Foi você quem me fez correr demais..

É a mesma highway, pode conferir, é ela mesmo! Continua tão igual ao que era antes, não mudou de tamanho, o destino ainda é o mesmo, as promessas ainda pairam no ar como já pairaram algumas vezes que estivemos por aqui.

Se não fosse essa linha, a linha no meio da highway, consegue enxergar? Pintada de amarela, quando ela fica seccionada entro para o seu lado, fico na sua direção, quando ela está continua, sigo meu caminho e você segue o seu. A linha amarela já estava aqui antes, a diferença é que andávamos no mesmo sentido e então ela parecia não ter importância.

A highway é a mesma, as paisagens por volta dela também, ela ainda é uma via que gosto, que me sinto segura, que me acostumei aos detalhes e curvas, sei onde se encontra as placas, e costumo ter um farol que me faz ver com mais claridade quando é preciso.

O que mudou na highway foi aquele acidente que nos envolvemos, a batida foi forte ao ponto de desviar nossos caminhos, tentamos pegar nossas coisas, nos recompor, lembra? A gente tentou até fingir que não tinha acontecido acidente algum, mas ainda ficaram as dores, hematomas e cortes. A cada km que passava a dor ia cessando, mas confesso que ainda sinto as dores em dias mais frios, menos que no começo, mas ainda dói.

Agora a neblina está indo embora, consigo ver você se afastar, você sabe que está indo no sentido contrário não sabe? É. Eu sei que você sabe. Talvez você não tenha reparado que ainda estou parada, é que sei que tem um retorno lá na frente, talvez você volte. Não, você não vai fazer o retorno. É quase previsível.

Preciso te deixar ir, aceitar que não chegaremos ao nosso destino, que a highway apesar de igual, é grande demais. Nos leva onde queremos chegar. Você não sei, já te perdi de vista, vou continuar por onde o sol estiver brilhando. Eu sempre amei ver o pôr do sol.

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