Como Anda em Habitat III

De 17 a 20 de outubro, aconteceu na cidade de Quito, capital do Equador, a Habitat III, conferência das Nações Unidas sobre habitação e desenvolvimento sustentável que ocorre a cada 20 anos para propor diretrizes e orientações para as cidades realizarem seus planos.

Vaga Viva por Despacio (Colombia) e Biciacción (Equador)

No conjunto de inúmeros painéis, exposições e intervenções dentro e fora de Habitat III, viveu-se uma efervescência em relação às questões urbanas, e a mobilidade ativa foi destaque. Organizações, coletivos e ativistas dos quatro cantos do planeta se encontraram a fim de dar visibilidade à pauta no marco da nova agenda urbana.

Foto: Guilherme Tampieri.

Neste cenário, no rico tecido social equatoriano, ocorreram vários eventos paralelos alinhados ou críticos à Habitat. O fato é que dezenas de milhares de pessoas se reuniram para pensar as cidades que queremos para os próximos anos. Grupos em favor da humanização das cidades, da ocupação dos espaços públicos, do direito à cidade, da promoção da mobilidade ativa (a pé, em bicicleta) marcaram presença. Dentre os quais, destacamos a participação de Andrew Oliveira do COMO ANDA, que apresentou a pesquisa na sessão “Compartilhando experiências a partir da visão dos não-motorizados” no marco de Resistencia Habitat III. Ao lado de várias organizações com a pauta da mobilidade sustentável, como as brasileiras Bike Anjo e Transporte Ativo, promoveu-se um importante espaço de diálogo e intercâmbio em favor cidades menos dependentes dos meios de transporte motorizado.

Acompanhamos também a participação de mais duas organizações mapeadas pelo COMO ANDA: Instituto A Cidade Precisa de Você e o INCITI. Ambos amplificando globalmente a temática dos espaços públicos.

Laura Sobral (Instituto A Cidade Precisa de Você) em entrevista para rádio. Reprodução: Facebook (KUWA).
Intervenção do INCITI na Habitat3 Village — “Eu quero nadar no meu rio”. Reprodução: Facebook (INCITI).
FMB6. Foto: Mariana Orozco.

Fortaleceu-se ainda mais a rede latinoamericana entre as organizações que promovem a mobilidade a pé. Tivemos a oportunidade de participar das sessões acerca do 6º Fórum Mundial da Bicicleta (México), no qual se debateu a importância de eventos como esse reverberarem em mudanças concretas que de fato priorizem os modos ativos, ademais reafirmamos a relevância das agendas da ciclomobilidade e da mobilidade a pé sempre caminharem juntas.

Por fim, houve uma reunião das organizações da América Latina que atuam em prol da mobilidade a pé: o I Encontro Latinoamericano de Pedestres.

Apresentamos o cenário brasileiro e a própria pesquisa COMO ANDA. Além disso, elaborou-se um documento a fim de fazer uma análise comparativa entre a realidade e demandas de cada um dos países representados.

Em apenas uma semana, tivemos a oportunidade de viver toda a intensidade de uma conferência dessa magnitude. Ao partilhar aprendizados, experiências e vivências, está muito claro que cidades inclusivas, sustentáveis e compactas — conforme preconizava a publicidade oficial de Habitat III — são cidades acessíveis e caminháveis. E, por isso, lutaremos!