Como Anda a mobilidade a pé no cicloativismo?

Ao longo das últimas décadas, os movimentos pró-bicicleta no país influenciaram políticas públicas, ganharam espaço na mídia e concretizaram muitas ações que impactaram positivamente muitas questões estruturais e também culturais nas cidades brasileiras. Os esforços e conquistas deste movimento são grande inspiração para o movimento pedativista, que começou a surgir com força a partir de 2010 no país. Nos últimos meses, o Como Anda vem se inserindo nas discussões da bicicleta junto à União de Ciclistas do Brasil — UCB, dado que o alinhamento das pautas pela mobilidade ativa unida se mostrou muito relevante para atingir nossos objetivos: uma cidade mais humana e segura para pedestres e ciclistas.

Abertura do Bicicultura 2017

O Bicicultura, maior evento nacional sobre cicloativismo e mobilidade por bicicleta promovido pela sociedade civil, aconteceu entre os dias 07 e 10 de setembro e o Como Anda esteve presente participando das atividades e oferecendo uma oficina para discutir como o movimento cicloativista também pode atuar pelos pedestres. Organizações que trabalham com foco na mobilidade ativa também marcaram presença, como MobiRio, Cidadeapé, SampaPé e Observatório do Recife. Trata-se de um passo importante para aproximar cada vez mais os movimentos em prol da bicicleta e do caminhar.

Um dos eixos de discussão propostos no Bicicultura 2017 foi o fortalecimento da união/intercâmbio do cicloativismo e suas articulações com outras pautas, local e nacionalmente. Ao lado de temas como feminismo, habitação, meio ambiente, a mobilidade a pé foi uma das pautas debatidas a partir da ótica da bicicleta. Para o Como Anda, foi uma oportunidade importante para inserir o tema junto a grupos já fortalecidos em diversas partes do Brasil.

“Acho que a gente tem muito a trabalhar ainda com o movimento cicloativista. Trabalhando junto a gente vai conseguir chegar mais longe”
Glaucia Pereira, Cidadeapé.
Apresentação da equipe Como Anda

Para a elaboração do conteúdo da oficina “Como Anda o movimento cicloativista pelos pedestres?”, foram envolvidas organizações recifenses pró-bicicleta e pró-mobilidade a pé como Ameciclo, INCITI e Movimento Olhe pelo Recife. Com o objetivo de iniciar um Plano de Ação da Mobilidade Ativa, as atividades da oficina contemplaram um Quizz da Mobilidade a Pé para instigar os participantes a refletirem e aprenderem dados sobre a mobilidade a pé no Brasil; rodadas de discussão no modelo World Café sobre lacunas, maneiras de fortalecer a atuação, ações necessárias para integrar os movimentos a pé e de bicicleta; elaboração de uma grande planilha ligando desafios, possíveis soluções e ações debatidas e configurando uma primeira versão do Plano de Ação da Mobilidade Ativa. Por fim, os participantes puderam indicar possíveis atores para cada uma das ações indicadas como um primeiro exercício para que as organizações pudessem se enxergar, ou ainda enxergar outros grupos, nesse plano.

Quizz da Mobilidade a Pé
“A oficina foi muito proveitosa porque a gente pode identificar a necessidade de mais discussão do tema. Hoje temos espaços espaços específicos de discussão do ciclismo e precisamos ampliar os espaços da caminhabilidade, da mobilidade a pé
Joanna Almeida, MobiRio.
World Café da Mobilidade Ativa

Dentre os principais pontos debatidos pelos participantes, chama a atenção a menção a algumas barreiras para o cicloativismo também atuar pelos pedestres como: a falta de uma visão ampla sobre o tema da mobilidade ativa, a percepção de que o caminhar traria uma nova agenda e novas dedicações para os grupos, o conflito entre pedestres e ciclistas no espaço físico das cidades e a falta de articulação das redes.

Participantes da oficina

Quanto ao apontamentos de possíveis soluções e ações para a integração da mobilidade a pé e de bicicleta, foram listados pelos participantes: debate sobre o que é a mobilidade ativa, apoio e atuação direta pelos pedestres, criação de uma agenda comum e de uma rede de mobilidade ativa, criação de um encontro nacional sobre o tema da mobilidade sustentável, além do desenvolvimento de projetos e campanhas em conjunto. A planilha colaborativa com o resumo do plano de ação elaborado pelos participantes pode ser acessada aqui.

Apesar de estar no mesmo grupo familiar, ficou claro que os grupos da bicicleta não conhecem as necessidades e a luta da mobilidade a pé. Se não há esse conhecimento e esse entendimento do que temos em comum, nunca haverá articulação e ações integradas
Lígia Lima, Observatório do Recife e Ameciclo.

Mais do que definir ações concretas e imediatas pela integração da mobilidade a pé, a oficina revelou-se como um espaço fundamental e ainda novo para a discussão do tema. Trata-se de um primeiro passo rumo a essa aproximação e que deve ser fomentado junto a outros espaços.