Rapariga

Eu sou do tipo de rapariga difícil de lidar, e dependendo do dia sua vontade pode ser nunca mais olhar na minha cara. Vou te dizer porquê.

Aprendi bem cedo que precisava aprender as tarefas do lar, saber ler e escrever meu próprio nome, estudar e trabalhar para ajudar o meu futuro marido. Eu sou o tipo de rapariga querida pelas sogras. Quer amor? Dou. Quer carinho? Dou. Quer atenção? Sou. Quer meu corpo? Também dou. Quer que eu diminua a carga de trabalho? Não. Aí não. 
Nesse momento, deixei de ser a rapariga querida pelas sogras e me tornei a rapariga odiada e independente.

O estudo e o trabalho não tinham por objetivo te tirar de dentro de casa e olha só você rapariga, passa mais tempo no trabalho do que na cama com o marido. Rapariga.

Aprendi bem cedo que não nasci para agradar sogras e descobri quase que na mesma época que também não nasci para agradar seus filhos. Eu não sei falar baixo, não sei fingir sentimentos e não sei dizer meios termos. Sou inteira demais pra ser meia rapaz. Se eu gostar do seu amigo não significa que tenho desejo por ele e, se tiver, saberei te respeitar. Basta me sentir bem no espaço que irei mostrar minha alegria e minha paz por estar junto a ti.

Não dedicarei meu tempo livre para seguir-te no futebol, mas o dia que me chamar pra jogar estarei lá com minha chuteira azul. Queres ir ao bar? "Uma dose de cachaça de banana pra dama, e uma cerveja por favor!". Não queres que eu vá? Vá, mas volte na madrugada disposto a transar. Mas se eu estiver cansado puxe minha juba cacheada, encontre meus lábios e sussurre em meu ouvido: "Cheguei!". Tiramos o atraso no dia seguinte.

Ideal? Perfeita? Não. Rapariga! 
Não sou do tipo de mulher com passos delicados e meigos, meu cabelo não é liso e minha alma não é vazia. Sou o tipo de mulher peculiar no seu catálogo. Entro nos mares da vida e me banho por inteira. Sou funda, sou intensa e não suporto raso. Alguns dizem que o ronco do meu carro assusta, outros dizem que o vidro escuro é muito "masculino" para uma mulher (essa sociedade machista de merda!) e outros culpam essa personalidade forte.

A verdade é que eu já não quero mais ser querida pelas sogras, pelos filhos, pelos maridos, pelos cunhados e familiares. O que você acha de mim, do meu cabelo, do meu decote, da minha luxúria e do meu comportamento não me interessa. Tenho certeza que nenhum deles irá interferir no estudo e no trabalho. E se interferir? Foda-se! Sou mulher suficiente para honrar minhas ações e ruim o bastante para matar meus sentimentos.

Olha que mundo bonito e grandioso eu tenho para conhecer enquanto mulher? Deixe-me mostrar a rapariga que me tornei. Deixe-me mostrar que mereço ser admirada por dezenas, desejada por centenas e querida por milhares.

Queres estar ao meu lado? Ótimo.
Não queres? Próximo!!!!

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