Como Anda na Walk21

Foto: Walk21, 2017

A equipe do Como Anda representada por Silvia Stuchi (Corrida Amiga) e Ramiro Levy (Cidade Ativa), embarcaram para Calgary (Canadá), com apoio do ICS (Instituto Clima e Sociedade), cidade que sediou a Conferência Walk21 de 2017.

Walk 21 quer dizer Caminhando no Século XXI. É uma organização que vem desde 2000 discutindo e incentivando que as pessoas andem mais pelas cidades, melhorando suas as condições de caminhabilidade, os impactos no meio ambiente, na saúde e qualidade de vida das pessoas.

Em sua 18ª edição, a Conferência Internacional Walk 21 em Calgary teve importante participação da Prefeitura e da Universidade de Calgary, bem como de representantes de diversas partes do Canadá e de vários outros países.

Foto: Walk21, 2017.

Durante o evento, a equipe do Como Anda marcou presença em muitos momentos e os resultados apresentados do mapeamento que vem buscando compreender o movimento pela mobilidade a pé no Brasil foram recebidos com muito entusiasmo. A seguir destacamos os principais momentos deste evento:

Pré-conferência: America Walks

Na pré-conferência, durante a oficina do America Walks, facilitada por Heidi Simon e Kristen Henry, foram trazidos elementos e percepções da Conferência da America Walks (AW), que ocorreu nos EUA entre 13 e 15 de setembro. America Walks é uma organização sem fins lucrativos que há 20 anos lidera o movimento que busca tornar os Estados Unidos mais caminhável.

Entre os participantes da oficina, num momento inicial de troca sobre os desafios para a mobilidade a pé no mundo, foram citadas questões como infraestrutura, legislação, contexto político-econômico. No entanto, destacou-se o reconhecimento da “identidade do pedestre”: como tornar atrativo o andar a pé? Pois, uma vez que somos 100% (todas as pessoas são pedestres) por que a rede de mobilidade a pé e as legislações não estão condizentes com esta demanda? Nesta linha, Heidi e Kristen apresentaram a campanha realizada pela America Walks: How I Walk? (Na tradução livre para o português: Como eu ando?) — com o objetivo principal de repaginar a imagem do caminhar.

Foram abordados os seguintes pontos, seguidos de trocas de experiências das organizações participantes: visão geral da caminhabilidade no mundo e localmente; como desenvolver uma rede nacional pela mobilidade a pé — parcerias em desenvolvimento e colaborações; como aumentar e melhorar a mobilidade a pé através de campanhas; habilidades de comunicação; fontes e recursos para financiamento de iniciativas; indicadores e dados de avaliação da rede de organizações. O projeto Como Anda foi destaque no tema Developing a Network of Advocates — Case Study Presentation: “Como Anda” — Developing a National platform for advocacy networking. A apresentação e o vídeo destacaram de forma sucinta os esforços do projeto em criar uma plataforma para fortalecer o movimento no Brasil, com destaque para o Plano de Ação 2017–2018: (1) fortalecer a pauta; (2) fortalecer as organizações; e (3) articular o movimento pela mobilidade a pé no Brasil.

Fonte: Como Anda, 2017.

No tópico de avaliação, foram apresentados pela equipe da America Walks os dados da análise da rede de organizações mapeadas nos Estados Unidos (a pesquisa completa de 2013 pode ser baixada aqui). De imediato, há várias similaridades com a análise do cenário brasileiro identificadas pelo projeto Como Anda, como escassez de recursos humanos e financeiros, maioria das organizações tem até 10 pessoas e pouco menos da metade das organizações não possuem recursos financeiros para realizar as atividades.

Ainda na oficina, na apresentação de Mário Alves, da Federação Internacional dos Pedestres, foram destacados vários exemplos pelo mundo que abordam a mobilidade a pé, tais como: Jogo da Serpente (Portugal); atuação da Liga Peatonal no México, os Bondes a Pé e a Campanha Calçada Cilada da Corrida Amiga, bem como o Safári Urbano e as Leituras Urbanas realizadas pela Cidade Ativa. Na sequência, Ole Thorson apresentou o trabalho da Asociación de Viandantes A Pie e o vídeo da campanha Activa Madrid Peatón). Por fim, dentre os exemplos de iniciativas, o trabalho do Canada Walks apresentado por Clifford Maynes trouxe as recentes conquistas da organização em relação ao desenvolvimento de uma Estratégia Nacional de Mobilidade Ativa para o Canadá e as Rotas Ativas e Seguras para a Escola.

Conferência Walk 21

O evento começou com o relato de Stanley Vollant e como ele faz de suas caminhadas espirituais uma inspiração aos jovens na região nordeste do Canadá, seguido pelas apresentações rápidas (de 1min cada) dos posters que ficaram expostos na Prefeitura de Calgary.

Na sequência, o Prefeito de Calgary, Naheed Nenshi destacou seus esforços na transformação que a cidade vem buscando a partir do Plano de Desenvolvimento Municipal e Plano de Transporte de Calgary desenvolvido em 2011, que possui metas definidas para a promoção da caminhabilidade, tratando a mobilidade a pé e de bicicleta como uma das prioridades nas políticas urbanas da cidade.

