Afeto

Olhem bem. Afeto daquele que a tia fala. Não afeto teórico. Tá, o teórico também. É comida.
Durante a viagem, nada me incomoda tanto quanto não ter a minha cozinha. Poder sentar, escolher uma receita e medir os ingredientes e colocar no fogo e esperar ficar pronto e me servir e comer. Da ordem do banal. Mas a comida era algo externo ao que eu fazia ali.
Daí eu cheguei. Eu trabalhei. Eu morri de rir nas costas. Eu chorei. Eu quebrei o computador. Eu me queimei. A cozinha não me queria de volta, parece. Nem as comidas.
Hoje eu fui no Hortifruti. Comprei os ingredientes. E, não sozinha, confesso, que cozinha também é via em comunidade, fiz café, pão na chapa, canja e bolo mármore. Tirei até foto.
Hoje eu acho que percebi que voltei mesmo. Que não tem mala pra viajar amanhã. Não tem outro lugar. Outra coisa. É isso daqui mesmo, posso ficar. Posso estar com os amigos. Estão servidos?
