Bloco Livre Reciclato

Ruido e caos no dia dos mortos.


O Bloco Livre Reciclato que surgiu em uma situação emergencial, uma ação de despejo de uma ocupação de moradia na região do porto. Na tentativa de chamar atenção para a violência cometida, os atores juntaram mais de 60 latas e, durante horas, tocaram um som sem ritmo nem harmonia. O Bloco Livre Reciclato, além do apoio às ocupações, se formou também em protestos contra o MAR (Museu de Arte Moderna), contra a Copa do Mundo e emerge no dia dos mortos (2 de novembro), na Lapa. O Bloco Livre Reciclato, é uma formação aberta e agrega a todos contemplados pelo ruído das latas e o teor esquizofrênico da performances, por outro lado, atormenta os que passam, impedindo o trânsito dos carros e assustando turistas.

Reciclato 1 de Novembro de 2013, Video Linhas de Fulga.

O Bloco Livre Reciclato atua na Lapa, sempre no dia dos mortos (finados). Sua formação se deu em um momento emergencial, na necessidade de chamar atenção para a violência cometida contra moradores de uma ocupação na região do porto. A performance também emergiu na primeira desocupação da Aldeia Maracanã, em junho de 2013. Ela atrapalhou o discurso da presidente Dilma na festa de inauguração do MAR (Museu de Arte Moderna). Estiveram presentes em algumas manifestações um pouco depois de junho, já no período das manifestações pela educação (setembro-novembro de 2013), compondo com o ruído das latas uma sinfonia do caos junto aos estrondos das bombas e gritos de manifestantes. A construção alegórica desta performance se dá na reciclagem de todo material que produz ruído, encontrado nas ruas. A estética também é produzida com lixo e a maquiagem faz menção à morte. A criação de um espaço caótico, onde cada ator pode expressar-se da maneira que quiser, acaba por trazer à tona o que cada um tem de “doido”. Os gritos, o nu, danças frenéticas e o continuo ruído das latas batendo no asfalto perturba os que passam. Os gritos contra a copa do mundo, pela resistência da Aldeia Maracanã, contra o voto, palavras de ordem das manifestações são aqui enfatizadas no frenesi da festa na Lapa. O indígena que grita contra a copa, a garota nua que se debruça sobre o carro, onde o motorista toca a buzina freneticamente indignado, estudantes e trabalhadores que agarram as latas e se engajam na composição do caos. As pichações nos ônibus parados, um mascarado que sobe no ônibus e pendura em sua fachada uma placa: “Bloco Livre Reciclato, 513 anos de massacres, o dia dos mortos”. A polícia não sabe o que fazer. Como categorizar essas pessoas? Artistas vândalos? Travestis e mendigos se unem ao bloco. O Bloco Livre Reciclato é uma grande festa, onde os mortos voltam para atormentar os cúmplices da violência que se reúnem na Lapa apáticos aos acontecimentos.

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