Trump e a Europa: Nova versão de Quasimodo e a Esmeralda

Quasimodo é um quase monstro, nasceu com aberrantes deformações. Abandonado ainda criança, foi adotado pelo arcediago de Notre-Dame, que o empregou como sineiro da catedral. Devido ao alto som com que tocava os sinos, Quasimodo acaba por ficar surdo. Quasimodo apaixona-se pela cigana Esmeralda e salva-a quando ela se envolve num assassinato. Este é o resumo da história de Victor Hugo. Na nova versão, o Quasimodo utiliza a Esmeralda para cometer o crime e emprega-a como sua criada para todo o serviço. Se o Quasimodo for Trump, a Esmeralda é a Europa.

Na visita à Europa, que não está nas prioridades de Trump, ele repetirá as duas exigências feitas ao que considera o velho e obsoleto continente : aumento das despesas “em defesa” de 2% do PIB e a entrada formal no que os Estados Unidos apelidam de “Coligação” contra o terrorismo, a sua cobertura para justificar a intervenção na Síria.

Os membros europeus da NATO aceitam estas exigências e vão tentar explicar a Trump que podem ser parceiros nos negócios e que as medidas de controlo do ambiente, acordadas em Paris, são qualquer coisa de razoável, que talvez nos ajudem a sobreviver mais uns anos…

Ao fim de oito horas de exéquias tudo continuará na mesma. Convinha então que os dirigentes europeus explicassem aos seus cidadãos o que pretende a administração Trump da Europa. Como vê esta administração a Europa e que papel lhe atribui?

Para a administração Trump o inimigo é a China e o Pacífico é o seu Teatro de Operações principal. A Rússia tem apenas de ser neutralizada. Deve ser ensanduichada. Neste cenário, a Europa/NATO desempenha o papel que os médios-esquerdos representam no futebol. Deve pressionar na fronteira norte com a Rússia, dos estados bálticos ao Mar Negro (Ucrânia). Para Trump, a Europa está ao mesmo nível, ou abaixo, da aliança Arábia Saudita-Israel, que jogam a médio-direito, no flanco sul, desestabilizando o Médio-Oriente.

A ação da NATO e da aliança Arábia-Israel têm por objectivo obrigar a Rússia a fixar forças na sua fronteira ocidental e a libertar forças dos Estados Unidos para a sua frente principal no Pacífico.

A venda de 100 mil milhões de dólares em armamento sofisticado à Arábia Saudita e a confirmação do inquestionável e ilimitado apoio a Israel equivalem em benefício para os Estados Unidos ao aumento para os 2% do PIB europeu destinado a despesas militares. As duas medidas permitem aos EUA lucrarem com a venda de armamentos e com a libertação de forças e meios, que serão transferidas da Europa.

Em Bruxelas, os dirigentes europeus da NATO repetem as mesmas figuras de vassalagem da decadente corte wabita do rei da Arábia Saudita e dessa figura sinistra que é Netanyahu. As exibições militares que a NATO preparou para alegrar a visita Trump é o equivalente à dança das espadas com que o entretiveram em Riade e ele, no final da visita, pode escrever no livro de honra da NATO o que escreveu no museu do holocausto: Amazing!

Alcançado o que pretendia, o Quasimodo regressou ao seu refúgio na torre da catedral e atirou a Esmeralda para o trottoir das ruas de Paris. The End.

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