Passinhos da garotada, grandes saltos para a mobilidade a pé

As crianças têm muito a nos dizer. E, ao escutá-las, de modo genuíno, podemos ter uma melhor compreensão sobre o mundo, refletir e propor ações reais de intervenção na realidade local que garantam espaços públicos para práticas lúdicas e sociais e, sobretudo, visando a construção de uma cidade mais justa, igualitária e melhor para todos.

Mas como construir essa cidade se nosso planejamento urbano não inclui a visão e opiniões dos pequenos? Como podemos ter ruas cheias de crianças se as ensinamos que andar nas calçadas é perigoso? Como criar cidadãos conscientes e engajados se os “trancafiamos” desde pequenos em apartamentos, condomínios, carros?

Como resposta a esses questionamentos, diversas organizações pelo Brasil estão empenhadas em trazer as crianças para a discussão da mobilidade a pé. Sabe como? Desencapsulando-as e levando-as para vivenciar o lado de fora!

Baseados em princípios de educação e cidadania, iniciativas como Exploradores da Rua do APĒ, Carona a Pé, A Pezito, Agentes Mirim do Trânsito do Brasília para Pessoas e oficinas da red OCARA levam a criançada para a rua, proporcionando autonomia e segurança para os pequenos. Ao propiciar às crianças experiências como caminhar até a escola, casa do colega ou parquinho, garantimos, a longo prazo, mais adultos conscientes dos benefícios e atrativos do andar a pé, já que é na infância que se começa a desenvolver os hábitos.

Mais do que isso, estar do lado de fora traz muitos aprendizados, e andar a pé é uma maneira de formar um cidadão. Ao despertar a curiosidade pelos espaços públicos da cidade, os pequenos aprendem sobre as mais diversas possibilidades escondidas nos trajetos: o fruto de uma árvore, a loja da esquina, a conversa com o colega, o buraco na calçada. São experiências que vão ajudar, não só a construir um imaginário positivo do caminhar, mas também trazer elementos para aprendizado da cidadania e pertencimento à cidade. E,quando uma criança se sente parte de um lugar, ela deixa de olhá-lo através da janela do carro e passa a cuidar dele.

Crianças na rua trazem também aprendizado para os mais velhos. Ao dar maior visibilidade aos pequenos nas vias, os adultos são convidados a refletir sobre o tipo de cidade que desejam e as necessidades da garotada, propiciando um cenário mais aberto a medidas que tornem as ruas melhores para todos: redução de velocidade áreas exclusivas para pedestres, tempos semafóricos e sinalização adequados, entre outros.

Como andam nossas crianças?

Você já parou para pensar que há apenas algumas décadas a maioria das crianças ia para a escola a pé? Talvez você não acredite se sua infância foi marcada por longos e monótonos trajetos dentro de um carro ou perua escolar, mas pergunte para seus pais ou avós como eles se deslocavam. Andar para a escola era o meio de deslocamento mais comum entre os pequenos, e nenhuma mãe ou pai se desesperava com essa ideia.

Pesquisas revelam que, nos últimos dez anos, houve uma queda de dez pontos percentuais no uso do transporte ativo entre as crianças e adolescentes. Fora todo o aprendizado e vivência da cidade que se perde com isso, assistimos a um crescimento alarmante dos índices de sobrepeso e obesidade infantil em todo o país. Provavelmente muitos pais não saibam, mas escolher o carro como forma de deslocamento traz, também, consequências para a saúde do seu filho.

Confira os vídeos que as organizações enviaram para o Como Anda e saiba mais sobre essas incríveis iniciativas que colocam os pequenos para andar!

Conhece organizações ou iniciativas que promovem mobilidade a pé para qualquer idade e em qualquer lugar do Brasil? Convide-as a participar no www.comoanda.org.br. Se precisar de mais informações, é só escrever para contato@comoanda.org.br.