A doçura e a vida severina em “O Céu de Suely”
Premiado em diversos festivais nacionais e internacionais, incluindo o Festival Punta del Este, o filme continua ilustrando a vida severina das mulheres no interior nordestino mesmo após treze anos.

Para começar a semana, nada melhor que uma boa indicação de filme (intenso) pra curtir e se emocionar. E o escolhido pra abrir com chave-de-ouro, é nada mais nada menos que o premiadíssimo, O Céu de Suely.
Dirigido pelo cearense Karim Aïnouz (Praia do Futuro), o enredo de O Céu de Suely conta a história de Hermila (Hermila Guedes), uma jovem de Iguatu, interior do Ceará, recém-chegada de São Paulo, que após ser abandonada pelo marido com um filho ainda pequeno, faz uma rifa em troca de um prêmio, entretanto, o prêmio é nada mais nada menos que uma noite de sexo com ela mesma, que adota o nome fictício de Suely.
Estrelando Hermila Guedes (Assalto ao Banco Central) e João Miguel (3%), o filme foi lançado em 2006 e traz à tona a dura realidade da mulher interiorana, pobre e abandonada com o filho; mesclando com a doçura, o desejo e força de viver da protagonista de 21 anos. Com uma belíssima direção de arte e fotografia, O Céu de Suely retrata com fidelidade estética e social o contexto do interior nordestino.

Um fato curioso sobre o filme, é que todos os personagens têm o primeiro nome de seus intérpretes. Karim e os roteiristas nunca deixaram claro o porquê disso (e nem precisam), o que fez o enredo ter uma autenticidade própria. O filme já arrecadou mais de 19 prêmios nacionais e internacionais, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Atriz no festival de Havana e vencedor da categoria de melhor filme no Festival Punta del Este.
Em 2015 o filme entrou para a lista dos “100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos”, lista feita pela conceituada Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).
