Vanessa Testoni

Vanessa Testoni está no seleto grupo de brasileiros mais inovadores do planeta, tendo recebido o prêmio do MIT Technology Review “Inovadores com Menos de 35 anos”. Recentemente, Vanessa foi eleita membro afiliada da Academia Brasileira de Ciências, para a gestão 2016–2020. Com contribuições na área de processamento de sinais, especialmente imagens e vídeo, Vanessa compartilha sua jornada profissional e oferece muitas dicas importantes para as mulheres que estão iniciando carreira.


Quais foram seus primeiros passos em direção a uma carreira em Tecnologia?

Na época do vestibular, eu procurei quais eram as melhores faculdades do meu estado. Eu nasci em Curitiba, então, a melhor universidade pública era a Universidade Federal do Paraná. No momento de escolher a carreira, eu havia me decidido por Ciência da Computação. Porém, a UFPR não oferecia este curso na época e a melhor opção era a PUC-PR. Entretanto, como eu também queria muito estudar na UFPR, acabei escolhendo o curso do qual eu mais gostava lá naquele caderno da faculdade, com todos os cursos oferecidos, e aí neste momento surgiu a ideia de fazer Engenharia Elétrica... Acabei prestando um curso em cada Universidade e, quando saiu o resultado, eu tinha passado nas duas — em especial, na PUC-PR, eu passei em primeiro lugar! Aquele foi um momento muito legal, eu apareci na TV, no jornal, aquelas coisas…

Então, eu comecei as duas faculdades ao mesmo tempo, no intuito de saber de qual eu gostava mais e então tomar uma decisão. Só que eu me apaixonei pelas duas e percebi também que elas eram muito complementares: muito do que eu aprendia na Engenharia Elétrica se relacionava com aquilo que eu estava aprendendo na Ciência da Computação.

Foi um clique para mim quando percebi que de fato estava desenvolvendo meu raciocínio lógico. Eu lembro que, no primeiro ano, tínhamos uma matéria de linguagem C e o professor ensinava os comandos, apenas: “Para imprimir, printf; para ler, scanf”. Mas ele não ensinava como montar um programa. E, na hora dos trabalhos, ele dizia: “Agora faça um Tetris!”. Então, no meu primeiro ano, me sentia muito frustrada e pensava que eu nunca iria conseguir aprender programação direito. Pensei em desistir do curso. Entretanto, no ano seguinte, tive uma professora nova que ensinou de fato lógica computacional. Antes de falar sobre os comandos, nós aprendíamos a escrever o programa em pseudocódigos e a raciocinar logicamente. Veja que, antes da faculdade, eu não tinha familiaridade nenhuma com computadores; não tinha nada de Orkut, Facebook, e-mail, celular, nada disso… estamos falando de 1997. Passei a amar programação a partir deste momento!

Aqueles foram anos difíceis, fazendo duas faculdades ao mesmo tempo, mas eu estava apaixonada pelas matérias e achava tudo muito interessante. E hoje eu vejo como isso foi importante porque as duas coisas são fundamentais para o que eu faço. Minha área de pesquisa hoje é especialmente codificação de vídeo, então é importante que o pesquisador saiba programar, tenha um pensamento de lógica computacional, tenha conhecimento em Telecomunicações, processamento digital de sinais etc. De forma geral, eu me lembro de gostar muito das disciplinas de Cálculo, Sinais e Circuitos Elétricos.


Mesmo estudando em duas faculdades, você conseguiu fazer estágio no período de graduação? Como foi o início da sua carreira?

A minha estratégia para conseguir estagiar foi a seguinte: eu tranquei uma faculdade para poder estagiar e, depois que estava formada na outra, voltei. Então, no meu primeiro emprego, enquanto meus amigos ainda eram estagiários, eu já estava contratada como Engenheira de Software, porque já estava formada como Cientista da Computação, mas ainda cursando o último ano de Engenharia Elétrica.

E o que eu fiz assim que me formei na Engenharia? Pedi demissão.

