Reação

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Falar sobre cultura em uma cidade que não a valoriza é difícil. A Baixada Fluminense (Estado do Rio) não é a única a sofrer com esse problema; muitas outras cidades no Brasil parecem fadadas a esse destino. Quem vai ao cinema, precisa escolher entre trocentos thrillers americanos e uns poucos nacionais que se baseiam em comédias que servem apenas para reforçar estereótipos. Quem vai ao teatro? Bom, se tiver algum ator da novela das nove e se não for nenhum dramalhão rasgado (ou mesmo um monólogo), vale pensar no caso. Museu? Pra ver gente pelada, melhor ficar em casa e explorar os canais adultos da TV por assinatura. Música? Ah, tem os virais, e não podemos negar a facilidade de assimilar um desses ritmos industriais que geram milhões e milhões de reais (não citaremos). Livros? Ah, tem os best-sellers, ou então a gente espera o livro virar filme e pronto, menos um trabalho. Diversão à noite? Perder tempo descobrindo coisas novas, ritmos novos, danças novas, comidas novas, culturas novas? Ah, aí já deixa de ser diversão. 
Sabe o que é mais preocupante nisso tudo? Ver que a gente simplesmente se acostumou. É mais fácil concordar com todos os preconceitos impostos por aqueles que se julgam melhores do que nós por viverem em áreas culturalmente privilegiadas (com maior acesso a museus, maior variedade de filmes, livrarias, bibliotecas e teatros), que por sua vez também mostram sua total falta de educação. É mais fácil se considerar mal educado, favelado, sem cultura. Afinal, o mais importante é o status, e isso a gente encontra apenas nas áreas nobres da cidade. É mais importante ter dinheiro e, mais ainda, mostrar que tem dinheiro. Quando cantaram “homem primata, capitalismo selvagem”, não podiam estar mais certos.
O que propomos é uma reação. Somente a cultura, siamesa da educação, é capaz de transformar toda e qualquer realidade, além de mudar perspectivas engessadas, retrógradas. O século XIX passou, por mais que as manchetes anunciem barbaridades compatíveis com esta época. O tempo passou, e por mais que a maioria das pessoas não se dê conta disso, bom, a gente lembra. 
A reação é simples. Começa com o fim desta mania estúpida de vestirmos a camisa do preconceito, da rejeição, do complexo de inferioridade. Ser da Baixada não faz com que sejamos rebaixados. Depois, é preciso olhar pras nossas carências e pra maneira certa de resolvê-las. A violência, o desrespeito, o conservadorismo, a síndrome de Idade Média, o menosprezo… tudo isso se resolve com educação. 
E com a sua siamesa, a cultura.
A resistência da cena cultural de uma cidade depende de todos. É um esforço coletivo. Opiniões, interesse público, informação, arte: é aí que tudo começa. É assim que a cabeça da gente se abre. 
É assim que a gente voa. E faz todo mundo voar conosco.

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