Como Anda no maior evento sobre transportes do mundo

Lobby do Evento. Crédito: Equipe Como Anda

Aconteceu em Washington, capital dos Estados Unidos, o maior evento voltado para profissionais que atuam na área de transporte. De 13 a 17 de janeiro de 2019, a cidade americana sediou a 98ª (!!!) Reunião Anual do Transportation Research Board (TRB), que contou com mais de 10.000 profissionais do mundo todo. Gabriela Callejas, da Cidade Ativa, teve a oportunidade, com apoio do iCS, de representar o projeto Como Anda no evento ao lado de colegas brasileiros do World Resources Institute (WRI) Brasil, Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP), Casa Fluminense, LABMOB, entre outros.

Esse ano, o tema destaque foi “Transporte para um Futuro Inteligente, Sustentável e Equitativo”. O programa da reunião buscou contemplar toda a diversidade de meios de transporte, com mais de 5.000 apresentações em quase 800 sessões e oficinas, abordando tópicos de interesse para formuladores de políticas, administradores, profissionais, pesquisadores e representantes do governo, indústria e instituições acadêmicas.

Como era esperado, muitos dos trabalhos abordaram sustentabilidade através da lente da descarbonização do transporte, que traz estratégias como mudanças no combustível e fontes de energia, e aumento de eficiência de veículos (sendo veículos elétricos e autônomos temas bastante recorrentes no evento). O terceiro pilar desse processo, como defendido por Daniel Sperling, da UC Davis, um dos “gurus” do tema, são mudanças no padrão de mobilidade, que inclui reordenação territorial (com, por exemplo, mudanças de uso do solo e densidades). Esse terceiro aspecto que visa, acima de tudo, reduzir as distâncias percorridas pelos indivíduos (e, portanto, por veículos) valorizando a mobilidade ativa, ainda foi pouco debatido na reunião: alguns julgam ser uma estratégia menos eficiente ou difícil de ser implantada. Fica a reflexão: será que na realidade, em um evento como esse (que também promove empresas e profissionais em grande parte ligados aos sistemas motorizados de transporte), essa seria a estratégia menos interessante e conveniente de ser explorada?

Mas, para aqueles que atuam em mobilidade ativa, uma boa notícia: ainda que de forma tímida, a temática está sendo introduzida nos encontros anuais do TRB. Nesse ano, foram 14 sessões focadas em mobilidade a pé e ciclomobilidade, 6 oficinas, 11 sessões de pôsteres e 17 reuniões de comitês e grupos de trabalho. Diversos pesquisadores e profissionais, principalmente dos Estados Unidos e países na Europa e Ásia, apresentaram trabalhos voltados para avaliação do ambiente construído, perfil de usuário e para discussão de projetos e políticas públicas que têm como foco ciclistas e pedestres. Os temas transversais mais recorrentes, que serviram como pano de fundo para esses estudos e apresentações, foram segurança, mudanças climáticas, descarbonização do transporte e equidade (com foco em renda, gênero e raça).

E para fechar a semana e aproveitar a viagem, a WRI, em parceria com o Banco Mundial, promoveu o 16º encontro do Transforming Transportation (TT), também em Washington. O evento reuniu mais de 1.100 participantes e 21.000 visitas na página online com streaming das apresentações. Os debates trouxeram pontos de vistas, muitas vezes antagônicos, entre aqueles que promovem os diversos modos de transporte, tanto ativos, quanto motorizados, tanto individuais, quanto compartilhados, em diversas regiões do mundo. “Equidade” foi também um tema recorrente no TT e revela as desigualdades tanto do planejamento quanto do financiamento, da implementação e da própria discussão sobre o tema mobilidade. As gravações das sessões na plenária podem ser acessadas através do World Bank Live.

Mais informações:

TRB: http://www.trb.org/AnnualMeeting/AnnualMeeting.aspx

TT: https://www.transformingtransportation.org/