Eu olhava as pessoas que trabalhavam comigo e via que muitas delas estavam há anos fazendo coisas muito parecidas. Além disso, havia um problema que eu ainda vejo hoje no Brasil, que é o fato de a maioria das empresas multinacionais de tecnologia fazer “tropicalização”, isto é, nosso time no Brasil adaptava tudo para um modelo latino-americano, mas não tínhamos oportunidades de fazer coisas novas. Eram projetos muito limitados e eu queria aprofundar mais o meu conhecimento em tecnologia. Foi aí que eu decidi: “Preciso fazer mestrado! Essa é a hora, se eu não pedir demissão e fazer isso agora, não vou fazer mais depois”.

E quando eu tomei a decisão de fazer um mestrado, eu me propus a fazer mestrado no melhor lugar que eu conhecia, então tentei Unicamp, mas somente porque fui incentivada pelo meu professor de projeto final da PUC, porque eu jamais sonharia ir tão longe. A ideia que a maioria das pessoas em Curitiba tem da Unicamp é que a Universidade é somente para gênios.

Então eu fui para Campinas para ver como era a cidade e a Universidade. A ideia que nós temos das coisas é recheada de ilusão — temos muito medo, achamos que não fomos feitas para aquilo, que não somos boas o suficiente etc. Mas, depois do primeiro passo e a cada passo adicional é que você consegue chegar mais perto da realidade.


Questões de relacionamento pesaram muito na sua decisão?

O que eu sempre digo para as meninas quando faço palestras é que nós temos que saber escolher muito bem a pessoa que estará ao nosso lado. Dependendo da escolha, algumas coisas podem não dar certo. Na época em que eu vim para Campinas, eu tinha um longo relacionamento em Curitiba, iniciado ainda no Ensino Médio. Mas, conforme o tempo passou e amadurecemos, nossos objetivos de vida se distanciaram. Essas diferenças de perspectiva para o futuro fazem muita diferença; é difícil, mas não tem outro jeito. Temos de ser racionais neste aspecto, caso contrário, um ou outro nunca estará feliz porque estará seguindo a vida e os objetivos de somente um dos dois.

Nas minhas palestras, eu sempre digo: “Meninas, planejem. Agora é a hora de planejar sua vida. Planejem seus relacionamentos de acordo com os seus sonhos e procurem estar com quem sonha os mesmos sonhos, para que vocês possam somar e crescer juntos.” Parece meio óbvio, mas eu converso com muitas mulheres que relatam que tinham muito sonhos, mas esses relatos terminam com “daí eu casei e tive filhos”. Puxa, o final deveria ser diferente, por exemplo, “daí eu casei e tive mais força ainda para realizar os meus sonhos agora sonhados em dobro, incluindo os nossos filhos”.


Quais são as maiores vantagens e desvantagens da Engenharia?

Eu gosto muito de mostrar as coisas positivas da Engenharia. É uma carreira difícil e puxada, mas há muitas coisas legais: é possível trabalhar e atuar em qualquer lugar do mundo, é uma carreira realmente internacional.

Outro ponto positivo é que a profissão já é muito valorizada nos países mais desenvolvidos. As maiores empresas do mundo atual são de tecnologia. A Google declara em sua página “Google is and always will be an engineering company”. O famoso Silicon Valley vive de software engineers, é a profissão mais sexy dos nossos tempos.

Os projetos que fazemos têm aplicações em diversas áreas, como saúde, processamento de linguagem, holografia, realidade virtual, biotecnologia etc. E é muito inspirador fazer parte disso, pois você percebe que as coisas não são mágicas, mas sim algo que vieram de um caminho de aprendizados.

No meu caso, todas essas opções para a minha carreira foram relevantes no decorrer do meu mestrado, especialmente no final. Como eu não queria dar aulas, achava que fazer um doutorado não seria interessante, porque entendia naquela época que o doutorado seria algo muito teórico e eu queria trabalhar em empresas. Mas meu orientador, um grande mentor, me deu logo uma lista de empresas que trabalham com pesquisas em áreas nas quais eu poderia atuar no Brasil e no exterior. Naquela lista já tinha a Samsung, a Ericsson, Alcatel, Nasa, Microsoft Research etc. Então, quem trabalha nesta área tem muita flexibilidade de escolhas também.


