Foto by Istiaque Emon

As cidades cresceram e nos fizeram esquecer como andar

Mesmo assim, caminhamos mais do que você imagina. Mas ainda é pouco!

Por, Diego Bonel

Os primeiros passos de um bebê são comemorados em todas as famílias. Aquele andar meio desequilibrado é o início de um aprendizado que nos garante autonomia e independência durante toda a vida. Porém, embora o caminhar seja algo natural, aos poucos, passou a ser sinônimo de sacrifício. Mas afinal, quando nos esquecemos e perdemos o prazer de andar, de caminhar pelos espaços?

Quem mora em grandes cidades já percebeu que em alguns lugares é praticamente impossível ter acesso andando. Isso porque, durante o século XX, os modelos urbanísticos implantados privilegiaram o transporte de pessoas e mercadorias por veículos a motor, não necessariamente transporte coletivo.

Apesar disso, é caminhando que o brasileiro se move

Mesmo com todas as dificuldades e obstáculos que nossas cidades apresentam, segundo a Associação Nacional de Transporte Público (ANTP), em 2012 cerca de um terço dos descolamentos diários no país era realizado a pé.

Se colocamos nessa conta o tempo de caminhada combinado com outros modos de transporte, esse número é ainda maior, superando os dois terços. O que dá à mobilidade a pé o posto de meio de deslocamento mais popular do Brasil.

Foto by Annie Spratt

Mobilização, transformação urbana e infraestrutura são os pilares da mudança

As ideias aparecem nos mais diversos cantos do país. A mobilidade ativa é um tema que vem ganhando cada vez mais espaço na discussão do futuro das cidades que queremos.

É importante mobilizar e disseminar conhecimento, sensibilizando quem ainda não é familiarizado com o tema. Certeza de que muitos vão começar a olhar com mais atenção para alguns dos seus argumentos.

A transformação urbana é possível com a implantação de projetos de infraestrutura que assegurem a acessibilidade, a segurança e a conectividade com outros modos de transporte, em projetos públicos e também em parceria com a iniciativa privada.

Esse movimento colabora para que a ideia ganhe força e comece influenciar as políticas públicas, marcando presença nos planos diretores, planos de mobilidade e demais iniciativas que garantam que os direitos conquistados não sofram retrocesso por mudanças políticas.

É sobre esses dados que o pessoal da Cidade Ativa e Corrida Amiga vai se debruçar durante a pesquisa Como Anda. Apoiado pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), o grupo vai mapear organizações engajadas na mudança do paradigma da mobilidade urbana em várias pontos do país rumo à priorização do caminhar.

A pesquisa começará no início de abril. Para saber mais, curta nossa página no Facebook e fique esperto no espaço do Medium. Se ficou com dúvidas e quer mais esclarecimentos, escreva para contato@comoanda.org.br.