Vila Mariana tru — feat. Santa Cruz — onde o top não tem vez

Cíntia Marcucci
Jul 25, 2017 · 5 min read

Resolvi ajudar a Daia Leide com as dicas moleque da minha jurisdição deste bairro incrível. Se liga que a saga pela Domingos de Morais continua!

*Este post é um complemento colaborativo ao post original da Daia sobre nosso bairro

Esse é o drive TRU de oração, uma praticidade do bairro

Assim como a Daia, eu sempre quis morar na Vila Mariana. Sem saber que er… eu já morava. Pelo menos na subprefeitura dela, já que sempre morei no eixo São Judas — Saúde — Praça da Árvore. Meus amigos todos de adolescência moravam na Vila Mariana e, bom, consegui. Uns dirão que aqui é Vila Clementino, mas moro na exata última quadra da Vila Mariana, o bairro em si, bem pertinho do Arquidiocesano.

Inclusive vamos começar por ele: o colégio, gigantesco, está na Estação Cheiro de Lanches, digo Santa Cruz, bem antes de ela existir. Desde 1858, mais precisamente. E, por conta da sua arquitetura toda bonitona, já foi cenário de comerciais famosos. Se estiver perto da época do Natal, veja a decoração do lado de fora. Pode ser linda e pode ser um desastre digno de #zorranatal.

Vamos para as duas dicas óbvias, porém válidas, já que conheço muita gente que mora por aqui que nunca foi nesses dois lugares. Primeiro, siga na Domingos e desça a Rua Santa Cruz por duas quadras. Lá fica o Parque Modernista, que não é bem assim um parque. É o terreno onde foi construída a primeira casa de arquitetura modernista da cidade pelo arquiteto Gregori Warchavchik. É o meu cantinho pra passear e dar um relax, vou lá sempre.

Podia ser melhor e mais bem conservado, tanto a casa, que é vazia, mas linda e cheia de detalhes legais, quando os jardins que viraram o parque, que podia ter uma horta, mais bancos e tal. Mas mesmo assim vale a visita. O lugar foi objeto de protestos nos anos 80 quando queriam fazer dele prédio, acho tédio. População ganhou, tombaram tudo. Só precisa cuidar melhor.

Volte uma casa, digo, quadra, vire na Afonso Celso à direita e depois na Rua Berta. Lá fica o Museu Lasar Segall com um café delícia, uma paz imensa que nem parece que está onde está. E as casinhas da frente do museu, todas modernistas, também são tombadas. Vou jogar na loteria só pra comprar uma um dia.

Voltando pra molecagem: seguindo na Rua Domingos de Morais sentido centro, você vai topar com uma Igreja Universal que tem um drive-thru — ou drive TRUZÃO — de orações com a placa trocadilheira: pare, ORE e siga, da foto deste pequeno guia. Sério. Vale a visita, pois quem criou tinha bom humor. Ou será que foi Deus que criou, assim como todas as outras coisas? Não sei, talvez. Quem sabe?

Na Domingos 1999 fica o supermercado Pastorinho, considerado por muitos a fronteira da cidade com São Bernardo do Campo. Tem até um grafite do Crânio de um índio azul na empena cega do prédio ao lado do mercado. E, não bastasse tudo isso, lá você ainda encontra leite de saquinho, torresmos incríveis para serem feitos no micro-ondas (gente, pra que esse hífen? Tive que vir aqui corrigir essa birosca), uma variedade enorme de capeletti de massa fresca e mil outras coisas que só supermercados de redes menores têm. É um patrimônio dessa região.

Atravessando a Domingos, invertendo pro sentido bairro, desça a Rua Diogo de Faria e você vai topar com uma doceria muito tradicional aqui, que faz umas bombas de chocolate em formato de rosca e são maravilhosas. Ela mudou de nome (possivelmente por questões familiares, hoje chama Qualquer Coisa Terraza), mas todos sabem que lá é, e sempre será, a “Antiga Duomo”. Fica na esquina da Diogo de Faria com a Rua Marselhesa.

Por falar em antiga Duomo, a unidade da Rua Luis Góis fechou mesmo, mas abriu no mesmo local uma lojinha chamada Trem Bão de Minas, que tem só coisas que você não tem culpa de comer quietinho. Queijo, doce, biscoito, tudo uma perdição. Fora os tapetinhos de crochê e outras tralhas de casa com cara de vó. Fica do lado do Mercadinho Yutaka. O Brazeiro Salvador está na mesma rua, cruzando a avenida. O galetinho com polenta é óbvio? É. Vale a pena, vale. A PARTIR DAQUI A DOMINGOS DE MORAIS PASSA A SE CHAMAR AVENIDA JABAQUARA, mas é a mesma rua. Vai que vai.

Siga em direção ao metrô Praça da Árvore e bem em frente a uma das saídas você vai topar com a inigualável pastelaria Changai. Não sei o que mais gosto ali. Existe há 61 e nunca viu uma reforma na vida. Os azulejos de florzinha, os cobogós encardidos do respiro da cozinha, a fórmica laranja dos móveis, a torneira da pia, tudo é maravilhosamente vintage, até os funcionários, lá há décadas. E só tem três tipos de pastel: carne, queijo e palmito, além de caldo de cana, refrigerantes, coxinha e esfiha. O pastel de carne, de recheio cremoso, é imbatível. Mas esperem! Não é só isso! Lá também vende plantas e elas ficam numas estantes na calçada. Mudas diversas, coisa da mulher do dono, o chinês que ficava lá lendo jornal EM CHINÊS até uns anos atrás, mas faz tempo que não o vejo. Que lugar, amigos. Que lugar.

Do lado da Changai tem uma loja chamada Item Básico. É uma barafunda de roupas empilhadas, tudo refugo com defeito da Hering e outras marcas do grupo. E você pode achar coisas ótimas bem, mas bem baratas por lá. Na mesma calçada, tem ainda a Casa Zilá, onde você compra ferramentas, itens de cozinha, escada, cola, mil e uma coisas. Tá lá na dita Praça da Árvore faz milianos. O Bazar Odete, um armarinho, também. Já foi bem maior, mas ainda é o lugar para lãs, linhas, botões, agulhas e afins.

E por fim, mas não menos importante, a feira livre de domingo da Rua Carneiro da Cunha, que é simplesmente uma das maiores da cidade. Tem 188 barracas e mais de um quilômetro (1069 metros) de extensão. Só existe uma com mais feirantes e duas com maior metragem na cidade INTEIRINHA (fonte: Prefeitura de SP). Essa é a minha feira, que frequento desde criança. Embora hoje vá na da Afonso Celso de terça — também ótima e a melhor em preços segundo o Datachofra (em que eu acompanho os preços de alcachofra na cidade) — sigo indo na de domingo de vez em quando. Ela já foi na rua Itapiru e da Dias de Toledo e por muito tempo um dos feirantes (ele era chamado de Japonês pelo meu avô, assim, bem específico mesmo, nunca saberei se a família dele ainda segue na banca) parava o caminhão na nossa porta e, em troca disso, sempre deixava no fim da feira uma sacola com legumes e verduras. ❤

Nem vou comentar que as feiras livres são uma invenção e um patrimônio paulistano, copiado no resto do Brasil. Isso fica pra outro post. Apenas digo que: Vila Mariana, KI BAIRRÃO DA PORRA!

Uma garota que queria saber para poder contar direito. Virou jornalista. Mas aqui escreve sobre o que o coração e a mente mandarem.

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