Como foram as tomadas de decisão de carreira depois dessa lista?

Eu me lembro de ter ido para casa com aquele papel e de ter pensado bastante sobre o que o meu orientador tinha me dito. Foi muito importante para mim ter tido ele como orientador e mentor, e, certamente, se não fosse aquela conversa, eu não teria feito doutorado.

Logo após começar o doutorado, fui selecionada pela Microsoft Research e fiquei três meses em Seattle pra um primeiro Summer Internship. Foi minha primeira viagem para os EUA. Eu tinha colegas que eram do MIT, Stanford, era sensacional! Depois desta primeira experiência, recebi o PhD Fellowship da Microsoft e pude voltar mais duas vezes.

Eu penso que possibilitar esses fellowships é uma coisa que nós tínhamos de fazer aqui no Brasil. Mas, por enquanto, eu incentivo as meninas a aplicarem para os Fellowships e Summer Internships de fora. Muitos ainda acham no Brasil que as férias acadêmicas de três meses da pós-graduação foram feitas para descansar, mas na pós-graduação já somos profissionais formados. Lá fora, o pessoal aproveita esses três meses para fazer esses intercâmbios, internships e estabelecer contatos com as empresas.


Como foi ganhar o prêmio da Microsoft Research Fellowship PhD Award, 2009/2010?

Esse prêmio da Microsoft Research é muito legal. Da América Latina, apenas dois alunos foram selecionados em 2009. O prêmio consistia em um valor em dinheiro e a possibilidade de fazer mais dois estágios de verão na Microsoft Research em Seattle. Fui para lá com muito medo, da mesma forma que fui para Unicamp.

Chegando lá, meu chefe do estágio me deu liberdade para mostrar minhas ideias sobre o projeto dele e, especificamente para mim, ele deu mais de um projeto de pesquisa, então eu percebi que ele tinha muita vontade de me ajudar. Veja que nós nos referíamos aos chefes do estágio lá como “mentores”…

Ele passava bastante tempo comigo, me ensinava sobre como escolher bons projetos de pesquisa e também me chamava atenção para as coisas mais práticas da vida. Ele dizia: “Você precisa se preparar para a vaga de emprego que você deseja. Muitas vezes os alunos têm um sonho, mas não sabem como alcançá-lo. É preciso ver desde já qual empresa oferece o trabalho que você deseja, quem são as pessoas que também trabalham com isso, se há vagas disponíveis, etc. Não espere terminar seu doutorado para depois descobrir que nenhuma empresa trabalha na área ou tecnologia em que você se especializou.” Ele me ajudou a adaptar os meus sonhos à realidade para que não houvesse frustração.

Também tive outro mentor excelente que me ajudava com diversas questões, por exemplo, até quanto vale a pena insistir para melhorar os resultados de uma pesquisa e qual é o momento certo de mudar a abordagem de um problema. Ele dizia: “você pode trabalhar mais um ano neste problema e melhorar os resultados em 1%… ou você pode decidir que já está bom o suficiente assim e empregar suas capacidades para resolver outros novos problemas”.

Eu não tenho como mensurar a probabilidade, mas posso dizer que 80% de tudo o que eu consegui eu devo a algum tipo de mentoria, sempre de professores e orientadores. Eu não tinha ninguém da família na área de tecnologia, nem contatos. Então, meus mentores foram essenciais na minha trajetória profissional e eu aprendi muito com eles, sou muito grata. E também tive mentores e professores ruins… Então as pessoas só mostram o caminho ou apresentam as possibilidades; agarrar as oportunidades, correr atrás e fazer acontecer depende da gente.


Como é fazer parte de um programa de doutorado na área de tecnologia?

O doutorado é um trabalho diário de inovação. Geralmente, as pessoas que não passaram pelo doutorado têm uma ideia muito irreal sobre isso. Existe um trabalho árduo de fracassos e sucessos, além de muitos testes. Esse processo ensina a pensar e a pesquisar de fato. Então, é uma cultura que vamos aprendendo e, quando chega ao final, estamos aptos para contribuir com inovações.