No caso de Calgary, a Universidade tem se mostrado como uma liderança neste processo, em especial, no papel de avaliação e monitoramento da implementação da política de caminhabilidade. O que mostra a relevância da parceria “academia e gestão pública” como um importante caminho para a promoção efetiva da comunidade acessível e caminhável.

Na hora do almoço, ocorreu uma caminhada pela cidade do local da conferência à prefeitura (cerca de 1 Km), guiada pelo prefeito de Calgary, que mostrou a Stephen Avenue, principal rua de pedestres de Calgary.

Foto: Walk21, 2017.

O final da caminhada se deu na sede da Prefeitura, onde vários posters de participantes da Walk 21 estavam expostos, com os autores e autoras no local para explicarem seus trabalhos.

Foto: Walk21, 2017.
Foto: Walk21, 2017.

Na parte da tarde, realizamos a apresentação oficial do Como Anda Como Anda — A New Hub for the Pedestrian Mobility Movement in Brazil” na mesa de “Grassroots Campaigning and Advocacy”. Estava presente na mesa também Will Craig, do Kasian (Canadá), um dos responsáveis pelo primeiro projeto de ativação de vielas (laneways) em Calgary, com a apresentação: Welcome to The Backyard Introducing Calgary’s First Laneway Activation Project!. A ideia geral consiste em, enquanto a 17ª avenida está em reconstrução, realizar intervenções temporárias no entorno, especificamente nas vielas (ruas de serviço entre ruas principais) para manter o público frequentando o bairro. A festa de inauguração do projeto aconteceu no último dia da conferência Walk21 e o resultado pode ser visto em mais detalhes nesta notícia aqui. A mediação do debate foi feita por Shamez Almani, da Pedestrian Sundays in Kensington Market (Toronto, Canadá), que trouxe elementos do movimento pela mobilidade ativa local e evidenciou a importância da iniciativa Como Anda para promover trocas, parcerias, conhecer (e se reconhecer) no cenário.

Fonte: Como Anda, 2017

No dia 20/10 pela manhã, Silvia (Corrida Amiga) e Ramiro (Cidade Ativa), organizações que realizam o projeto Como Anda, estiveram na assembleia geral anual da International Federation of Pedestrians (IFP), conduzida por Mário Alves. A Federação está crescendo, e novos membros brasileiros (como Corrida Amiga e o SampaPé!) estão aderindo à rede internacional.

Nas apresentações das plenárias, Shin-pei, diretora executiva do Instituto Ghel, realizou a fala de abertura do dia com a apresentação de “Vida a 5km/hora”: vida pública e mobilidade a pé. Tivemos o prazer de encontrá-la no intervalo e entregar um exemplar do livro Cidades de pedestres: a caminhabilidade no Brasil e no mundo, organizado por Victor Andrade (LABMOB UFRJ) e Clarisse Cunha Linke (ITDP Brasil), no qual a equipe Como Anda é autora de um dos artigos.

Foto: Como Anda, 2017.

Na mesma manhã, ouvimos Billie Giles-Corti detalhando as pesquisas que vem conduzindo na Austrália em relação ao ambiente construído e seu impacto nos hábitos e na saúde dos seus moradores. Ela discutiu os fatores que influenciam o sucesso de políticas locais de desenho urbano e como melhorias nas condições de caminhabilidade de um bairro podem trazer um aumento na quantidade de pessoas caminhando.

No período da tarde, Silvia Stuchi mediou a mesa “Reclaiming Streets for Walking: Testing Novel Ideas and Strategies”, com a presença de Tamara Bozovic (New Zealand Transport Agency, Nova Zelândia) e Bronwen Thornton (diretora da Walk21, Reino Unido).

Além dessas participações, a equipe Como Anda se reuniu com Bronwen e Jim, organizadores da Walk 21, para conversar sobre as possibilidades de realizar o evento no Brasil nos próximos anos, tendo em vista o fortalecimento do movimento pela mobilidade a pé no Brasil e sua maior participação no cenário internacional. A proposta foi recebida com entusiasmo, ao mesmo tempo que são necessários vários passos até que um evento deste porte possa ser realizado no país.

Na reunião foi abordada ainda com ênfase a importância de uma futura expansão da ferramenta (plataforma online) Como Anda para outros países, dada sua capacidade de coleta de informações e disponibilização dos dados de maneira aberta para todas as pessoas interessadas. A própria Walk 21 identifica a necessidade de uma plataforma que congregue em um único local informações das organizações participantes da conferência.

Em resumo, há muitas iniciativas em andamento no mundo em prol de cidades mais caminháveis, inclusivas e sustentáveis. Conferências desta natureza contribuem para o fortalecimento da agenda, das organizações e também para articulação do movimento pela mobilidade a pé mundial, reforçando o cenário de boas perspectivas e parcerias frutíferas para continuar trabalhando com o tema.

Se quiser saber mais, veja a programação completa do evento disponível aqui. Em breve disponibilizaremos outros relatos sobre o que foi apresentado e discutido na W21 em Calgary. Aguardem!