O Clichê

Na Itália, fui taxada de piegas e previsível por gostar de Laura Pausini e Tiziano Ferro. Me desculpe, mas essa sou eu. Não tenho sonhos de grandeza, mas também não quero passar a imagem de humilde, até mesmo porque sonho em conhecer o mundo. Não em albergues, pois até meu espírito de aventura é simplista, mas fico com os hotéis baratos, porém limpos.

Não ligo para fazer compras, gosto mesmo é das fotos feitas no próprio celular e de admirar as paisagens que vão surgindo. Se eu puder comprar um imã de geladeira já estará de bom tamanho. Com calça jeans, tênis e uma mochila já estou pronta para partir.

Assumo a pieguice, as vezes ela tem seu charme vai…. No entanto, na maioria das vezes prefiro o não comercial: leste europeu, livros com nomes estranhos, filmes estrangeiros e cantores nada populares em meu país. Embarcar na Transiberiana, paisagens escandinavas e conhecer lendas bálticas me parecem muito mais atrativo do que Nova York, Las Vegas ou esquiar em Bariloche.

Como o clichê também faz parte de mim, minhas primeiras paradas no continente antigo foram Inglaterra e Itália. Mais clichê que Londres e Roma para a Europa, só se eu tivesse dado um pulinho até Paris para ver a torre Eiffel e a Monalisa no Louvre, o que só não aconteceu por falta de verba, confesso.

Como disseram, sou previsível até mesmo dentro da minha imprevisibilidade. Posso entrar em pânico só de ouvir o telefone tocar, mas não tenho problema em cruzar o Atlântico sozinha e passar pela tão temível, aterrorizante e impiedosa alfândega australiana.

Cíntia Gimenez Lins

São Bernardo do Campo, 25 de agosto de 2016.

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