Eu nunca vou me esquecer de uma bronca que eu levei quando fui apresentar em um congresso um trabalho que tinha escrito com dois pesquisadores muito importantes da Microsoft Research. Era um congresso muito restrito, estava no começo do doutorado, nunca havia me apresentado para uma audiência tão especializada e nenhum dos dois pesquisadores puderiam ir comigo. Então, eu escrevi um e-mail para o meu mentor e o co-autor dizendo que eu lamentava a ausência deles e que eu me sentiria mais segura caso eles estivessem comigo. Mas, naquele mesmo dia, meu mentor foi até minha sala e me disse bem assim: “Nunca mais escreva um e-mail para ninguém dizendo que você precisa de outra pessoa para se sentir mais segura. Ninguém sabe melhor do que você sobre o seu próprio projeto. Tudo bem você ter enviado este e-mail para mim e para outro pesquisador agora, mas nunca mais faça isso. Você vai lá e vai apresentar o projeto e vai dar tudo certo.”

A mensagem que ele queria me passar era de que metade da credibilidade do seu trabalho advém da segurança que você transmite na apresentação. E então ele foi me ensinando, frase por frase, o que eu poderia responder caso alguém fizesse perguntas sobre o projeto ao final da apresentação. Eu estava com medo de alguém dizer que meu trabalho não estava bom o suficiente, por exemplo, e ele me respondeu: “Se alguém falar isso para você, você responde assim: “We put a lot of effort in this work and we really believe this is the best result we could achieve.” Não é para dizer: “trabalhei dois anos inteiros nisso, mas infelizmente é o resultado que eu consegui.”

Eu achei aquilo tão revelador para mim. Parece simples, mas eu não conseguiria ter pensado naquilo sozinha naquele momento. Depois, no dia da apresentação, ele ainda me ligou para perguntar se estava tudo certo. E, no fim, deu tudo certo mesmo e com o passar dos anos eu me sinto cada vez mais segura nas minhas apresentações.


Você foi a fundadora do Grupo IEEE de Mulheres na Engenharia da Unicamp (WIE). Como surgiu a ideia de trazer isso para o Brasil?

Quando eu estava na Microsoft Research, eu frequentava o almoço mensal das mulheres do IEEE WIE (Women in Engineering). Nesses almoços, se reuniam as pesquisadoras da Microsoft Research e as professoras da University of Washington. Muitos assuntos eram discutidos, desde dicas de como conseguir um tenure para as professoras, ou como as pesquisadoras tinham lidado com gravidez e licença maternidade, como isso tinha impactado a pesquisa delas, vantagens e desvantagens de fazer pesquisa na indústria versus academia, etc. E quando eu voltei para o Brasil, quis trazer essas discussões para cá e fundamos um branch do WIE na Unicamp no final de 2010.

O WIE na Unicamp tem três focos principais: promover palestras para toda a comunidade (homens e mulheres) com engenheiras/cientistas da computação de destaque que podem servir como role models, organizar reuniões com as meninas de todos os anos de graduação e pós para conversas informais, promover discussões de assuntos de interesse, oferecer mentorias e realizar projetos de extensão com a comunidade de fora da Unicamp para estimular o aumento do interesse das meninas por cursos das áreas chamadas STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics).

Algumas das nossas palestras e eventos estão disponíveis no nosso site. Também temos um grupo aberto no Facebook (IEEE WIE Unicamp) onde postamos várias reportagens e oportunidades interessantes. Um grande projeto que fizemos com a comunidade em 2014 foi o Smart Girls. Algumas informações sobre ele podem ser encontradas também no site do projeto.

Quando terminei o doutorado em 2011, o WIE continuou muito bem sob a presidência de outros membros e eu fui fazer meu pós-doutorado na University of California, em San Diego. Lá, surpreendentemente, eu tive uma chefe mulher. Ela tinha quatro filhos, era muito reconhecida na comunidade internacional por suas publicações/aulas/orientações e foi com ela também que eu aprendi a ser mais assertiva. Nossas reuniões eram sempre super objetivas porque, às cinco da tarde, ela ia embora para cuidar dos filhos, e, no dia seguinte, lá estava ela novamente gerenciando o time dela muito bem dessa forma.

