Dom Francisco (fev/2016)

402 sul

Chegou a Restaurant week! Isso significa, é claro, que temos a oportunidade de buscar restaurantes que não participam dela, porque ninguém quer pegar fila eterna para comer um menu majoritariamente de picadinhos e escalopes de filé, né?

Esses dias tinha marcado com umas amigas de ir pela primeira vez ao Gatto Nero (que abriu recentemente) da 208 Sul, porque o do Lago Sul é bem gostoso, mas só em cima da hora percebemos que lá não abre para o jantar. Achei os horários esquisitos, aliás — segunda a sexta, das 10h às 19h, sábado das 10h às 17h e fechado aos domingos. Pensamos em substituir pelo Villa Tevere, mas as reservas para o dia haviam acabado por motivos de Restaurant week. Daí no dia tínhamos que passar na 402 sul antes, então decidimos ficar por ali mesmo, porque há uma variedade de lugares interessantes— Nippon, Dom Francisco, Palace Long Fu etc.

Já que a ideia era provar lugares por nós nunca visitados, decidimos ir ao L’Entrecôte de Paris, que é um lugar que sempre nos interessou, ainda que não com preferências intensas, já que só serve um único prato, o entrecôte com batata frita. O problema, colegas, é que o restaurante está na maldita Restaurant Week. Até achamos que podia ser um bom negócio — o menu não vai ser adaptação pro festival, visto que só há uma opção de prato na casa, então comê-lo mais barato podia ser legal. Só que tinha fila, óbvio. Esperamos um pouco, nas mesas do lado de fora, mas não rolou de ficar esperando só chamarem um milhão de mesas de duas pessoas. Bora pra outro lugar. Vinte passos pra cima, tá lá o Dom Francisco.

Acho o Francisco um restaurante tradicional da cidade que manteve a dignidade muito bem. Era, para mim, um daqueles lugares que se vai com gente mais velha da família, com gostinho bom de anos 90. Sim, isso significa farofa de ovos e creme de papaia. Na verdade, lá é muito sou-classudo, com bar na entrada.

Como é um lugar tradicional, a freguesia do Francisco tem uma certa cara de Esplanada dos Ministérios, mas lá não é daqueles #restaurantesqueteoprimem, como diz uma amiga minha. Brasília é cheia deles: lugar que tem comida boa em um ambiente que te faz desconfortável, tipo o Gero, o Bottarga ou a Trattoria da Rosario (seria um mal de restaurantes italianos?). São restaurantes com comida excelente, mas com tanto protocolo que dão preguiça. O Francisco não é assim.

Começamos com o couvert, que não tem nada de mais. Cesta de pães acompanhada por alho assado, manteiga com ervas, azeitonas, queijo, tomate seco, abobrinha e berinjela no azeite. A abobrinha e a berinjela estavam sem gosto, mas as azeitonas estavam boas. O resto estava ok.

Como prato principal, pedimos as carnes na brasa (dois bifes anchos, um bife de chorizo e um salmão) e, como acompanhamento, farofa de ovos ❤, arroz com brócolis e arroz negro com shitake. As carnes vieram no ponto certinho que havíamos pedido. Estavam gostosas, embora não fosse a carne mais deliciosa que já comi na vida. A farofa e o arroz com brócolis, por sua vez, estavam ótimos, no nível saudades-do-passado.

Para beber, escolhemos um Cabernet Sauvignon Altosur 2013 (eeê, dessa vez lembrei de olhar o ano!). Não é o melhor vinho do mundo, mas é bem digno. O Francisco é bastante conhecido pela excelente adega, mas não há aquela variedade imensa de vinhos com preço abaixo de três dígitos. Pra fugir do Finca La Linda Malbec, que acho ok mas meio ordinário, pedimos esse Altosur e achei que valeu a pena.

De sobremesa, compartilhamos um petit gâteau e uma torta de castanhas do pará. Olha, que delícia a torta de castanhas! Demais! Todo mundo adorou.

Resumindo, foi uma ótima escolha: comida com gosto de passado feliz, sobremesa deliciosa, vinhozinho acalentador, ambiente confortável, atendimento atenciosíssimo, sem fila mesmo chegando na hora do caos da sexta à noite. É claro que, sendo restaurante chique de Brasília, é caro.