ideais. Todos os grandes criminosos cometem os crimes pelas melhores razões!

À derrota do nacionalismo bonapartista, sucedeu a derrota do nacionalismo realista que terminou com a anexação da Alsácia-Lorena pela Alemanha, em 1870.

A vingança nacionalista francesa contra a derrota foi uma das causas da I Grande Guerra e terminou com a França em ruínas, com um milhão e meio de mortos e vergada aos vencedores, os ingleses e os americanos. O nacionalismo cego e vingativo dos franceses impôs as condições draconianas de reparação pelos prejuízos da guerra aos alemães, que serão uma das causas da II Guerra Mundial, onde o “orgulho nacional francês” se vergou perante à rápida derrota frente à Alemanha Nazi, com a consequente anexação de território, incluindo a tomada de Paris por Hitler, que passeou pelos lugares históricos e turísticos e à criação da França colaboracionista e nazificada de Vichy, antepassada da Frente Nacional. Ser uma região alemã era o destino a que o nacionalismo francês conduziu a França petainista, se não fossem os americanos e os soviéticos terem derrotado os alemães.

Depois do bonapartismo, da monarquia bourbónica, do irredentismo de Maurras, da falsa vingança dos belicistas que levaram a França à I Grande Guerra, da derrota da II Guerra Mundial e do colaboracionismo nazi do petanismo, parece ser um estupidez, como dizia Einstein, esperar que o nacionalismo lepenista conduza agora a França a uma vitória e os franceses à imaginária e fantasiosa grandeza perdida com a Revolução!

Mas há quem não só espere milagres contra a lógica, como se encante com os cantos de sereia de Marine Le Pen…ou que veja uma sereia numa alforreca…

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