5 tendências da Economia Colaborativa em 2016
O movimento colaborativo tem evoluído rápido e em várias direções. O crescimento de plataformas e trabalhos cooperativos, o aumento da consciência dos comuns, a evolução do co-working, uma explosão das tecnologias que alimentam os serviços colaborativos, tudo isso tem aberto fronteiras promissoras e desafiadoras.
“O que será que vem aí em 2016?”
Nesse artigo vamos mostrar algumas previsões feitas por especialistas sobre o que pode vir em 2016 quando o assunto é colaboração.

1. Robin Chase, cofundadora, Zipcar e Veniam, autora do Peers, Inc.
Desde que todos os tipos de transporte compartilhado parecem ser o futuro dos ambientes urbanos, eu sei que, definitivamente, teremos ainda mais disso em 2016.
Algo novo que eu espero ver são corridas compartilhadas em veículos compartilhados com pilotos autônomos antes que 2016 acabe.
2. David Bollier, cofundador, Commons Strategies Group, Commons activist, autor.
Em 2016, o discurso dos comuns vai ganhar mais força na política e na cultura convencional, já que isso estimula o desenvolvimento de uma estrutura colaborativa geral como uma crítica ao capitalismo neoliberal e, além disso, une as pessoas para desenvolver uma visão compartilhada sobre uma sociedade atual ecologicamente responsável. Essa tendência já pode ser vista em diversas iniciativas em países como Itália, França, Espanha, Grécia e Alemanha, onde existe um número considerável de pessoas comuns já auto-proclamadas.
Vamos ver uma série de inovações baseadas nas leis dos comuns ao redor do mundo, o que pode aumentar a abrangência do Regulamento de Bologna (que reinventa o governo da cidade como um parceiro das pessoas comuns), a licença Copyfair (que permite comunidades digitais a ganhar benefícios sobre a sua criatividade), e contratos digitais inteligentes (que buscam tornar possíveis as “organizações autônomas distribuídas”).
Também vamos ver um desenvolvimento intensivo da finança alternativa e sistema monetário, tais como bancos éticos e sociais, finanças cooperativas, novos tipos de bancos mutualizados e crowdequity, e moedas digitais que se esforçam para usar tecnologia de blockchain para beneficiamento coletivo.
Outra coisa que vai crescer é o interesse em “plataformas cooperativistas” como uma maneira de fazer o compartilhamento de network benéfico e não predatório. E, finalmente, as pessoas inspiradas pela Carta Encílica do Papa Francisco e desmotivadas pela conferência do clima em Paris vão começar a desafiar o neoliberalismo ortodoxo e buscar uma mudança real do sistema. Eu vejo que mais pessoas vão recorrer aos comuns como um “espaço de trabalho cultural” no qual vamos imaginar e construir alternativa que de fato precisamos.
3. Esteban Kelly, co-diretor executivo, US Federation of Worker Cooperatives
Em 2016, eu vejo um novo crescimento para o setor de cooperação do trabalhador e uma ambiente de trabalho mais democrático. Eu também acho que os movimentos e redes que clamam por justiça racial e econômica vão começar a se misturar com as nossas redes para lutar pela democracia econômica, e grande parte do crescimento das cooperativas de trabalhadores vai vir diretamente de esforços das comunidades negras e pessoas com acesso limitado a riqueza.
Eu também acredito que algumas construções de relacionamentos no início da organização internacional para o trabalhador cooperativas e justiça (???) do trabalho vai chegar a um novo nível, como infra-estrutura fundamental é construído para facilitar a organização transnacional para a democracia no local de trabalho, especialmente no Hemisfério Ocidental (esp. Do Caribe , o Cone Sul, e entre os EUA, Canadá, México e), e as nossas conexões com a Europa e Ásia Oriental.
4. Neal Gorenflo, co-fundador do Shareable
Em 2016, o movimento de cidades colaborativas vai ganhar mais visibilidade através de novos livros, eventos e também conquistas. O escalonamento das crises sociais vai fazer com que o compartilhamento e as pessoas comuns sejam uma solução sistêmica para esse tipo de problema. As cidades vão começar a seguir o mesmo raciocínio que levaram Seoul, na Coreia do Sul, a criar as iniciativas do Sharing City Seoul (se quiser saber mais sobre esse projeto iradíssimo, clica aqui). As cidades vão continuar desconfiando de serviços como Uber e Airbnb e ainda assim vão buscar soluções similares e controladas.
O movimento de plataformas de cidades cooperativas e compartilhadas vão se cruzar e ter uma sinergia. Uma abordagem glocal (uma única plataforma que reúne sob uma perspectiva holística os âmbitos local e global para a edificação de uma sociedade sustentável) para o crescimento cooperativo de plataformas vai surgir como uma boa alternativa ao que chamam de abordagem das Estrelas da Morte do Vale do Silício, plataformas que costumam fingir que estão do lado das comunidades somente para ganhar mais lucro.
Tenho alguns dados que apoiam as minhas previsões: o pessoal por trás do livro Sharing Cities (ainda não disponível em português) está fazendo um tour global. O Shareable vai publicar um livro sobre cidades compartilhadas e vai fazer um tour global e impulsionado por voluntários. O Shareable vai receber o terceiro #MapJam global e lançar campanhas de eventos colaborativos em conjunto com o People Who Share’s Global Sharing Week. Um dos principais grupos de reflexão de Israel, o Instituto de Estudos Israelitas de Jerusalém, vai receber um grande evento sobre cidades colaborativas. Várias versões locais do evento Platform Cooperativism, que foi hit ano passado, vão começar a aparecer. Uma aceleradora responsável de economia colaborativa começou a fazer sucesso em 2015. O Mayor Park de Seoul vai receber o maior evento de economia colaborativa da história.
5. Jeremiah Owyang, fundador do Crowd Companies
O financiamento feito pela Venture Capitals vai continuar aumentando, mas os valores vão ser menores se comparados com excesso de dinheiro investido em 2015. As startups terão que buscar uma adoção global, aquisição e influenciar corpos regulatórios. No ano passado, em 2015, os investimentos foram de US $ 14B, acima dos US $ 8B em 2014. Isto significa que o um porcento continuarão a ter participação acionária nas plataformas de compartilhamento de tecnologia globais mais populares. Daqui a 5-10 anos, esses investidores vão precisar ter seu dinheiro devolvido, forçando a monetização das plataformas, pessoas e produtos colaborativos.
Dito isso, nós vamos começar a ver um abalo dessas plataformas que serão incapazes de lidar com os concorrentes altamente financiados. Além disso, essas startups de tecnologia altamente financiadas estão se espalhando para outros setores e domínios: Airbnb vai passar para automação e Uber e Lyft estão se preparando para as frotas de auto-condução, o que vai impactar o emprego de mais trabalhadores. Isto significa que trabalhadores temporários e freelancers vão sofrer com mais falta de trabalho e serão substituídos por essas poderosas plataformas tecnológicas, já que robôs podem fazer o trabalho melhor, mais rápido, mais barato — sem a ameaça de ações judiciais por parte dos trabalhadores e sindicatos.
Para ler o texto completo, em inglês, é só clicar aqui:
Tradução livre: Rebecca Barreto