Por que você deixou sua curiosidade na infância?

por Camila Gullo

Foto: Maxime Bhm

Nesse dia das crianças, a reflexão que proponho é sobre a curiosidade infantil e o esquecimento dela lá longe, na infância.

Com um filho bem pequeno, vejo de perto e diariamente como as crianças são curiosas. A grande maioria delas, para não dizer todas.

Em um primeiro reflexo, elas mexem em tudo. Sentem as texturas e testam os objetos: “Se eu jogar no chão, o que acontece?”; “Se eu bater um no outro, vai fazer barulho?”; “Esse negócio áspero faz cosquinha”; “Toda vez que eu jogar na parede meu pai vai fazer essa cara de bravo e a vovó vai rir?”.

No fundo, eles estão experimentando e descobrindo como as coisas e como as pessoas funcionam. Se vai fazer barulho todas as vezes, com quantas vezes o adulto vai reclamar, se a vovô vai rir em cada repetição…

Enfim, colocam em prática o fazer, observar e aprender (e ainda aprendem com a repetição).

Com o tempo, as crianças vão deixando de ter essa ansiedade pelo descobrimento, experimentam cada vez menos (algumas vezes até pela educação que recebem, seja dos pais, da escola ou do meio social) e se tornam adultos pouco curiosos.

Alguns crescem e passam a acreditar até que não precisam repetir a mesma coisa algumas vezes antes de aprender.

Parece que a grande maioria das crianças curiosas que mencionei acima se transforma em adultos desinteressados.

Já tive estagiário que jogou no “Yahoo Respostas” uma pesquisa que eu havia pedido para ele fazer (juro que é verdade), ao invés de procurar nos livros e outras ferramentas de pesquisa disponíveis (que não eram poucas).

Na minha opinião, a realidade virtual e nosso novo modo de se relacionar com as pessoas e com o mundo tem gerado uma situação curiosa entre aumento da quantidade de ferramentas de busca/soluções e ao mesmo tempo aumento da preguiça humana.

Perdeu-se um pouco aquela curiosidade infantil e a vontade de realmente entender como as cosias funcionam. Replicar manchetes de notícias sem conhecer a fonte, repetir frases de efeito e verdades absolutas que não se sabe nem de onde surgiu, discutir superficialmente sobre qualquer assunto e achar-se entendedor de qualquer tópico após 10 minutos de pesquisa na internet, agora é normal.

A exceção é o compartilhamento consciente, a criação de conteúdo inédito.

Afinal, fazer, observar e aprender dá trabalho, né?

Esse post é um apelo para que você resgate a curiosidade da sua infância e se treine a ver as coisas e as pessoas com olhos de uma criança, observando cada detalhe, aprendendo sobre ela e tendo interesse e envolvimento sobre o que se está fazendo… seja o que for que você esteja fazendo !

Até a próxima !

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