Resultados e Perspectivas: Plano de Ação coletivo para fortalecer o movimento pela mobilidade a Pé

Desenhar e pactuar um Plano de Ação coletivo para fortalecer o movimento pela mobilidade a pé no país. Este foi o principal objetivo da Oficina Como Anda, realizada em São Paulo, no dia 20 de julho, pelas organizações Cidade Ativa e Corrida Amiga, com apoio do Instituto Clima e Sociedade.

Mais de 30 organizações de sete cidades do Brasil enviaram representantes para o encontro e outras sete organizações participaram virtualmente, representando mais seis cidades. As dinâmicas foram orientadas em três eixos, definidos coletivamente em encontros anteriores: fortalecimento das organizações, fortalecimento da pauta e articulação e fortalecimento da rede.

Entre as discussões contempladas, facilitada pela equipe composta por da Heloísa Mota, Rafael Fernandes e Juliana Russar, estão: o mapeamento de conquistas e desafios, revisão e olhar crítico sobre os objetivos das entidades e reflexão sobre os principais questionamentos que surgiram nos debates.

Na dinâmica “Como Anda o Movimento” as organizações relembraram histórias e conquistas do movimento pela mobilidade a pé no Brasil. O exercício auxiliou na identificação de desafios e conquistas comuns entre as Organizações/movimento. Além disso, cada Organização/movimento compartilhou objetivos individuais (Tabela 1).

Tabela 01 — Resumo da “avaliação das principais conquistas e desafios do movimento, tomando como referência os três objetivos do projeto”

Foram diversas conquistas levantadas pelos participantes, como: o reconhecimento do tema; avanço do trabalho de advocacy pelo movimento; facilidade de conexão da pauta com outras temáticas, como saúde e qualidade de vida, e Movimentos ganhando maior visibilidade não apenas em eventos específicos de mobilidade a pé. Os desafios comuns estão no levantamento de dados e métricas para construção de indicadores de performance para buscar financiadores; pouco conhecimento das organizações sobre como obter recursos (financeiro, mas não apenas) para implementação de projetos; necessidade de ampliar o debate de forma mais democrática, além de sentirem falta de uma representatividade nacional do Movimento e de desejarem maior conexão geográfica entre os mesmos, construção e visão de planejamento coletivos. Os principais encaminhamentos são reflexo das análises do atual status apreendido sobre o movimento, como a intenção de criar uma rede online e também offline para trocas entre parceiros e também comunidade local .

Na Tabela 2 abaixo, desenvolvida com base no registro da Oficina, são identificados temas de maior destaque e com maior potencial de ação e envolvimento dos movimentos presentes, organizados à luz dos principais eixos em discussão no encontro.

Tabela 2 — resumo do “temas e soluções propostas pelos participantes ao longo da Oficina analisados sob o prisma das três principais linhas de atuação do Projeto Como Anda”

Foi pontuado no tema de reconhecimento e organização da Rede, a clareza desse papel e em como as necessidades coletivas podem contribuir no papel individual das organizações, bem como otimizar a comunicação entre elas através de um trabalho coletivo. No tema apresentado sobre aprimoramento dos trabalhos, a ampliação do diálogo com instituições de pesquisa, academia, órgãos públicos como forma de argumentar e aprimorar Políticas Públicas existentes surge como fortalecimento da Pauta. Uma das ações possíveis a ser implementada foi apresentada através da ideia de criar uma campanha nacional, promovendo eventos locais, regionais, a partir de objetivos em comum.

No final do Encontro, os grupos priorizaram dois desafios e duas conquistas que mais chamaram atenção na conversa e/ou que melhor convergiam entre os participantes. A Tabela 3 apresenta uma visão geral das avaliações dos grupos sobre as principais conquistas e desafios do movimento e das organizações.

Tabela 3 — “resumo dos resultados da atividade realizada em Grupo sobre objetivos, desafios e conquistas do movimento”

Para os participantes o Movimento avançou em diversas questões, como ter pautado processos de discussão da política pública e consenso de que há uma avaliação positiva da população nas intervenções voltadas à mobilidade ativa. Entretanto, à medida que os avanços seguem, os desafios se reconfiguram. Abordar o tema da mobilidade ativa fora dos grupos que atuam nesse nicho, assim como dar escala para que essa mudança cultural aconteça, são algumas das questões apresentadas.

Como possíveis encaminhamentos[1], com base na experiência do Encontro, destacam-se:

  • Compartilhar resultados do Encontro com os participantes da reunião, relembrando os compromissos e refazendo acordos;
  • Construção de uma visão Compartilhada sobre Princípios e Valores da Rede[2];
  • Criação de Grupos de Trabalho;
  • Identificação de possíveis canais de comunicação (Facebook, E-mail, Telegram), objetivos do grupo de discussão e temas de interesse que seriam discutidos no canal, participantes, responsabilidades;
  • Todas as organizações apresentam seus próprios projetos e apresentaram novas ideias, as quais demonstraram estar engajadas em desenvolver coletivamente. Além dos projetos, é válido um mapeamento das organizações que estejam interessadas em realizar projetos em parceria. O mapeamento desses projetos, em vista de critérios que os qualifiquem com potencial para obtenção de financiamento de organizações filantrópicas, editais, entre outros meios de aquisição de grandes financiadores é um primeiro passo para alavancar as questões relacionadas com o fortalecimento das organizações;
  • Existem algumas formas de aprofundar o trabalho de democratização da pauta que possa atingir audiências externas à temática do movimento, abaixo algumas delas enumeradas:
  • Trabalho com Influenciadores e Multiplicadores de informações;
  • Trabalho de Assessoria de Imprensa e Comunicação Pública;
  • Trabalho com marketing digital utilizando plataformas como Google Ads (Grants para organizações formalizadas); e
  • Pesquisa de Audiências.

O Relatório na íntegra está disponível aqui.

Lista de organizações participantes:

Ameciclo | Recife

Andar a Pé DF | Brasília

Associação Move Cultura | Contagem

Bicicleta nos Planos e Bike Anjo | São Paulo

Brasília para Pessoas/Jane’s Walk Bsb/UniCEUB | Brasília

Caminha Rio | Rio de Janeiro

CCMob-Coalizão Clima e Mobilidade Ativa | São Paulo

Cidade Ativa | São Paulo

Cidadeapé | São Paulo

Coletivo Caminhada Jane Jacobs Floripa | Florianópolis

Coletivo MOB | Brasília

Corrida Amiga | São Paulo

Desvelocidades e BH em Ciclo | Belo Horizonte

Fundo Socioambiental Casa | São Paulo

iCS (Instituto Clima e Sociedade) | Rio de Janeiro

INCITI-UFPE | Recife

Iniciativa Bloomberg para a Segurança Global no Trânsito (BIGRS) | São Paulo

ITDP Brasil | Rio de Janeiro

Metrópole 1:1 | São Paulo

Milalá-A Liberdade de ir e vir | São Paulo

MobiRio | Rio de Janeiro

Olhe Pelo Recife-Cidadania a Pé | Recife

Pé de Igualdade | São Paulo

REMS | São Paulo

SampaPé! | São Paulo

UCB | representado por Fortaleza

WRI Brasil | Porto Alegre


Notas:

[1]: Não necessariamente estas atividades serão lideradas pelo Como Anda

[2]: A organização que mostrou ter experiência nesse processo foi o Bike Anjo, representado no evento pelo João Paulo Amaral.