Em San Diego, eu participei de uma palestra somente para mulheres sobre entrevistas para cargos em empresas de Tecnologia no Vale do Silício. A palestrante era uma recrutadora com muitos anos de experiência e dizia que a primeira coisa de que precisávamos saber é que a prática nas empresas é ofertar para todos inicialmente um salário 20% mais baixo do que a empresa poderia pagar. Ela nos contou que, enquanto a maioria dos homens negociava o salário e pedia mais, a maioria das mulheres aceitava logo a primeira oferta. A palestrante, então, nos orientou a sempre tentar negociar o salário, porque o próprio RH já tinha margem para negociação.

Além disso, ela disse que nunca havia retirado nenhuma oferta por um pedido de aumento de salário. O máximo que poderia acontecer é eles falarem que não poderiam aumentar a oferta. Eu levantei o braço e perguntei: “Mas, se eu pedir mais, eles não vão esperar mais de mim também e minha possibilidade de ser demitida vai aumentar porque não vou conseguir corresponder a essa maior expectativa?”, e ela respondeu: “Você vai se cobrar independentemente disso e seu chefe sempre vai esperar 100% de você.”

Eu já fui discriminada diversas vezes, mas continuo achando que, pela profissão e todas as suas possibilidades, vale a pena fazer parte do universo (ainda muito pequeno) de 5% de mulheres na minha área. Minha postura também mudou bastante com o tempo em relação a essas coisas. Eu me sinto mais confiante, consigo me posicionar com mais firmeza e defender meu ponto de vista. É verdade também que os episódios de discriminação eram muito mais frequentes enquanto eu estava na graduação e no início da minha vida profissional.

Isso é muito importante, eu penso quantas meninas desistem dos cursos por se sentirem deslocadas no ambiente masculino, sofrerem discriminação, questionarem sua competência e aptidão para exatas, por exemplo. Para elas, eu sempre digo nas palestras: “Nunca desistam por causa disso. Pensem logicamente e separem as coisas. Se quiserem desistir, desistam porque realmente não gostam do curso, não por causa das piadas e discriminações. Entendam que é chato, mas aceitem que, enquanto muitas pessoas entendem que competência independe de gênero e nem pensam nisso, outras simplesmente não conseguem superar os preconceitos. Tudo bem, aprendam a ignorar e manter distância destas pessoas sempre que possível. Felizmente, elas são a minoria. E acreditem: no começo é pior, persistam, porque depois geralmente melhora e as pessoas começarão a olhar sua competência antes do seu gênero”.

Eu gosto de dizer que sou uma otimista realista. Acredito mesmo que existe um caminho positivo que nós mulheres estamos trilhando em relação à igualdade de direitos e deveres, e que este caminho não tem volta. Aquele que está achando que é moda, está enganado.

Estamos evoluindo em vários aspectos. Porém, a minha parte realista sempre diz nas palestras para as meninas não serem ingênuas, acreditando que não existem mais episódios de discriminação no ambiente profissional hoje em dia. Isso é ruim porque, quando algo acaba acontecendo com alguém, essa pessoa acha que quem fez algo errado foi ela, uma vez que as empresas são tão perfeitas e nunca aconteceu algo parecido antes. As meninas acham que o problema são elas, mas isso não é verdade. O que eu ainda vejo acontecer são mães preferirem dizer que chegaram atrasadas no trabalho por problemas no trânsito do que por problemas com filhos, porque é mais aceito. As meninas fazem entrevista de emprego e escondem alianças de casamento/noivado, porque recebem perguntas de quando e se pretendem engravidar. Por outro lado, também já vejo pais saindo do trabalho em horário de expediente para levar os filhos no pediatra. Então, estamos evoluindo, mas ainda estão muito longe da igualdade que queremos.

Entrevista: Carolina Bonturi / Texto e Edição: Carolina Bonturi / Fotografia: Arquivo pessoal / Edição de imagem: Carolina Bonturi

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