Ego

Estava sentado naquele mesmo banco, daquela mesma praça que frequentava desde novinho. Estava do lado esquerdo pois, apesar de ser ambidestro, sempre o preferiu . Talvez por ser o lado mais racional. Como saber? Sempre o mesmo trajeto, as mesmas, e agora, velhas roupas. Sempre aquele olhar opaco, fosco e aquela cara apática.

Eu o observava em silêncio e sabia que havia sido diferente. Ainda havia resquícios de quem era. Não o reconhecia, mas sabia que era o mesmo. Porém, a erva daninha do comodismo se apossou e nada deixou crescer. Talvez faltasse abrir a janela e enxergar o que lhe parecia comum a todas as manhãs. Talvez faltasse perceber que a rotina, o comum, ainda que maçante, é belo. Talvez faltasse perceber que escolhemos o que possuímos no presente. Talvez falta expandir minha percepção pelas sinapses, estimulando todo o corpo que habito. Perceber que de nada adianta minhas autocríticas se não as pratico ou ,ao menos, tento. Talvez eu esteja enraizada nas minhas manias, no meu comodismo e tenha esquecido que mudar é manter-se vivo. É preciso perceber quando as roupas não lhe cabem, sentir o que nos faz vibrar, deixar o velho banco e seguir por entre os diversos caminhos existentes

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